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Economia

Hora de acabar com o direito dos mais fortes

As ministras alemãs da Agricultura e da Cooperação Econômica defendem, com palavras e ações, os direitos dos países menos desenvolvidos.

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Subsídios ao algodão prejudicam produtores africanos

Ainda antes do início da conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, nesta quarta-feira (09/09), a União Européia e os Estados Unidos declararam consenso quanto à necessidade de uma abertura dos mercados mundiais. "Viemos a Cancún para contribuir para o sucesso deste encontro", declarou o comissário de Agricultura, Franz Fischler. "Queremos resultados desafiantes e mercados abertos", ecoou o encarregado do Comércio norte-americano, Robert Zoellick. O comissário europeu do Comércio, Pascal Lamy, precisou mais a idéia: "O livre comércio não pode ser um objetivo em si, senão ter sempre por objetivo a melhoria das condições de vida da humanidade".

A importância do combate à pobreza é uma tônica das declarações de políticos no contexto do encontro em Cancún, seguida da conclusão de que o melhor meio para tal seria a liberalização do comércio mundial. A impressão é de que não existe dissenso quanto às metas e ao caminho para alcançá-las nesta difícil rodada na cidade mexicana.

Trocando em miúdos

Em entrevista à DW-RADIO, antes de partir para o México, a ministra alemã da Agricultura, Renate Künast, defendeu que os interesses dos países em desenvolvimento sejam mais levados em consideração. Importante, porém, é "não apenas introduzir a liberalização e depois deixar que se imponha o direito dos mais fortes ou dos maiores", completou.

A política verde pleiteia cortes nas subvenções às exportações — "nos Estados Unidos e na Europa" — segundo um plano diferenciado, tendo em vista alvos específicos. Prioridade deveriam ter "produtos de especial interesse sobretudo para os países mais pobres do mundo". "Se chegarmos a um acordo sobre este princípio, podemos nos próximos meses realizar um debate sobre quais seriam esses produtos", completou.

Ação isolada

Como exemplos, Künast citou o algodão e o açúcar. Sua colega de gabinete Heidemarie Wieczoreck-Zeul, ministra da Cooperação Econômica, foi mais longe e tomou, demonstrativamente, o partido dos produtores de países africanos. A ministra, que não faz parte da delegação oficial da Alemanha, promoveu à margem do evento da OMC um encontro com ministros do Chade, Benin, Mali e Burkina Faso, para informar-se a respeito das dificuldades que os subsídios concedidos ao algodão pela UE e os EUA resultam para esses países. Defendendo o corte destes subsídios a longo prazo, a política social-democrata propôs que se busquem soluções intermediárias para os países africanos, eventualmente por meio da criação de um fundo especial com ajuda do Banco Mundial.

Foi uma ação isolada de Wieczoreck-Zeul, que entusiasmou os representantes africanos. Mas a ministra deixou Cancún ainda antes da abertura oficial da conferência. Um mau sinal para os "mais fracos"?

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