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Cultura

Homens, cantem e encantem!

Será que os homens perderam a vontade de cantar? Ou será que são apenas menos musicais que as mulheres? Muitos coros estão minguando com a falta de vozes graves.

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Maioria feminina em coros tradicionais

Ah... cantar! Faz bem para a alma, anima o espírito, transmite alegria. Quem já não sentiu o prazer de encher os pulmões e entoar melodias? Pois é, mesmo assim, cantar parece que ficou restrito ao universo feminino, com exceção, é claro, dos que almejam uma carreira no mundo musical.

Na Alemanha, a presença masculina nos coros é cada vez mais rara. Uma “catástrofe”, definiu Ernst-Leopold Schmid, da Academia de Música do Estado da Renânia do Norte-Vestfália, considerando que no país cerca de 1,8 milhão de pessoas cantam em corais. Aliás, segundo a Associação Alemã de Cantores existem mais de 22 mil corais espalhados pelo território alemão.

Kinderchor singt Weihnachtslieder

Coro de meninas

“A sociedade do pós-guerra deixou o lado musical nas mãos das mulheres”, disse Schmid. A falta de vozes masculinas não se restringe à Alemanha. Para Simon Halsey, fundador do famoso coro City of Birmingham Symphonie Chorus e diretor do Rundfunkchor Berlin, um dos mais renomados coros profissionais do mundo, o problema está na escola.

Cantar começa na infância

Uma triste realidade na Alemanha é que nenhuma outra disciplina é tão negligenciada nas escolas públicas quanto a música. Estima-se que pelo menos 80% das aulas são suspensas no decorrer do ano letivo.

Weihnachtschor in London

Coral de Londres

Na Grã-Bretanha, por sua vez, chama a atenção o fato de a maioria dos novos talentos musicais do sexo masculino serem alunos de escolas particulares, onde a disciplina de música é levada a sério. “Quando as pessoas aprendem a cantar na infância, cantam sempre. Talvez não durante a formação profissional, mas mais tarde, lá pelos 35 anos, quando já têm família e emprego, então começam a cantar novamente”, declarou o regente Simon Halsey em entrevista à DW-WORLD.

Mudança dos tempos

Enquanto nos Países Bálticos o coro continua sendo uma forte atividade popular entre os homens, herança dos tempos em que a música era uma forma de cultivar o idioma e as tradições tolhidas pelo regime soviético, na Europa Ocidental o canto cedeu lugar ao esporte, especialmente o futebol, entre o chamado sexo forte.

Deutsche Fans mit nachgebautem Pokal

Torcedores alemães

“E isso não tem nada a ver com a capacidade de cantar”, afirmou o musicólogo Friedhelm Brusniak, da Universidade de Würzburg. Afinal, os homens gostam e sentem vontade de cantar. Basta acompanhar o entusiasmo da torcida em um estádio para concluir que tudo acaba em música.

No século 19, os típicos cantores alemães eram principalmente políticos. Não necessariamente os de alto escalão, mas os engajados em questões reformistas, incluindo os que na época do nazismo integravam o coral dos trabalhadores. Ou seja, fazer parte de um coro era símbolo de destaque social. Com o fim da guerra, esta conotação acabou. E os homens acabaram encontrando no esporte o novo caminho para se sentirem integrados em seu meio.

Estímulo ao canto

Quando uma geração não cultiva o canto, a seguinte também não cantará. “Na Inglaterra e nos EUA esse problema foi detectado nos anos 70. Aqui na Alemanha existe a lacuna de uma geração. Nós profissionais precisamos trabalhar com afinco em projetos educacionais”, declarou Halsey, que defende a presença mais ativa de músicos nas salas de aula.

Leipzig

Thomaner Knabenchor de Leipzig

Em conjunto com seu colega Sir Simon Rattle, ele montou em Birmingham um enorme coro de cantores leigos, dividido em várias seções. Em uma delas, não é exigido sequer um teste de admissão. Vale a vontade de querer cantar.

O grande estímulo é que todos podem se apresentar com os músicos do City of Birmingham Orchestra. O projeto foi expandido para a Alemanha. Em dezembro, cerca de 200 escolares irão apresentar A Danação de Fausto, de Hector Berlioz, com a Orquestra Filarmônica de Berlim. Em maio de 2004, qualquer um que curta música poderá cantar com o coral Rundfunkchor Berlin a obra Requiem, de Mozart.

E não é preciso ser um exímio cantor, para isto existe a presença do professor. “O meu trabalho é justamente cuidar para que todos cantem bem”, concluiu Halsey. Quem sabe dentro em breve surja uma nova geração de tenores, barítonos e baixos.

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