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América Latina

Impasse marca encontro entre governo e oposição na Venezuela

Pela primeira vez desde o início dos protestos, Maduro reúne-se com oposicionistas, mas reitera que "não há negociação". Novo encontro deve acontecer na próxima terça-feira.

O presidente Nicolás Maduro e líderes da oposição voltarão a discutir na próxima semana uma solução pacífica para a onda de protestos que já dura mais de dois meses e deixou um saldo de 41 mortos e centenas de feridos na Venezuela.

As duas partes não conseguiram desfazer o impasse na primeira rodada de debates do chamado Diálogo da Paz, da qual também participaram representantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Vaticano.

O encontro em Caracas se estendeu por mais de seis horas – terminou por volta das 2h (horário local) desta sexta-feira (11/04) – e foi transmitido ao vivo por todas as rádios e canais de TV venezuelanos.

Durante a reunião, na qual oposição e governo se confrontaram durante todo o tempo, Maduro descartou a possibilidade de assinar uma proposta de Lei de Anistia, apresentada pelo opositor Andrés Velásquez, a fim de liberar as pessoas presas desde o início dos protestos, em 12 de fevereiro.

Maduro garantiu que não há uma política de perseguição em seu governo. Segundo ele, dos 2.479 detidos durante as manifestações, apenas 175 permanecem presos. "Há tempo para a justiça e tempo para o perdão. Agora é tempo de justiça", argumentou.

A libertação dos chamados "presos políticos" é uma das condições mínimas exigidas pela oposição para iniciar o diálogo. Ela também exige o desarmamento de grupos ligados ao governo e a renovação dos membros do Conselho Eleitoral, da Controladoria e do Tribunal Supremo de Justiça.

O governo chama os protestos de "movimentos golpistas" que pretendem derrubar Maduro por meio da violência, enquanto a oposição culpa a repressão governamental por ter produzido tantas vítimas. Para os opositores, o presidente venezuelano é responsável pela deterioração da economia do país e pela escassez de produtos básicos.

Ainda sem consenso, as duas partes devem voltar a se reunir na próxima terça-feira.

Monólogo inicial

Venezuela Treffen zwischen Präsident Nicolas Maduro und Opposition in Caracas

"Aqui não há negociações, nem pactos", afirmou Maduro

Além dos 11 representantes do governo e dos outros 11 da coalizão da oposição, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), também participaram do encontro no palácio presidencial de Miraflores os chanceleres brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, e equatoriano, Ricardo Patiño, e a chanceler colombiana, María Ángela Holguín. Enviado do Vaticano, o núncio apostólico para a Venezuela, Aldo Giordano, também esteve presente e levou uma carta do papa Francisco, na qual ele conclama pela reconciliação.

Maduro, que atuou como mediador, falou durante 40 minutos, não comentou sobre a repressão violenta do governo sobre os manifestantes e deu o tom da reunião. "Aqui não há negociações nem pactos. A única coisa que buscamos é um modelo de coexistência pacífica, de tolerância mútua", afirmou o chefe de Estado.

Candidato derrotado por Maduro nas eleições presidenciais do ano passado por apenas 1,5 ponto percentual, Caprilles participou do encontro e questionou a real disposição do governo de abrir diálogo com a oposição. "Nós realmente buscamos que haja diálogo. Ou isso muda, ou isso vai explodir. E eu espero que isso mude", afirmou Caprilles, o último a discursar pela oposição.

Alguns opositores mais radicais se recusaram a participar do encontro, alegando que o convite de Maduro pretende "desmobilizar" o movimento de protestos pacíficos.

"Ridículos"

Ainda durante encontro, o presidente da Venezuela condenou as ameaças dos Estados Unidos de aplicar sanções a Caracas. "Os Estados Unidos dizem: 'ou dialogam ou sancionamos'. Devo dizer a eles que são ridículos. Não sejam ridículos", afirmou. Para ele, os americanos "não deveria se meter nos assuntos internos da Venezuela".

Representantes do Senado e da Câmara dos Representantes dos EUA pediram ao governo do presidente Barack Obama que aplique sanções a altos funcionários do governo venezuelano por conta da repressão violenta sobre os protestos.

Na terça-feira passada, porém, o secretário de Estado, John Kerry, disse que Washington não avançará com medidas contra a Venezuela enquanto houver ações que possam conduzir a um diálogo entre as duas partes no país sul-americano.

MSB/rtr/dpa/lusa

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