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Alemanha

Imagem de estrangeiros na TV alemã é irreal

Quase 7,3 milhões de estrangeiros vivem na Alemanha, mas a mídia local ainda tem dificuldades em mostrá-los com naturalidade. Representantes de canais públicos se reuniram em Berlim para discutir meios de evitar clichês.

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Imigrante prepara um döner, especialidade turca apreciada por alemães

Se a televisão alemã tivesse algo a dizer a respeito dos estrangeiros no país, então a vida desses imigrantes estaria mesmo algemada à tradição e marcada pelo crime. "Sua imagem teve um declínio considerável nos meios de comunicação após os ataques terroristas de 11 de setembro", disse Fritz Pleitgen, diretor do canal alemão público WDR.

"Assassinatos pela honra e casamentos arranjados causam mais sensações na mídia do que um relato diferenciado a respeito da vida dos imigrantes. Mas ela não se resume apenas às más notícias", insistiu.

Ele gostaria de ver uma cobertura mais aprofundada a respeito do assunto, como as que divulgaram a entrega do Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim ao diretor turco-alemão Fatih Akin em 2004, e a entrega do prêmio de Miss Alemanha a Asli Bayram neste ano.

Caldeirão cultural

Afinal de contas, a Alemanha está se tornando cada vez mais um caldeirão cultural. As fronteiras culturais nunca estiveram tão indefinidas – um em cada seis casamentos é intercultural e uma em cada quatro crianças nascidas na Alemanha tem mãe ou pai estrangeiro.

Por outro lado, a violência organizada, os assassinatos e o tipo de fundamentalismo muçulmano praticado, por exemplo, por Metin Kaplan, que ficou conhecido como o Califa de Colônia, também são fatos da vida moderna.

"Mas é preciso destacar que esses casos são exceções", disse Marie-Luise Beck, encarregada do governo para questões relacionadas com os estrangeiros. "Num tempo em que problemas econômicos geram enorme insegurança e ressentimentos, a sociedade tende a buscar válvulas de escape", observou.

"É importante divulgar o que está acontecendo", afirmou. "A mídia tem a obrigação de cobrir um discurso inflamado de algum líder muçulmano. Mas é igualmente importante divulgar a ascensão do extremismo de direita e mostrar que isso também pode ser prejudicial."

Ela ainda exemplificou os seus argumentos dizendo que, em vez de explorar a origem do fanatismo de extrema direita, a mídia tende a promover também uma imagem estereotipada de neonazistas, falhando em fornecer a verdadeira dimensão desse problema.

Beate Winkler, do Centro Europeu de Monitoria ao Racismo e à Xenofobia, também mostrou reservas quanto à maneira pela qual a mídia retrata o extremismo de direita. "Os extremistas de direita são de tal forma transformados em vítimas que uma boa parte dos espectadores se identifica com eles. Ao mesmo tempo, ninguém realmente olha para a sua verdadeira função na sociedade", disse.

Papel educacional?

Mas o que pode ser feito para que essas reportagens sejam mais objetivas? Enquanto muitos acreditam que as televisões públicas alemãs deveriam assumir uma responsabilidade educacional, dando exemplos de integração social, outros alertam contra o que poderia ser encarado como um "otimismo exagerado".

"As pessoas estão sempre dizendo que a televisão deveria mostrar mais notícias boas", disse Ulrich Deppendorf, da WDR. "Mas se nós mostrássemos apenas imagens positivas, perderíamos parte de nossa credibilidade."

Segundo o especialista em mídia Rainer Braun, o problema é que imigrantes na Alemanha ainda não chegaram ao mainstream. "Por que é tão difícil mostrar pessoas de diferentes origens em outro formato que não seja o de programas multiculturais?", pergunta. "Por que é que eles não podem apresentar o noticário ou ancorar programas de debate político? Por que não podemos mostrá-los como eles são?"

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