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Brasil

"Impeachment ou renúncia" é consenso na Paulista

Pedidos de afastamento de Dilma ganham força entre os participantes do protesto em São Paulo, que reúne menos pessoas do que em março e mais do que em abril.

Apesar da popularidade do governo Dilma Rousseff (PT) ter chegado aos níveis mais baixos já registrados, o protesto deste domingo (16/08) na Avenida Paulista não teve a mesma adesão da primeira manifestação, em março.

Segundo a Polícia Militar, 350 mil pessoas estavam na avenida no horário de pico, ante 275 mil em abril e 1 milhão em março. O Datafolha estimou em 135 mil o número de manifestantes – em abril, havia calculado 100 mil e, em março, 210 mil.

O protesto foi organizado por três principais grupos – Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados On Line – que concentraram a maior quantidade de manifestantes ao redor dos seus carros de som.

Como das outras vezes, as pessoas foram vestidas de verde e amarelo e levaram apitos, cornetas e tambores. Um tecido com as cores da bandeira brasileira foi estendido de um lado até outro da avenida, amarrada em dois prédios.

"Tem cem metros. Pedimos para os moradores se podíamos prender o pano e eles toparam", afirmou uma das organizadoras do movimento Nas Ruas, Jackeline Halker, de 27 anos.

Além de ser contra o PT, quem protestou na Avenida Paulista pedia a saída de Dilma por impeachment ou renúncia. A maioria afirmava que o PT era mais corrupto do que os outros partidos, mas tampouco consideravam o vice-presidente Michel Temer (PMDB) uma boa opção.

"O Temer não seria bom, mas é melhor do que a Dilma", afirmou o advogado Gabriel Alves, de 32 anos, que votou em Aécio Neves (PSDB) nas últimas eleições. Vestido de verde e amarelo, Alves disse acreditar que Dilma seja corrupta e que o impeachment "seria uma boa mensagem do povo aos políticos".

Juliete da Silva, de 47 anos, disse que concorda com a ideia de que Temer é a solução "menos pior" e que o PT é o partido mais corrupto. "Não inventou a corrupção, mas, com o PT, ela tomou uma proporção maior. Tinha que convocar novas eleições."

Moradora de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, ela foi a todas as manifestações contra o governo na Avenida Paulista. "O protesto é a única forma de pressionar os políticos por mudança e de mostrar a nossa insatisfação."

Com o rosto pintado, Silva repetiu um bordão dos protestos: "Não é só rico que é contra o PT, eu sou de classe baixa", disse ela, que é funcionária pública.

Brasilien Demonstration gegen Regierung Dilma Rousseff

Instituto Datafolha calculou em 135 mil pessoas o público na Avenida Paulista

Nordestinos

O casal Juliana Ramos, 33, e Newton Maia, 37, decidiu protestar com uma roupa típica nordestina. "É o gibão de couro, usado por vaqueiros", explicou Newton, que nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, mas mora há dez anos em São Paulo.

"Viemos assim para representar o povo nordestino, já que dizem que o Nordeste gosta do PT", disse ele. O casal disse não saber se Dilma é corrupta, mas que teria se beneficiado de dinheiro roubado. Eles votaram em Marina Silva (PSB), no primeiro turno, e em Aécio, no segundo.

Uma reclamação recorrente foi a inflação. Mesmo quem não estava ali para protestar atribuiu ao governo os problemas econômicos.

"Eu votei na Dilma, mas me arrependi. Ela não está fazendo nada e tudo está piorando. As contas e os impostos aumentaram, e o desemprego também", afirmou o vendedor de pipoca e batata frita Pedro de Sousa, de 36 anos. Ele disse que o seu negócio ainda não foi afetado pela crise, mas assegurou que é uma questão de tempo: "Vai piorar".

Jenifer Valentin, de 19 anos, também reclamou das contas mais altas. Ela trabalha como recepcionista num hotel e mora em Sapopemba, na zona leste, de São Paulo. "É o meu primeiro protesto. Estou cansada de roubalheira."

A mãe, que a acompanhou, disse que os "governos de elite" são os que mais ajudam os pobres. "Lá na periferia, o PSDB fez tudo. O PT não fez nada. Todos os partidos roubam, mas o PT foi na cara dura."

Golpe militar

Também havia grupos, minoritários, que apoiavam a intervenção militar. Eles se reuniram em torno dos carros de som dos movimentos União Nacionalista Democrática (UND) e Pátria Amada Brasil.

No carro da UND, os discursos eram inflamados e os xingamentos, recorrentes. "Dilma vaca Rousseff!", gritou uma mulher. Um dos líderes do movimento atacou José Dirceu: "ladrão, filho da puta". E foi respondido por um coro: "Filho da puta!". Depois continuou: "Fora Dilma, Cunha, Renan, bandidos! Fora Judiciário."

Márcia Conte, de 62 anos, aposentada, é a favor de um golpe militar. Ela foi vestida com uma roupa verde, de camuflagem. "Sou filha daquele tempo. Na época dos militares, havia ordem, respeito e crescimento econômico. Não tinha assalto e roubo", disse ela, que votou em Aécio e acredita que as eleições foram fraudadas.

Para Conte, o PT quer instaurar o comunismo no país. "Não somos Cuba ou Venezuela", reclamou.

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