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Cultura

Histórias centradas na terceira idade conquistam o cinema

De "Amor" a "O Quarteto", cada vez mais filmes retratam a vida e a realidade dos idosos. A indústria cinematográfica começa, de olho no mercado, a prestar mais atenção nas experiências das pessoas da terceira idade.

Um casal britânico de mais de 70 anos é separado pelo câncer. Após a morte da mulher, Arthur encontra um novo sentido para a vida cantando em um coro, hobby de seu antigo amor. Em cartaz nos cinemas alemães, a tragicomédia Song for Marion tem Vanessa Redgrave e Terence Stamp nos papéis principais e é mais um filme que mostra a vida na terceira idade. Cada vez mais diretores estão focando suas câmeras em protagonistas idosos. O tema não é novo ou revolucionário, mas nos últimos meses, diferentes filmes, de variadas nacionalidades, chegaram aos cinemas observando as diferentes facetas de envelhecer.

Best Exotic Marigold Hotel

"O Exótico Hotel Marigold" foi um enorme sucesso de bilheteria em todo o mundo

A tendência não se limita a um gênero. Está presente em filmes mais melancólicos e autorais, como Gloria, vencedor do prêmio de melhor atriz na Berlinale 2013 e que trata da transição entre a idade adulta e a velhice; e em histórias cheias de humor, como o bem sucedido O Exótico Hotel Marigold. A diversidade dá origem a abordagens cinematográficas completamente diferentes do processo de envelhecer e de questões relacionadas à morte.

Em comédias como E se Vivêssemos Todos Juntos?, de Stéphane Robelin, e O Quarteto, de Dustin Hoffman, os grisalhos protagonistas querem "sugar o tutano da vida", como escreveu o autor americano Henry David Thoreau. Outros trabalhos, como o vencedor do Oscar Amor, de Michael Haneke, ou o documentário Vergiss mein nicht (Não se esqueça de mim, em tradução livre), de David Sieveking, tratam de temas mais difíceis como a demência e a eutanásia.

Fidelidade e vivência

Fatores econômicos têm, sem dúvida, um papel nessa tendência. Na era digital, o considerado "cinema de arte" voltou a ser lembrado, já que tem um público alvo confiável: os idosos.

"A indústria cinematográfica descobriu que, para minha geração, cinema não é só assistir um BluRay ou um filme on-line na internet , mas ir ao cinema com um ritual culturalmente sólido", disse Dieter Hertel, diretor do cinema Rex-Lichtspieltheaters em Bonn, na Alemanha.

Film Vergiss mein nicht von David Sieveking

O documentário "Vergiss mein nicht" trata da demência

Tradicionalmente, cerca de 50% do público que frequenta o cinema em Bonn tem acima de 50 anos. Possivelmente, produtores têm deliberadamente escolhido temas nos quais os idosos possam se identificar, juntando um público fiel a filmes de orçamentos mais modestos.

Uma outra explicação seria a idade dos respectivos diretores. Talvez, só agora com 70 anos, o austríaco Michael Haneke tenha a compreensão e a bagagem necessária para fazer um filme como o premiado Amor. Mesmo famosos atores de Hollywood como Dustin Hoffman e Clint Eastwood, ambos com mais de 60 anos, têm feito filmes com orçamentos mais modestos e protagonistas sexagenários.

No entanto, essa explicação é limitada, já que Song for Marion, por exemplo, foi dirigido por Paul Andrew Williams, um inglês de 40 anos. A história da divorciada de 58 anos lutando contra a solidão no chileno Gloria foi contada pelo diretor Sebastián Lélio, de 39 anos.

Mudança demográfica

Film Quartett von Regisseur Dustin Hoffman

Dustin Hoffman dirigiu o bem humorado "O Quarteto"

Não se pode negar o sucesso dos filmes onde o tema é envelhecer. Não importa a maneira, o que importa é que essas histórias estão sendo contadas – e com sucesso de crítica e de público. O Quarteto faturou 45 milhões de dólares nas bilheterias de todo o mundo, já O Exótico Hotel Marigold arrecadou 134 milhões. Claramente, esses filmes têm um grande fator de identificação para uma sociedade que envelhece. O cinema refletiria então uma mudança demográfica? Teria uma geração, que tem medo de envelhecer, achado no cinema uma maneira bem humorada e séria de encarar a decadência e a morte?

"O cinema é, como todas as outras formas de arte, um gerador de discursos. Ou seja, um campo em que se pode confrontar com medos e situações da vida e simular soluções", diz Britta Hartmann, especialista em cinema e que considera que o fenômeno não é passageiro. "Numa sociedade onde a idade média está cada vez mais avançada, as implicações do envelhecimento, problemas físicos e mentais, doenças e a morte serão abordados com maior interesse e profundidade nos próximos anos."

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