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Alemanha

Homicídio por "questão de honra" levanta debate sobre integração

Julgamento que tem como réus três jovens turcos acusados de matar a própria irmã em Berlim provoca discussão sobre casamentos forçados entre comunidades de imigrantes e integração de estrangeiros no país.

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Hatin Sürücü, jovem turca morta em Berlim

O julgamento num tribunal em Berlim começou com uma confissão: o jovem turco de 19 anos assumiu ter matado a própria irmã, por "uma questão de honra". Hatin Sürücü, a vítima, foi assassinada aos 23 anos com um tiro, num ponto de ônibus em Berlim, em fevereiro último.

A Promotoria acusa não apenas seu irmão de 19 anos, que assumiu a autoria do crime, mas dois outros membros da família, de 24 e 26 anos. Estes afirmam não ter participado nem planejado o homicídio.

Casamento forçado

Integrationskurse für Ausländer

Curso de integração para estrangeiros

Hatin nasceu em Berlim, tendo sido ainda jovem, em 1998, enviada à Turquia e forçada a se casar com um primo. Em 1999, ela voltou para a Alemanha, com um filho pequeno, tendo se recusado a continuar vivendo na Turquia. Além disso, Hatin abdicou do uso do véu muçulmano, voltou para a escola e depois iniciou um ensino profissionalizante como eletricista. E passou, na opinião de sua família, "a viver como uma alemã".

A punição por isso foi, então, a morte. O jovem de 19 anos afirmou nesta quarta-feira (14/09), perante o Tribunal em Berlim, ter matado a irmã também "por medo de que seu filho, hoje com cinco anos de idade, se tornasse dependente de drogas". Ele se diz arrependido de ter cometido o crime.

Escolares defendem assassino

O caso chamou ainda mais a atenção quando três alunos da escola Thomas Morus, no bairro Neukölln, em Berlim, habitado por um grande contingente de imigrantes turcos, manifestaram em sala de aula apoio aos assassinos de Hatin.

O diretor da escola, Volker Steffens, divulgou o problema à época para a imprensa, chamando a atenção da classe política e da opinião pública para os problemas de integração de estrangeiros e para a situação das mulheres nas famílias muçulmanas no país.

Presidente elogia diretor de escola

Horst Köhler in der Knesset

Horst Köhler

O presidente alemão, Horst Köhler, divulgou alguns meses depois, em agosto último, uma carta elogiando a coragem do diretor da escola em levantar o problema publicamente.

O crime, em si, fez com que os alemães percebessem que a "defesa da honra", baseada em conceitos morais arcaicos, é corrente entre alguns adolescentes descendentes de imigrantes. Mesmo que alguns destes tenham crescido na Alemanha.

Minoria não deve ser vista como regra

Especialistas alertam para o fato de que casamentos forçados não são um "fenômeno islâmico" e que exemplos de radicalismo como esse não devem ser vistos como regra em toda a comunidade de muçulmanos no país. "Pode ser que eles sejam uma minoria, mas mesmo uma só pessoa aplaudindo um assassinato é algo absolutamente inaceitável", afirmou Ken Kolat à época, diretor da Associação Turca de Berlim e Brandemburgo.

A organização dirigida por ele deu início a uma discussão envolvendo professores, políticos e líderes religiosos muçulmanos, além de planejar uma campanha de conscientização pelos jornais e emissoras de TV turcas acessíveis em Berlim. "Temos que começar falando do papel da mulher, dos conceitos de honra, dignidade, do respeito mútuo e de valores democráticos", aponta Kolat.

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