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Cultura

Hollywood mudou-se para Berlim

No espaço de poucas semanas, dois bem-sucedidos cineastas alemães apresentam suas mais recentes produções. Hollywood aprende história antiga e climatologia. Com direito a glamour de estrelas e invectivas contra Bush.

Como negar? A festa foi de Aquiles. Mesmo sem a juba revolta e armadura reluzente, seu sorriso foi suficiente para atrair todas as atenções e reduzir a pó os corações de quase mil fãs histéricos, sobretudo do sexo feminino.

E o semideus louro, vulgo Brad Pitt, não foi avaro com seus encantos: na estréia mundial de Troy (Tróia), em Berlim, na noite de domingo (09), ele levou 50 minutos cravados para atravessar, centímetro a centímetro, o tapete vermelho diante do Cinestar, na Praça de Potsdam.

O diretor da película, o alemão radicado nos EUA Wolfgang Petersen ( História sem fim, Air Force One), comentou perplexo: "Você não vê um entusiasmo assim nem em Hollywood!". E a julgar pelo longo aplauso, ao final dos 155 minutos de projeção, o épico baseado na Ilíada de Homero também agradou à massa.

Helena rechonchuda

Com muitas liberdades, é claro, afinal Hollywood tem sempre que agradar às bilheterias gregas e troianas. Segundo Pitt: "O filme tem a mistura certa de cenas de batalha gigantescas e momentos muito íntimos e pessoais". Traduzindo na linguagem das fãs: em algumas cenas de amor, Aquiles aparece quase nu. Uma grandiosa aula de história antiga.

Esta é a primeira vez que uma película norte-americana tem estréia mundial na Alemanha. E Petersen não exclui a possibilidade de repetir a dose. Quase tão VIP quanto os homenageados era a platéia: a cantora Nina Hagen, o diretor de cinema Volker Schlöndorff, o cinematógrafo de Hollywood Michael Ballhaus, o apresentador de TV Thomas Gottschalk e o figurinista Wolfgang Joop.

Comenta-se que o cachê de Brad Pitt foi de razoáveis 17,5 milhões de dólares. Em compensação, o astro americano de 40 anos pôde dividir a tela com uma novata alemã: a bela Diane Kruger representa Helena de Tróia. Para o papel ela teve que engordar sete quilos: "Na época as mulheres eram mais arredondadas, havia um outro ideal de beleza". Afinal, mais uma aula de história!

Mais uma catástrofe de Emmerich

Filmszene The Day After Tomorrow

Roland Emmerich destrói Nova York mais uma vez

Contudo, a marcha de vitória germânica sobre Hollywood não pára por aí: o mundo se prepara para a estréia de O dia depois de amanhã ( The day after tomorrow) em 28 de maio. Dessa vez o diretor é o entusiasta dos efeitos especiais Roland Emmerich (autor de Independence Day, um monumento do patriotismo norte-americano irrefletido), e agora a ameaça não é extraterrestre, mas sim da natureza, manipulada por mão humana.

Um violento surto de aquecimento global ameaça devastar toda a superfície do planeta. Enquanto os sobreviventes das primeiras catástrofes fogem em pânico para o sul, o inevitável herói, o climatologista Adrian Hall (Dennis Quaid) sobe para o norte, procurando seu filho, talvez ainda vivo em Nova York.

Trema, Bush!

Bem, parece que já vimos este filme. Mas o cineasta natural de Stuttgart surpreendeu o mundo da mídia na primeira semana de maio com uma declaração atipicamente política: ele preferia ver George W. Bush fora do poder.

O motivo – que coincidência feliz! – tem a ver com o novo lançamento de Emmerich: "O presidente Bush nega que esteja ocorrendo o aquecimento da Terra e isso é algo que não entendo. Espero que os norte-americanos sejam mais sensatos nas próximas eleições e votem no democrata John Kerry." Agora sim, os dias dos republicanos nos EUA estão mesmo contados!

E quem disse mesmo que Hollywood não é cultura e política?

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