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Alemanha

Humorista turco é o novo astro na tevê alemã

"Was guckst du?" — "Tá olhando o quê?" é o título do programa que faz rir a nação. Alemães aprendendo a dirigir, machões italianos, leões-de-chácara turcos — ninguém escapa das gozações de Kaya Yanar.

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Kaya Yanar, um 'frankfurtês' para alemão nenhum botar defeito

Ele tem apenas 30 anos, nasceu em Frankfurt e falava desde criança uma mistura de turco, alemão e árabe, pois a parte da Turquia de onde vêm seus pais ainda tem forte influência árabe. Em poucos anos, Kaya Yanar transformou-se num dos comediantes mais badalados da Alemanha, apreciado pela garotada, a juventude e o público em geral por seu humor irreverente.

Sem tabus e ofensas

A receita do seu sucesso? Não ter medo de brincar com tabus e fazer um humor que não ofende. Num país onde não é de bom tom falar de judeus ou de estrangeiros, precisava mesmo chegar um Kaya Yanar para acabar com as papas nas línguas e atrever-se a ser politicamente incorreto.

O fato de ser turco — aliás, um "turco integrado", como faz questão de dizer — torna a gozação autêntica e aceitável. Um humorista alemão jamais se atreveria a caçoar tanto dos estrangeiros residentes no país, justamente por medo de ser tachado de xenófobo e preconceituoso.

Abaixo o clichê, viva o clichê!

É justamente com os clichês da sociedade multicultural que Yanar brinca, o que se revela em seus personagens: uma cartomante árabe, um machão italiano, o dono de um restaurante grego, o indiano Radji que não anda sem sua vaca.

E não esqueçamos o célebre leão-de-chácara Hakan, chiando o seu alemão com sotaque turco lascado, que ele sabe imitar como ninguém. Yanar diz que conheceu uns caras que falavam igualzinho ao seu Hakan em Frankfurt – adivinhem em que bairro! E quando ele sai com o seu Du kommst nicht rein! (Não vem, que você não entra) o público se arrebenta de rir.

O sucesso foi tão grande que ele já recebeu vários prêmios da mídia e da tevê da Alemanha e Áustria. Os produtores aumentaram seu programa de 26 para 38 episódios este ano, outro indicador da sua popularidade.

Kaya Yanar

Yanar, no papel do indiano Radji, mas a vaca não coube na foto

E, como se não bastasse, Kaya Yanar "herdou" o local de gravação de Harald Schmidt, um dos humoristas inteligentes da tevê alemã, que resolveu fazer sua "pausa criativa". Tão politicamente incorreto como Yanar, Schmidt é o dono da produtora Bonito TV, responsável pelo programa do comediante turco. Schmidt não só apadrinhou Yanar como lhe deixou o legendário Estúdio 449 em Colônia, onde gravou durante anos seu programa de auditório.

Gozação agora inclui latinos

A nova seqüência promete uma mistura de apresentações de Yanar, cenas gravadas, esquetes e brincadeiras ao vivo com o público. Entre seus novos personagens estão Matumbo, o astro do beisebol africano. Ele é tão alto, que lá de cima dos seus dois metros, os espectadores só verão as cabeças dos demais mortais.

Os latino-americanos desta vez não escaparam: o ditador El Coyones fará barbaridades com seu ajudante Raymondo e também com os pedestres que a equipe de Yanar encontrar pelo caminho. Parodiando os programas que encenam julgamentos na tevê, há ainda um juíza que só fala turco, assistida pelo seu filho (Yanar), que faz traduções "macarrônicas" e justiça à sua moda.

Como repórter, o comediante comentará eventos alemães e tudo o que os estrangeiros acham curioso nos alemães. Inesquecível, aliás, o kit que apresentou num programa, para o estrangeiro que quiser virar alemão, com direito a peruca loira e lentes de contato azuis. Uma vez equipado, é só encher o peito como o Hulk, e plaff — aparece uma típica barrigona de cerveja...

Sinal de normalidade

Os turcos constituem o maior grupo de trabalhadores estrangeiros na Alemanha e já estão na terceira e quarta gerações, a partir dos primeiros que chegaram na década de 50 para trabalhar nas fábricas do milagre econômico. Mas é só agora que surgem os primeiros atores, músicos como Mousse T, um escritor como Feridun Zaimoglu, o inventor do jargão turco, e Kaya Yanar.

O domínio soberano do idioma e do humor não se alcança em apenas uma geração. Mas o fato de que carreiras como essas sejam possíveis, é sinal de uma integração bem-sucedida e de uma normalidade que aos poucos conquista seu espaço na sociedade multicultural alemã.

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