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Alemanha

Hora e vez das skingirls

O aumento de participação feminina ora observado pode estabilizar o movimento de extrema-direita.

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Até há pouco tempo, militância na extrema direita era coisa de homem

"Nacionalismo também tem a ver com vocês, garotas" — é com slogans deste tipo que a ala juvenil do Partido Nacional Democrático (NPD) tenta conquistar mulheres para suas fileiras. E com sucesso. A militância na extrema-direita, até há pouco tempo coisa de homem, conta cada vez mais com a participação feminina.

Fenômeno nacional

A tendência pode ser observada em todo o território da Alemanha, com maior ênfase no leste do país. Na Baviera, a cota de mulheres nesse cenário subiu de 16% para 20% em questão de um ano, segundo um levantamento do Serviço Estadual de Proteção da Constituição. Na Turíngia, saltou de 20% para 30%. Renate Bitzan, politóloga de Göttingen que trata há anos do tema, calcula que haja na Alemanha pelo menos 1500 mulheres radicais de direita.

Dentro do próprio NPD, a cota de mulheres mantém-se ainda abaixo de 20%, no que ele não se difere muito dos demais partidos políticos. O Partido Verde tem o maior número de mulheres em suas fileiras, com 37%; o Social Democrático, perto de 30%; o Liberal, pouco mais de 25%; a União Democrata Cristã, 25%; mas a União Social Cristã, apenas 17%.

Papel da mulher

À primeira vista, surpreende a presença de tantas "camaradas" nesse cenário, já que, como registra também o diário Die Welt, a imagem da mulher propagada pelas organizações de extrema-direita e, mais ainda, pelas neonazistas, parece mais apropriada a "assustar as potenciais interessadas do século 21".

De fato, algumas partidárias do movimento defendem os papéis tradicionalmente atribuídos à mulher. Mas essa não é mais a visão preponderante. Pelo contrário, aumenta o número das que têm como ideal a "mulher alemã moderna e nacional, revolucionária e auto-segura" que não se submete a um führer nem a uma hierarquia. Muitas vezes — e como convém a um cenário como este —, as reivindicações de emancipação e igualdade de direitos se reportam a mitos dos antigos germânicos.

Springerstiefel

A mesma diversificação que existe na compreensão do papel da mulher pode ser observada na aparência das "skingirls" e "mamães nacionais", como elas se autointitulam. A maioria procura igualar-se aos homens com botas, camisas e blusões em estilo militar, mas não faltam as moderninhas, que preferem blue jeans esfarrapadas e camisetas curtas exigindo o umbigo.

Modernas, aliás, são quase todas, independentemente da idade: a internet é sua plataforma predileta. São inúmeros os fóruns online para se estabelecer contatos, troca de idéias e de dicas, inclusive sobre a educação de filhos.

Semelhanças e diferenças dos gêneros

No que diz respeìto à ideologia, quase não há diferença entre homens e mulheres militantes na extrema-direita. Estudos apontam até que as mulheres, sobretudo as que têm mais idade, chegam a ser mais radicais em suas posições. Por exemplo, recusam com maior veemência o casamento de um filho ou filha com uma pessoa de religião judaica, origem árabe ou negra.

A violência, porém, continua sendo muito mais um fenômeno masculino do que feminino. Os estudos mais recentes a respeito apontam uma participação inferior a 6% de mulheres em atos de violência praticados por militantes da extrema-direita. Elas costumam estar muito envolvidas, por outro lado, em pancadarias, das quais são freqüentemente o pivô.

Consolidação do movimento

Com a crescente adesão de mulheres, o movimento da extrema-direita deve se consolidar. Muitos homens acabam abandonando os grupos em que militam, ao ligar-se a uma mulher "de fora". "A maior presença feminina vai contribuir para dar uma base mais sólida ao movimento dos skinheads", acredita Robert Bihler, do Serviço de Proteção da Constituição da Baviera.