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Mundo

Hollande promete punição se soldados cometeram abuso sexual

Militares franceses teriam abusado de crianças na República Centro-Africana, oferecendo a elas comida, denuncia relatório da ONU. "Se houve um comportamento reprovável, serei implacável", afirma presidente da França.

O presidente François Hollande assegurou nesta quinta-feira (30/04) que será implacável se forem confirmadas as alegações de que militares franceses abusaram sexualmente de crianças na República Centro-Africana, denunciadas num relatório da ONU.

"Se alguns militares tiveram um comportamento reprovável, serei implacável", disse o presidente francês durante uma visita a Brest, no norte de França. "Se a Justiça e o comando militar confirmarem os fatos, haverá sanções proporcionais. Elas serão graves e devem ser exemplares", acrescentou.

Segundo o relatório divulgado pelo jornal britânico The Guardian, cerca de dez jovens entre 8 e 15 anos teriam sofrido abusos sexuais por militares franceses, em troca de comida, cometidos num campo para deslocados próximo ao aeroporto de Bangui, entre dezembro de 2013 e junho de 2014.

Segundo a agência de notícias AFP, que cita um funcionário da Justiça, o caso envolve 14 militares, e "muito poucos" foram identificados. O jornal Le Parisien precisa que o relatório inclui os relatos de seis rapazes. Quatro teriam sido vítimas de abuso e os outros seriam testemunhas.

"As crianças diziam que estavam com fome e pensavam que poderiam conseguir um pouco de comida com os soldados. A resposta era: 'Se você fizer isso, então eu lhe dou comida'", disse a ativista Paula Donovan, do grupo Aids-Free World, que viu o relatório e o repassou ao The Guardian.

O caso é alvo de um inquérito da Justiça francesa, aberto em julho de 2014, mas só se tornou público esta semana, depois de divulgado pelo The Guardian. Nesta quarta-feira, o Ministério da Defesa da França anunciou um inquérito paralelo para "estabelecer a verdade" sobre as acusações e assegurou que não tem "nenhuma intenção de esconder o que quer que seja".

Segundo o Guardian, o funcionário da ONU acusado de divulgar o caso, o sueco Anders Kompass, entregou o relatório às autoridades francesas porque os seus superiores nada fizeram. Kompass foi suspenso e pode ser demitido.

Fontes da ONU confirmaram que Kompass foi suspenso por divulgar o relatório, em julho, mas contrariam a sua versão, alegando que ele entregou o documento antes de este ser submetido a quadros superiores do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. "Se trata de uma grave ruptura do protocolo", disse um porta-voz do comissariado.

Os soldados acusados integravam a operação Sangaris, uma missão militar francesa enviada para a República Centro-Africana em dezembro de 2013 para impedir confrontos entre a maioria cristã e as milícias muçulmanas Seleka até a chegada da missão de paz da ONU (Minusca), em setembro de 2014.

O conflito entre as duas comunidades religiosas, que se iniciou após o golpe contra o presidente François Bozizé, em março de 2013, fez milhares de mortos e deixou centenas de milhares de refugiados.

AS/lusa/afp/ap/efe

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