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Eleição na Alemanha

Imigração é tema "esquecido" na campanha alemã

Candidatos Angela Merkel e Gerhard Schröder preferiram deixar o debate sobre os direitos de estrangeiros na Alemanha de lado. Discussão ficou concentrada em problemas econômicos do país.

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Alemães e estrangeiros: complexa relação

Um polêmico assunto faltou na campanha eleitoral dos principais partidos que disputam as eleições neste domingo (18/09): o acalorado debate sobre a situação de estrangeiros na Alemanha foi estrategicamente posto de lado, especialmente pelos principais candidatos, o atual chanceler federal Gerhard Schröder (SPD) e a líder democrata-cristã Angela Merkel.

À medida que os problemas econômicos se intensificaram – nos últimos anos, o desemprego cresceu muito e o consumo no mercado interno se retraiu –, as preocupações do eleitorado se igualaram às da maioria dos outros países, inclusive o Brasil, passando a ter a sobrevivência e o bem-estar econômico como foco principal.

A discussão sobre o crescimento econômico, a geração de empregos e a política de concessão de benefícios como seguro-desemprego e atendimento à saúde "engoliu" um tema social mais amplo: a dificuldade em aceitar o "outro", o "diferente" e, por conseqüência, o "estrangeiro".

A eleição faz a diferença

Landesdelegiertenkonferenz der Grünen: Joschka Fischer

Os "verdes": direitos iguais

Mas, embora as propostas não tenham sido mencionadas durante a campanha, naturalmente os diferentes partidos têm visões diversas sobre imigração. E colocá-las em discussão neste momento poderia representar perda de votos para ambos os lados – o que um teste da revista Focus, elaborado para eleitores indecisos quanto ao pleito do próximo domingo (18/09), confirma.

Quem respondesse à pergunta "Você acha que a lei alemã deve dar os mesmos direitos de salário e trabalho para estrangeiros?" com um sim era orientado a votar para o SPD de Schröder, para o Partido Verde ou para o Partido de Esquerda (ex-PDS). Quem negasse direitos mais amplos a imigrantes era recomendado à aliança CDU-CSU de Angela Merkel e ao Partido Liberal, que deve fechar coalizão com a candidata.

Sem medo de estrangeiros

Em 2000, porém, a classe política alemã estava debruçada sobre o tema imigração. O Partido Verde – fortalecido pela coalizão com o SPD – pressionou a aprovação de um projeto que abriria as fronteiras da Alemanha para trabalhadores estrangeiros e pessoas em busca de asilo político. Seria a política de imigração mais liberal da Europa. Apesar da forte oposição do Partido Liberal e principalmente de CSU e CDU, a aprovação da proposta parecia possível até setembro de 2001.

Então veio o ataque terrorista ao World Trade Center, em Nova York, e os partidos de direita ganharam um forte argumento: era preciso proteger a Alemanha da ação de grupos guerrilheiros extremistas.

O fato de um dos terroristas responsáveis pelo ataque às torres gêmeas ter usado Hamburgo como base temporária de operações certamente fez o problema parecer real. E o grande debate sobre a aceitação de estrangeiros, envolvendo igreja, empresários, associações comunitárias e sindicatos, esfriou.

No meio do caminho

Wahlen Deutschland Fernsehsendung Wahl 05 Die Favoriten

Schröder e Merkel: caminhos opostos

A nova lei de imigração só foi aprovada em 2004. O projeto original passou por tantas mudanças que, segundo especialistas, ficou irreconhecível. A proposta inicial de "uma Alemanha sem medo de estrangeiros" foi deixada para trás.

Fruto de um acordo entre SPD e CDU, os dois maiores partidos do país, o texto final da nova lei de imigração ganhou um estilo "morde e assopra": o mercado de trabalho ficou mais aberto para trabalhadores qualificados e estudantes estrangeiros que completem uma graduação no país. Entretanto, o controle de entrada e saída de pessoas ficou mais severo.

Foi o suficiente para políticos de esquerda e de direita comemorarem. Para o SPD, a lei foi um marco regulatório da imigração no país, que demostraria que a imagem xenófoba da Alemanha não tinha mais razão de ser. Os conservadores também viram a nova legislação com bons olhos: ao menos a nação não seria invadida por trabalhadores de países em desenvolvimento.

Mas é claro que a lei de estrangeiros, em vigor desde janeiro deste ano, não será o fim do debate sobre a política de imigração do país, ainda mais em tempo de vagas magras na economia.

Enquanto o Partido Liberal, a CDU e a CSU querem cortar benefícios já concedidos a trabalhadores de outras nacionalidades, o Partido Verde e, em menor escala, o SPD tentam fazer a legislação caminhar para algo mais próximo do projeto de "uma Alemanha sem medo de estrangeiros".

Portanto, embora a discussão sobre o assunto pareça estar suspensa atualmente, o resultado das eleições certamente influenciará a futura política alemã de imigração.

Leia mais na próxima página sobre a política de integração de estrangeiros no país e sobre um evento promovido pela Deutsche Welle para discutir o assunto.

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