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Economia

Impactos do 11/09 na economia foram superestimados, diz especialista

Assim como as torres gêmeas, o mercado de ações desabou após os ataques terroristas nos EUA. Apesar de ser difícil quantificar as conseqüências econômicas da tragédia, os prejuízos foram menores que o esperado.

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Atentados teriam sido usados como desculpa para resultados ruins

"Eu estava em meu escritório e tinha acabado de chegar de um reunião. Começaram então a aparecer imagens do World Trade Center em chamas e ficamos estarrecidos", conta Rolf Kroker, do Instituto da Economia Alemã em Colônia. "Cerca de 15 minutos após os ataques os jornalistas começaram a telefonar perguntando o que aconteceria com a economia, mas não era possível prever", relata.

Ainda hoje, segundo ele, é difícil dizer com precisão quais foram os desdobramentos econômicos do 11 de setembro. "Seria incrivelmente complexo quantificar os danos causados à economia porque há inúmeros fatores a serem levados em conta", afirma.

Se as implicações daquela trágica terça-feira são ainda imprecisas para os economistas, os eventos que impactaram o mundo das finanças após os atentados estão bem claros na memória de todos. Os mercados financeiros responderam imediatamente. Em Wall Street as negociações foram suspensas no mesmo dia – a bolsa só voltaria a operar cinco dias depois, a maior interrupção registrada desde a Primeira Guerra Mundial.

Reação instantânea

Já na tarde de 11 de setembro o valor dos papéis alemães caíram, em média, 10%. Em Tóquio, o índice Nikkei atingiu os mais baixos patamares desde 1984. Apesar disso, a maior parte das instituições financeiras internacionais conseguiu reagir rapidamente e os mercados se recuperaram.

Em uma ação conjunta, o Banco Central Europeu, o American Federal Reserve [Fed, instituição norte-americana correspondente ao banco central], o Banco do Japão e o Banco Nacional da Suíça aumentram a liquidez dos mercados para sustentar o valor do dólar.

As linhas aéreas norte-americanas receberam de Washington uma subvenção de 15 bilhões de dólares e os ministros de Finanças dos países europeus concordaram em apoiar o setor aéreo local com incentivos indiretos. Apesar dos esforços, algumas companhias do setor, em ambos os lados do Atlântico, foram forçadas a reduzir postos de trabalho e algumas tiveram que fechar.

Justificativa para ineficiência

No ano fiscal seguinte aos ataques terroristas, praticamente todos os relatórios e balanços das empresas mencionaram o 11 de setembro. Porém, afirma Kroker, em muitos casos os atentados foram usados como desculpa para resultados financeiros ruins, uma vez que várias companhias já estavam operando no vermelho antes mesmo da fatídica data.

O economista cita o exemplo da Alemanha para justificar seu ponto de vista. "A economia do país já estava estagnada naquele momento. Por alguns anos já vínhamos tendo os mais baixos índices de crescimento da Europa e isso nada tem a ver com o 11 de setembro, e sim com o fato de que não fizemos nosso dever de casa para crescer", analisa.

Mais gastos com segurança

Outros países reagiram com mais eficiência aos ataques terroristas e conseguiram de forma relativamente rápida neutralizar os efeitos negativos no mercado financeiro. Segundo Kroker, os Estados Unidos são um bom exemplo disso. Graças a um maciço volume de recursos governamentais e redução de impostos, o país conseguiu dissipar temores de uma recessão generalizada.

O economista destaca que, após o fim da Guerra Fria, criou-se uma grande expectativa de que os altos investimentos até então feitos em defesa e segurança poderiam finalmente ser canalizados para os setores econômico e social, gerando mais prosperidade.

Mas esse ideal nunca se tornou realidade. "Depois do 11 de setembro todo aquele volume de recursos foi necessário novamente para aumentar a segurança mundial", concluiu Kroker.

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