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Mundo

Hollande e Le Pen são "vitoriosos de fato" da eleição presidencial francesa

O socialista François Hollande saiu, como esperado, vencedor do primeiro turno das eleições presidenciais na França. Manchetes ficam por conta do alto percentual atingido pelo populista Frente Nacional, de Marine Le Pen.

A vitória de François Hollande na eleição deste domingo (22/04) começou a ser anunciada já cedo longe do país. Portais estrangeiros de internet publicaram por volta do meio-dia os primeiros resultados das eleições nos departamentos franceses de ultramar, onde os moradores já haviam votado no sábado.

Os eleitores de Martinica ou Guadalupe, por exemplo, confirmaram horas antes os prognósticos apontados pelas pesquisas de intenção de voto na França, ou seja: François Hollande como favorito na corrida para ocupar o Palácio do Eliseu.

Hollande mal poderá ser detido

Präsidentschaftswahlen Frankreich 2012 Nicolas Sarkozy

Sarkozy tem duas semanas para convencer os eleitores

Com quase 29% dos votos, o socialista angariou no primeiro turno mais votos que seu adversário, o atual presidente Nicolas Sarkozy, que ficou com 27% e poderia receber, de acordo com uma enquete atual, o título de presidente menos querido pelo seu povo na história recente do país.

O especialista Henrik Uterwedde, do Instituto Franco-Alemão de Ludwigsburg, está certo de que, se Hollande não cometer nenhum erro grave neste ínterim, os eleitores irão elegê-lo presidente da França no próximo 6 de maio, data do segundo turno do pleito. "Teria que acontecer muita coisa para que Sarkozy estivesse em condições de recuperar esta desvantagem. Para mim, está muito claro que Hollande é o favorito", analisa Uterwedde.

Franceses votam contra Sarkozy

Durante a campanha eleitoral, Hollande ganhou pontos ao se posicionar como o oposto do atual presidente. Segundo o especialista alemão, os franceses queriam tirar Sarkozy do cargo de qualquer forma. "Ele é um presidente que irritou muita gente. E um presidente que não pôde cumprir muitas das suas promessas exageradas feitas há cinco anos", completa.

Frankreich Wahlen

Motivo de festa: eleitores do Partido Socialista depois do primeiro turno

De fato, a França se encontra, no fim do mandato de cinco anos de Sarkozy, frente a grandes desafios: a taxa de desemprego chegou aos 10% – a mais alta dos últimos 20 anos; o endividamento público é altíssimo e o déficit da balança comercial atingiu um nível recorde.

Em vista destes problemas, próximos cinco anos possivelmente serão turbulentos. Mas, apesar de toda a simpatia pelo socialista, que representa o oposto de Sarkozy, não se tem de forma alguma certeza se os franceses veem em Hollande de fato um melhor gerenciador de crises, acredita Uterwedder. Para o cientista político alemão, "estas eleições não são nenhuma confissão de predileção ardorosa por Hollande".

Os seguidores de Sarkozy, no entanto, ainda não perderam de todo as esperanças. Eles apostam na capacidade de luta de seu candidato e no debate pela TV entre os dois políticos, que acontecerá em breve. Há cinco anos, Sarkozy saiu deste páreo decididamente como vencedor. Na época, sua adversária era Ségolène Royal – ex-mulher de Hollande.

Os principais pontos de ataque a Hollande nos próximos dias vão girar sobretudo em torno de sua suposta falta de experiência de governo. Hollande encabeçou durante uma década o Partido Socialista, mas nunca ocupou um cargo público de alto escalão.

Marine Le Pen: surpreendentemente forte

Enquanto o favorito Hollande saiu com maior número de votos do primeiro turno, como esperado, o que mais surpreendeu no pleito foram os votos angariados pela Frente Nacional, de extrema direita. Marine Le Pen, filha do fundador do partido, Jean-Marie Le Pen, que concorreu às eleições presidenciais pela primeira vez, conseguiu 18% dos votos dos franceses, registrando os melhores resultados da história de seu partido.

"Isso não é apenas uma nota de pé de página, mas mostra o quanto a ideologia de extrema direita é disseminada no país", constata Uterwedde. Ao mesmo tempo, porém, a estratégia seguida por Sarkozy nas últimas semanas, de dar uma guinada para a direita em sua campanha eleitoral, não arrecadou os eleitores de Le Pen.

"Sarkozy só tornou apresentáveis publicamente os temas da Frente Nacional, mas todos os partidos terão que se esforçar para ver o que fazer com os eleitores. Entre estes estão não apenas os extremistas, mas também muita gente que sofre com a crise", comenta o cientista político alemão.

Präsidentschaftswahlen Frankreich 2012 Marine Le Pen

Marine Le Pen, da Frente Nacional: resultados surpreendentes

Paralelamente ao sucesso dos populistas nas urnas na ala à direita, seus adversários de esquerda também puderam festejar os resultados do pleito – mesmo que menos do que o esperado. Bons 12% dos eleitores votaram em Jean-Luc Mélenchon, da Frente de Esquerda, que em 2005 foi um dos mentores da bem-sucedida campanha ao "não" francês à Constituição da UE. Também nesta campanha ele defendeu um curso antieuropeu e prometeu benefícios sociais aos eleitores.

No geral, um terço dos eleitores franceses votou em um partido populista e de extrema direita. Uterwedde alerta que isso terá consequências para a política externa francesa, pois o futuro presidente terá que levar em consideração esses eleitores. "Na Alemanha, vai ser necessário ter casca grossa. Será preciso viver com um presidente incômodo, mas Sarkozy também era um parceiro incômodo", resume o especialista.

Na Alemanha, os resultados destas eleições francesas desencadearão sobretudo novas discussões sobre a compreensão francesa de Estado e economia: impulsos de crescimento em vez de uma política de austeridade – incluindo aí um debate sobre a independência do Banco Central Europeu. "A França nunca foi um parceiro cômodo e depois desta eleição será menos ainda", conclui Henrik Uterwedde.

Autor: Andreas Noll (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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