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Mundo

Imã moderado terá missão de unificar oposição síria

A oposição ao ditador sírio Bashar al-Assad tem um novo rosto: Ahmad Maaz al-Khatib. O imã foi eleito para encabeçar a recém-fundada coalizão nacional. Mas nem todos os grupos opositores participam.

Ahmad Maaz al-Khatib, nascido em 1960, é conhecido na Síria. Ele foi imã na Mesquita dos Omíadas, também conhecida como Grande Mesquita de Damasco, e ajudou a organizar os protestos pacíficos contra o governo de Bashar al-Assad em março de 2011. Depois de ter sido detido diversas vezes, Khatib saiu do país. Trata-se de uma figura de integração, diz à Deutsche Welle Heiko Wimmen, especialista em questões ligadas à Síria do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP), sediado em Berlim.

Considerado um imã de viés moderado, Khatib tem a missão de unir as forças religiosas e seculares no país. Segundo Wimmen, sobretudo os opositores não religiosos do regime Assad anseiam pela certeza de que "correntes muito próximas à Irmandade Muçulmana ou mesmo correntes islâmicas radicais não assumam o comando", diz o especialista.

David Butter, pesquisador da organização londrina Chatham House e especialista em questões ligadas à Síria, também vê em Khatib um conciliador. Por não ser ligado a nenhuma corrente política, ele poderá, segundo Butter, assumir a posição de mediador entre os diversos grupos de opositores do regime Assad. "Para quem observa de fora, é uma surpresa agradável ver que alguém como ele tenha chegado ao topo", disse Butter em entrevista à Deutsche Welle.

Acordo após longas negociações

Generalversammlung der syrischen Opposition in Doha

Coalizão nacional síria precisa angariar apoio dentro e fora do país

Depois de mais de uma semana de negociações em Doha, no Catar, representantes de diversos grupos de oposição chegaram a um acordo no domingo (11/11). Ao lado de Khatib, o crítico do regime Riad Seif e a ativista da resistência Souheir al-Atassi formam a "coalizão nacional síria das forças de oposição e revolução". Os participantes da conferência determinaram também a submissão do maior número possível de grupos armados na Síria ao Conselho Superior Militar.

Antes disso, todas as tentativas de unir a oposição fragmentada haviam fracassado. Entre os opositores do regime estão grupos religiosos e não religiosos, diversos cidadãos sírios, alguns intelectuais, a influente Irmandade Muçulmana, grupos curdos e também defensores radicais da Jihad.

Meta é governo no exílio

Até então o Conselho Nacional Sírio (CNS) era considerado no exterior como a mais importante representação dos opositores do regime. No entanto, tanto os Estados Unidos quanto outros países se distanciaram recentemente do CNS, por considerarem o grêmio ineficaz no combate ao governo em Damasco.

Sob pressão de países árabes e ocidentais, o Conselho Nacional reuniu-se, por fim, em Doha, a fim de negociar com outros grupos de oposição. "Isso significa, em primeira linha, que temos uma representação maior da oposição síria no exterior", avalia Wimmen. Segundo ele, agora tem-se um leque maior de representantes da sociedade síria dentro do grêmio.

"O objetivo por trás disso é criar um governo no exílio em médio prazo", completa o pesquisador berlinense. As expectativas em relação à coalizão nacional são altas. Ela terá a tarefa de trazer ao bloco de oposição o mais amplo reconhecimento possível, comenta Butter. E essa oposição no exílio deverá, segundo o especialista, mostrar como está bem conectada à resistência dentro da própria Síria, angariando também maior apoio internacional.

Com esse objetivo, Khatib viajou pouco depois de sua eleição para participar de um encontro da Liga Árabe no Cairo. O imã terá agora que provar que a resistência na Síria tem condições de vencer militarmente o governo. "A esperança é de que, desta forma, a pressão internacional sobre o regime cresça de tal forma, que o governo se desmantele ou seja obrigado a fazer concessões substanciais nas negociações", diz David Butter, da Chatham House.

Syrien Krieg Bombe

Bombas e violência no cotidiano: espera-se que oposição reunida possa levar a fim do conflito

Os políticos ocidentais saudaram a criação do novo grêmio. Para o ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, o acordo é "um passo importante e digno de elogios". Mark Toner, porta-voz da Secretaria de Estado norte-americana, aponta neste contexto um marco importante rumo ao fim do domínio de Assad na Síria.

Nem todos os grupos de oposição são unidos

Apesar disso, muitas questões continuam em aberto depois do acordo no Catar, pois nem todos os grupos opositores do regime foram envolvidos nesta rodada de negociações. O "comitê nacional de coordenação por uma mudança democrática das forças sírias", por exemplo, não participou. A organização congrega uma dúzia de pequenos partidos, explica Heiko Wimmen. O Partido Democrático Curdo (PYD), ligado ao Partido Curdo dos Trabalhadores (PKK), também mantém-se isolado, perseguindo suas próprias metas.

Não se sabe também ao certo quantos dos comitês locais de resistência que agem separadamente no país irão respeitar o acordo. Além disso, lembra Butter, há sempre o risco de que os grupos unidos se separem novamente. O Conselho Nacional Sírio, por exemplo, se opôs em princípio a dividir o papel de liderança que mantinha até agora. Resta saber se ele se dará por satisfeito com sua futura posição dentro da coalizão nacional. Os grupos oposicionistas sírios anseiam, sobretudo, por maior apoio de fora do país em seu combate à ditadura Assad.

Enquanto alguns países como o Catar e a Turquia ajudam alguns grupos com equipamento militar e de logística, os governos ocidentais mantêm uma postura hesitante neste sentido. Europeus e africanos temem apoiar extremistas de forma involuntária. Uma oposição ampla sob uma liderança moderada iria facilitar ao Ocidente o fornecimento de armas ao Exército Livre da Síria, por exemplo. Para Wimmen, é preciso ainda questionar o que ocorreria mais tarde no país.

"Não faz sentido fornecer equipamento militar aos rebeldes para que eles intensifiquem o combate, sem dar a eles arsenal suficiente para vencer. Aí o conflito só aumenta, e o número de vítimas continua a crescer", conclui o especialista alemão.

Autor: Andreas Gorzewski (sv)
Revisão: Francis França

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