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Mundo

Holanda terá eleição apesar do atentado político

Os holandeses vão eleger o novo Parlamento, no próximo dia 15, ainda sob o choque do assassinato do populista de direita Pim Fortuyn.

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Populares depositam flores na frente da casa da família da vítima.

O chefe de governo justificou que "não seria sensato mudar a data original". O próprio partido da vítima e o comissário da União Européia, Frits Bolkestein, foram a favor do cumprimento do calendário eleitoral. Vários partidos haviam cogitado um adiamento do pleito após a morte, na segunda-feira à noite, do político que se destacou por contradições suas e tiradas contra estrangeiros. Entre estas destaca-se o fato de ser homossexual assumido e querer eliminar da Constituição o artigo que proíbe a discriminação.

O próprio Kok não esclareceu se era ou não favorável ao adiamento da eleição, mas disse que "a democracia venceu". O premier pediu um minuto de silêncio na câmara alta do Legislativo holandês em memória de Fortuyn e disse que "uma sombra escura pairou sobre a Holanda". O atentado a tiros causou grande espanto na Europa porque a Holanda é uma nação pacata e conhecida pela tolerância e convivência pacífica com a sua grande população de estrangeiros.

Como disse o ministro de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw, "o ato não combina nada com a imagem dos holandeses". Pim Fortuyn se destacou pela sua xenofobia manifesta, mas o vice-presidente do seu partido é João Varela, um imigrante negro oriundo de Cabo Verde. Este empresário de 27 anos de idade não deverá assumir a liderança do partido, porque seria inexperiente demais para assumir o posto, segundo os dirigentes da legenda.

Apelo à prudência - No dia posterior ao crime, o primeiro-ministro holandês renovou o seu apelo para que o povo mantenha calma e prudência. O primeiro atentado contra um político na história recente holandesa representou um choque em todo o país. Fortuyn foi abatido a tiros na frente de uma emissora de rádio em Hilversum, logo depois de uma entrevista em que dissera ter recebido ameaças de morte e por isso não queria retornar para casa. Foi preso como suposto assassino um holandês branco, de 32 anos de idade, segundo um promotor público que participa das investigações. O Ministério da Justiça anunciou que o rapaz é ativista do movimento ecológico. Em sua residência foi encontrada literatura do gênero e munição de calibre igual ao da arma que matou o político.

A notícia sobre a nacionalidade holandesa do autor do atentado gerou grande alívio em todo o país e na Europa. Temia-se reações violentas da extrema-direita xenófoba contra estrangeiros se tivesse sido um imigrante, sobretudo árabe ou um muçulmano de qualquer origem.

Força política - A campanha eleitoral na Holanda foi suspensa na mesma noite do atentado. A "Lista Pim Fortuyn" poderia contar com quase 20% dos votos na eleição para o Parlamento no dia 15, segundo o resultado de pesquisas sobre intenção de voto feitas antes da morte do seu líder. Com tal desempenho eleitoral, o partido de extrema-direita se converteria na terceira força política da Holanda, com até 28 dos 150 dos assentos no Parlamento. Neste caso se confirmaria a tendência de virada para a direita que vem se verificando na Europa, depois das eleições parlamentares na Áustria, Dinamarca, Itália e por último os quase 20% de votos conquistados pelo ultradireitista Jean-Marie Le Pen na eleição presidencial da França.

O partido de Fortuyn teve 35% dos votos na eleição municipal de março em Roterdã, saindo das urnas como a maior força política local. Ele fez sua campanha eleitoral com tiradas xenófobas e slogans contra estrangeiros, como "a Holanda já está cheia". Depois de sua morte, na noite passada, centenas de partidários mediram forças com a polícia no centro de Haia.

Simpatizantes da vítima do atentado jogaram pedras e garrafas em vitrines e janelas, quebraram mesas, cadeiras e guardas-sol de cafés e restaurantes. Alguns traziam o símbolo nazista, a suástica, pregado na roupa. A polícia reagiu com jatos d’água e cassetetes. Em Roterdã, milhares de pessoas depositaram flores na mansão da família do político assassinado.

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