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Cultura

Imprensa alemã celebra obra-prima de Meirelles

"Cidade de Deus" está merecendo uma atenção inusitada dos críticos alemães, que não hesitam em usar superlativos para qualificar a primeira grande produção de Fernando Meirelles.

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Os críticos alemães reportam-se a mestres do cinema épico — Sergio Leone, Sam Peckinpah, Martin Scorsese — para comentar o filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund, em relação ao qual "nenhuma comparação é exagerada", como afirma Hauke Goos na revista Der Spiegel. A "obra-prima" — caracterização utilizada repetidamente — "desmonta o velho mito do filme de gângster para recompô-lo em seguida", define Tobias Kniebe no diário Süddeutsche Zeitung.

E, para não deixar nenhum leitor em dúvida, cita-se ainda o produtor alemão Bernd Eichinger, que considera Cidade de Deus "talvez o melhor filme dos últimos dez anos". Foi, aliás, a distribuidora de Eichinger, a Constantin-Film, que comprou os direitos para a Alemanha.

Uma versão cuidadosamente dublada está em cartaz em 150 cinemas da Alemanha desde quinta-feira (08), tendo atraído 60 mil espectadores até o fim de semana passado. Um número que Frauke Allstadt, da distribuidora, definiu à DW-WORLD como "satisfatório", considerando que o filme foi lançado numa semana de sol, em que as pessoas geralmente preferem estar ao ar livre do que numa sala de cinema. Allstadt acredita que o movimento no próximo fim de semana permitirá avaliar se o filme é realmente capaz de conquistar o público alemão.

Mestria da câmera

City of God, Cidade de Deus, Buscapé

Em inglês, "filme" também é chamado de " motion picture", lembra o crítico Daniel Kothenschulte no Kölner Stadt-Anzeiger, impressionado com a força da linguagem visual desta obra brasileira. E destaca a cena em que um dos bandidos, com o jornal na mão, responde que "lê as fotografias" — quando um outro lhe pergunta se sabe ler — como sendo a síntese programática do filme, que retoma "a grande arte da narração visual" com que o cinema latino-americano sobressaiu na década de 60.

Os destaques para a diversidade do trabalho de câmera, que encontrou uma linguagem e um ritmo próprios para cada episódio do filme, são uma tônica nos comentários.

Magia da narrativa

City of God, Cidade de Deus, Locke, Ze Pequeno und ein Teil seiner Gang

Não há quem questione que a violência tenha um caráter visceral num filme como este. O que importa é que "Meirelles e Lund utilizem a violência apresentada para realmente tornar visíveis as leis que regem a anarquia", consta no artigo do Süddeutsche Zeitung. E impressiona como o filme, que às vezes parece extrapolar seus próprios limites, sempre retorna "magicamente para o seu caminho, entrelaçando os fios da meada que mantêm coesa a vida na favela".

O maior mérito do filme talvez seja, argumenta o crítico Kniebe, permitir que o espectador penetre de tal forma na história que ele sai do cinema com a impressão de ter conhecido as personagens e com a sensação de perda, diante das muitas mortes. "Que a gente não se esqueça daquelas pessoas, de suas histórias, seus sonhos, sua vivacidade; e que a gente se sinta feliz por estar entre os poucos que conseguiram escapar".

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