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Mundo

Human Rights Watch critica EUA e União Européia

Organização de direitos humanos acusa a União Européia e os Estados Unidos de aceitar eleições fraudulentas no exterior apenas por interesses políticos. Relatório anual também critica violência da polícia brasileira.

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Estudo avalia situação em mais de 75 países

A organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou a União Européia e os Estados Unidos de aceitar eleições injustas e fraudulentas no exterior orientados apenas por interesses políticos. "Washington e os governos europeus obviamente aceitam as eleições mais duvidáveis, desde que o 'ganhador' seja um parceiro econômico ou estratégico", argumentou Kenneth Roth, diretor executivo da HRW.

Ao permitir que autocratas se apresentem como democratas, as democracias estabilizadas estariam correndo o risco de corromper os direitos humanos em todo o mundo, criticou a organização em seu relatório anual, que avalia a situação em mais de 75 países.

Como contra-exemplos de eleições justas e livres sob a fachada democrática no ano passado, a HRW mencionou, entre outros, a Rússia, a Tailândia e a Nigéria. Afinal, fazem parte do bom funcionamento de uma democracia não só a ida às urnas, mas também a livre imprensa, o direito de reunião e uma sociedade civil ativa. Países como Quênia e Paquistão, que se supõem democráticos, deveriam garantir também estas instâncias de controle.

O relatório cita ao todo mais de 25 países que fraudaram eleições "das formas mais distintas", entre eles Israel, através de "impedimento e desmoralização" de candidatos de oposição nas regiões palestinas.

Luta contra terrorismo viola direitos humanos

Segundo a HRW, muitas democracias estabelecidas não intervêm "temendo perder o acesso a recursos ou privilégios esconômicos". Além disso, gostariam de poder continuar contando com o apoio destes países na luta contra o terrorismo.

O relatório de 2008 da HRW acusa violações aos direitos humanos em diversos países africanos, latino-americanos, asiáticos e do Oriente Médio, mas também na França, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, causadas pela "guerra contra o terrorismo".

No último ano, ataques de tropas americanas e locais no Iraque fizeram a situação se agravar ainda mais, com a escalada da violência contra a população civil tornando cada vez maior o número de refugiados.

O relatório relembra "tragédias esquecidas" na Somália e no leste da Etiópia, assim como a repressão sangrenta do movimento democrático na Birmânia. A HRW também culpa principalmente o governo do Sudão pela crise na região de Darfur e condena o bloqueio da Faixa de Gaza por Israel.

Polícia brasileira é alvo de crítica

Na América Latina, a HRW criticou, entre outros, Cuba, Venezuela e Brasil. Segundo a organização, Cuba é o único país da região que oprime "qualquer forma de dissidência política", sendo que praticamente nada mudou desde a transferência de poder de Fidel Castro para seu irmão Raul há um ano e meio. Os cubanos seriam "sistematicamente privados de seus direitos políticos elementares".

O relatório da organização salienta ainda que a violência policial nas grandes cidades brasileiras é um dos principais problemas do país.

Na China, a situação dos direitos humanos piora conforme se aproximam os Jogos Olímpicos, com o aumento do número de refugiados e cada vez mais políticos sendo submetidos a prisão domiciliar. A HRW exige que a comunidade internacional aumente a pressão sobre Beijing.

A organização ainda salientou como aspecto positivo os atuais processos contra os ex-presidentes do Peru, Alberto Fujimori, e da Libéria, Charles Taylor.

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