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Mundo

Iêmen: terrorismo tipo exportação

Um dos autores dos atentados em Paris foi treinado no Iêmen. O país é um porto seguro para organização terrorista Aqad, célula da Al Qaeda na Península Arábica, considerada uma das mais ativas e perigosas do mundo.

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Integrantes da Al Qaeda durante um julgamento em 2013, em Sana

O terrorismo no Iêmen ganhou atenção internacional quando Chérif Kouachi, um dos autores do ataque ao semanário satírico Charlie Hebdo, em Paris, declarou ter ligação com a Al Qaeda na Península Arábica (Aqap). Tanto o governo americano quanto o francês confirmaram que Kouachi foi treinado no Iêmen.

Ainda não está claro se Kouachi estava em contato com a organização no momento dos ataques. Sabe-se, porém, que o nome de Stéphane Charbonnier, cartunista assassinado em Paris, aparecia em uma lista de acusados de crimes contra o Islã, publicada em março de 2013 pela revista jihadista online Inspire, supostamente editada pela Aqap.

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Ao que tudo indica, a revista, graficamente bem feita – e que publica inclusive instruções para a construção de bombas –, foi criada pelo pregador radical Anwar al-Awlaki, de raízes iemenitas, nascido no estado americano do Novo México. Ele tinha como tarefa recrutar jovens muçulmanos para a Al Qaeda. Para isso mantinha um blog e participava ativamente de redes sociais, além de postar vídeos na internet.

Em 2004, Awlaki se mudou com sua família para o Iêmen. Em março de 2010, declarou uma "guerra santa" contra os Estados Unidos. Em setembro de 2011, ele foi morto por um míssil disparado de um drone americano.

Fusão deu origem a Aqap

A organização terrorista Aqap surgiu em 2009, com a fusão de braços da Al Qaeda na Arábia Saudita e no Iêmen. O grupo é considerado extremamente agressivo. Ele está por trás, por exemplo, do atentado a bomba ao destroyer americano USS Cole em 2000, enquanto o navio reabastecia no porto de Áden, no Iêmen. Em 2008, a Aqap atacou a embaixada americana em Sana, onde 16 pessoas morreram.

O Iêmen é um dos países mais pobres do mundo árabe e sofre com a escassez de água. Cerca de 40% dos 23 milhões de habitantes sofrem de desnutrição. A corrupção também toma conta do país. A divisão entre norte e sul ainda não foi superada, apesar da reunificação em 1990.

O governo do Iêmen tenta com o auxílio dos Estados Unidos combater a Al Qaeda. Entre 2002 e 2014, a ONG Bureau of Investigative Journalism registrou 80 ataques realizados com drones, nos quais 541 pessoas morreram, entre elas 83 civis, sendo sete crianças.

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O impacto dos ataques com drones não foi o esperado. Muitos críticos duvidam da eficácia dessa tática, pois a morte de civis pode levar a Aqap a atrair mais seguidores.

Nova estratégia

A tática do grupo terrorista mudou há algum tempo. Em vez de realizar grandes atentados, a organização prioriza ataques de pequenas proporções. A revista Inspire encoraja atentados contra alvos ocidentais, principalmente nos Estados Unidos, mas também no Reino Unido e na França.

O atentado na França é também uma forma de propaganda para a Al Qaeda, que enfrenta uma competição cada vez maior com o grupo terrorista "Estado Islâmico" (EI).

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