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Imprensa alemã opina

12 de março de 2009

Explicações para a chacina de Winnenden e o que fazer para evitar que tragédias semelhantes se repitam dominam as páginas de opinião dos jornais alemães.

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'Por quê', pergunta um cartaz em frente à escola em WinnendenFoto: AP

Em sua edição desta quinta-feira (12/03), o Süddeutsche Zeitung, de Munique, busca as motivações psicológicas que teriam levado o estudante Tim K. a matar 15 pessoas e se suicidar. "Na combinação entre a percepção de ser um fracassado e o desejo de reconhecimento que, aparentemente, apenas o vencedor pode alcançar", escreve o jornal, está o "caminho para entender as chacinas de estudantes".

Já o Westfallen-Blatt, de Bielefeld, pergunta para que o pai do atirador tinha várias armas em casa e lembra que na Alemanha há cerca de 10 milhões de pistolas, revólveres e espingardas registradas. "Quem lida de forma leviana com tais instrumentos de morte deve ser desarmado e punido", afirma o diário.

Para o Frankfurter Allgemeine Zeitung, de Frankfurt, "professores, pais e estudantes terão de aprender a identificar os solitários perigosos antes que eles se transformem em assassinos."

Leia a seguir trechos de alguns comentários.

Westfalen-Blatt: A dor é imensurável. Também não podemos mais perguntar a Tim K. o que o motivou. Mas há perguntas que podem ser respondidas. Por que foi tão fácil para o criminoso chegar aos instrumentos de morte? O pai de Tim teria mais de uma dúzia de armas armazenadas em casa. Para quê? Até hoje há na Alemanha cerca de 10 milhões de pistolas, revólveres e espingardas registradas. Por isso é preciso perguntar a caçadores e atletas de tiro esportivo e todos os outros donos de armas se realmente estão fazendo tudo para manter seu arsenal fechado a chave. Mas principalmente as autoridades devem se perguntar se estão mesmo controlando suficientemente os proprietários de armas. Quem lida de forma leviana com tais instrumentos de morte deve ser desarmado e punido.

Kölner Stadt-Anzeiger: Felizmente nossos políticos não se mostraram dispostos, até o momento, a proibir os jogos eletrônicos de luta, os killer games. Não são os jogos que transformam os jovens em criminosos. São as carências na família e no meio em que vivem que os levam a buscar refúgio no mundo dos jogos e das autoimagens monstruosas da internet, onde eles podem representar o papel de vingadores. Não é a "força do mal" que puxa os jovens para esse mundo de representação, mas uma carência de amor-próprio e, ao mesmo tempo, uma supervalorização anormal de si mesmos.

Stuttgarter Zeitung: A chacina de Winnenden é um ato extremo, e tem muito pouco que ver com a violência cotidiana nas escolas. Mas um crime que mexe com praticamente todas as pessoas também nos oferece a oportunidade de finalmente discutir aonde podem nos levar a violência, a indiferença em relação à violência e a glorificação da violência. Os responsáveis pela educação das crianças farão muito pouco caso tematizem apenas o horror em relação a um crime ou a repugnância em relação ao criminoso. Nos dias atuais, também se deveria falar sobre a nossa relação com a violência de toda ordem.

Frankfurter Allgemeine Zeitung: A lição mais importante de "Erfurt", "Emsdetten" e outros casos semelhantes é que o jovens criminosos sempre enviaram, em menor ou maior grau, sinais disfarçados, indicando suas intenções, porém estes não foram levados a sério e interpretados como bravatas. No caso de Winnenden fala-se que o jovem "jamais levantou qualquer tipo de suspeita". Isso também foi dito de outros, cujos pedidos de socorro, escondidos atrás de insinuações, apenas foram compreendidos posteriormente. Professores, pais e estudantes terão de aprender a identificar os solitários perigosos, antes que eles se transformem em assassinos.

Süddeutsche Zeitung: Da carta de despedida de Sebastian B., o atirador de Emsdetten (2006), consta que ser um "perdedor" foi tudo o que a escola lhe ensinou "intensivamente". Mas que também ele era uma pessoa que valia a pena "ser considerada": "Antes de ir, vou deixar para vocês uma lição para que nunca mais alguém se esqueça de mim! Quero que meu rosto fique marcado a fogo nas suas cabeças!" Se há um caminho para entender as chacinas de estudantes, então ele está escondido atrás de frases como essas; na combinação entre a percepção de ser um fracassado e o desejo de um reconhecimento que aparentemente apenas o vencedor pode exigir. O fracasso pessoal – real ou apenas suposto – é percebido como um ataque fundamental à autoestima. Isso está longe de ser incomum: a crença de que a chave para o sucesso se encontra enterrada dentro de cada um – e portanto, em última análise, dentro de sua autoconfiança – faz parte da estrutura psíquica básica da nossa sociedade.

AS/AV/dpa