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Economia

Hollywood com capital alemão

Boa parte dos filmes indicados para o Oscar deste ano foram financiados por alemães. As leis tributárias do país permitem que recursos destinados a fundos de investimento em cinema sejam abatidos do imposto de renda.

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"Gangues de Nova York", indicado ao Oscar, contou com gordos recursos alemães

Com ou sem tapetes vermelhos, a cerimônia de entrega do Oscar deste ano deverá manter o padrão de glamour kitsch que lhe é peculiar. Decadência bizarra ou não - como uma apresentadora de TV alemã definiu a festa - the show must go on, com ou sem guerra. O que poucos sabem é que boa parte da produção hollywoodiana sobrevive graças ao imenso volume de capital alemão que ali chega.

Das 157 indicações ao Oscar, 46 referem-se a produções co-financiadas pelos 385 milhões de dólares dos fundos de investimento alemães. Os exemplos são claros: Chicago (13 indicações) recebeu 40 milhões de euros vindos da Alemanha; Gangues de Nova York (10 indicações), 60 milhões, e Senhor dos Anéis - As Duas Torres, 161 milhões de euros.

Vantagens - Vários fundos alemães coletam cifras altíssimas de investidores no país, destinando o dinheiro diretamente a Hollywood. A razão para tão intenso interesse é simples: as leis tributárias alemãs e suas lacunas. "Nós não deveríamos fazer propaganda de nossos fundos usando o argumento dos impostos, mas a legislação do país permite que quem investe em cinema possa gozar de diversas regalias em relação ao imposto de renda", comenta Claus Classen, gerente de fundos da Victory Media Group, à rede de televisão WDR.

"Dinheiro estúpido" - Isso significa que quem investe, por exemplo, 100 mil euros em um determinado filme, pode receber, no ano seguinte, a metade dessa soma de volta do fisco. O dinheiro alemão é conhecido nos bastidores financeiros de Hollywood como stupid german money, pois a maioria dos investidores acaba saindo do negócio antes de obter qualquer retorno comercial com os direitos sobre os filmes.

Em função das vantagens tributárias, o setor de fundos de investimento na indústria cinematográfica vive um verdadeiro boom na Alemanha. Nos últimos cinco anos, fluíram dez bilhões de euros da Alemanha para o financiamento de filmes como Missão Impossível ou O Exterminador do Futuro. Hoje, 20% das produções de Hollywood são financiadas com dinheiro alemão. Bom para os estúdios norte-americanos, mas nem tanto para os cofres públicos alemães.

Lobby - No Ministério das Finanças, o problema já é há muito conhecido, mas o lobby dos gerentes de fundos de investimento do setor é forte. E enquanto Hollywood floresce com capital alemão, a indústria cinematográfica nacional vai de mal a pior. "É completamente absurdo que, a cada ano, bilhões de euros dos contribuintes fluam até Hollywood para financiar filmes que não revertem em lucros para nenhum alemão", reclama o produtor Uwe Boll, em entrevista ao canal de televisão WDR.

Emprego para os outros - Fazendo uso das atuais lacunas do atual modelo tributário, alemães abastados aproveitam para abater o máximo do imposto, fomentando assim uma indústria cinematográfica situada a quilômetros de distância. Os filmes que recebem os recursos, no caso de Hollywood, não são nem ao menos rodados na Alemanha, deixando de trazer emprego à população do país.

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