Imprensa alemã comenta eleição paraguaia | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 22.04.2008
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América Latina

Imprensa alemã comenta eleição paraguaia

Para imprensa alemã, eleição de Fernando Lugo no Paraguai reafirma guinada de esquerda na América Latina, embora o afaste de Chávez. Jornais alertam para expectativas demais e possíveis conflitos com Brasil e Argentina.

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Lugo destitui Partido Colorado após mais de 60 anos no poder

A destituição do Partido Colorado nas últimas eleições presidenciais paraguaias foi tematizada pelos principais jornais de língua alemã. Para o Neue Zürcher Zeitung, "quando um país é governado por mais de 60 anos pelo mesmo partido e um ex-bispo sem partido é eleito novo presidente com uma vantagem convincente, então pode-se dizer com razão que um novo capítulo teve início em sua história", escreveu o jornal suíço.

"Ainda é incerto com que conteúdo este capítulo será preenchido (...), mas a forma como o antigo regime dos Colorados foi destituído da presidência através de eleições em grande parte livres e democráticas, justifica algumas esperanças."

No entanto, o austríaco Salzburger Nachrichten acredita que Lugo terá dificuldades em atender às altas expectativas nele depositadas. "Lugo não representa apenas uma esperança, na consciência de muitos paraguaios ele é a última salvação para este país sacudido por doenças tropicais, emigração galopante, baixos níveis de crescimento econômico e uma das taxas de corrupção mais altas da América Latina", escreveu o jornal.

"As expectativas são gigantes e ele tem que atuar em tantos níveis ao mesmo tempo, que há o perigo de se dispersar, pois sua experiência política é pouca. Além do mais, passadas as eleições, a ampla aliança política com a qual chegou ao poder é antes um peso que uma ajuda. O que os une é antes de tudo a raiva contra o partido do governo. Mas eles ainda precisam formular um projeto conjunto, positivo e voltado para o futuro."

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Tendência latina

Para o alemão Rheinische Post, o resultado das eleições paraguaias não é nenhuma surpresa e só reafirma uma tendência que há tempos vem se solidificando. "Também o Paraguai cedeu à guinada de esquerda na América do Sul, que explica o fracasso dos partidos burgueses. Estes acreditaram por muito tempo que seu poder era hereditário e não precisava ser constantemente justificado."

Ainda segundo o jornal, "o Paraguai conhece corrupção, clientelismo e autoritarismo. Mas uma melhor qualidade de vida era exclusividade da elite, da mesma forma que as idéias de reforma agrária e de participação nos recursos do país eram vistas como ameaças aos próprios benefícios, raramente como algo justo e propício à paz social. Isso agora se reverte nos principais países da América do Sul."

O Tagesspiegel, de Berlim, salientou ainda que "o país poderia estar diante de um conflito com o Brasil e a Argentina, após ter anunciado que pretende renegociar os contratos das hidrelétricas binacionais. O país agrário utiliza apenas uma pequena parte da energia que lhe pertence e vende o restante a preços irrisórios aos dois vizinhos que sofrem com a falta de energia".

"O Anti-Chávez"

Para o Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), que o chamou de "o anti-Chávez", "Lugo não cansou de salientar durante sua campanha que pretendia seguir um rumo próprio. Isso é uma réplica à suspeita de que queria aproximar o Paraguai do estreito círculo de países simpatizantes com a 'revolução bolivariana' do presidente venezuelano Hugo Chávez."

Mas alerta: "Lugo é diferente. Ele é um padre católico ordenado e foi bispo antes de entrar para a política. Portanto, é de se esperar que lance mão de métodos inortodoxos, para além de fantasias revolucionárias, a fim de realizar suas idéias". (rr)

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