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Brasil

Ianomâmis acusam garimpeiros brasileiros de massacre na Venezuela

De acordo com representantes dos indígenas, garimpeiros atiraram contra a comunidade e atearam fogo às cabanas de uma vila localizada na fronteira com o Brasil. Confrontos na região são frequentes.

O Ministério Público da Venezuela designou nesta quarta-feira (29/08) uma comissão para investigar denúncias de representantes das comunidades ianomâmis. Elas acusam garimpeiros brasileiros que atuam ilegalmente na Amazônia venezuelana pela morte de 80 indígenas, no mês passado.

Os nativos afirmam que os mineiros teriam comandado um ataque ao território ocupado por ianomâmis, com armas de fogo e explosivos. Apenas três deles teriam sobrevivido.

De acordo com Luis Ahiwe, da Horonami Organização Ianomâmi (HOY), no dia 5 de julho passado os garimpeiros teriam atirado contra a comunidade e ateado fogo às cabanas da pequena vila. Os corpos carbonizados das vítimas teriam ficado irreconhecíveis.

Os três sobreviventes haviam saído para caçar, por isso não se encontravam na vila no momento do ataque. Mas ouviram o ruído de um helicóptero, seguido de tiros. Eles encontraram os corpos e relataram o massacre às autoridades.

Para Ahiwe, o ataque tem relação com um episódio ocorrido dias antes, quando uma mulher ianomâmi fora sequestrada por garimpeiros e só libertada dias depois, pelos indígenas.

Impunidade

A HOY quer agora que os governos da Venezuela e do Brasil montem uma comissão binacional de investigação. A organização Survival International, com sede em Londres, quer que as autoridades venezuelanas encontrem imediatamente os culpados e os levem a juízo. Com isso, as autoridades dariam uma mostra de que assassinatos de indígenas na Amazônia não ficarão mais impunes.

A região onde ocorreu o ataque fica no sul da Venezuela, perto da fronteira com o Brasil. O local frequentemente é palco de violentos confrontos entre indígenas, garimpeiros e extrativistas ilegais. A denúncia só teria se tornado pública agora, quase dois meses depois do episódio, devido á dificuldade de acesso à vila. Puerto Ayacucho, capital do estado venezuelano Amazonas, fica a cinco horas de voo de helicóptero e cinco dias de caminhada do local do atentado.

Grupos não-governamentais de defesa dos indígenas denunciam desde 2009 conflitos causados pela atuação dos garimpeiros brasileiros ilegais na região ocupada pelos ianomâmis, assim como a contaminação da água por mercúrio.

MSB/rtr/afp
Revisão: Augusto Valente

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