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Cultura

História dos idiomas mapeia Babel de hoje

"História Mundial dos Idiomas" amplia os nossos limites geoculturais, abordando a evolução da comunicação verbal humana e a disseminação das 6.417 línguas faladas em todo o mundo.

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Escolares alemães aprendendo inglês

Na verdade, o mundo não é tão pequeno assim quanto a nossa acepção de "mundo". Essa é a impressão imediata de quem lê a História Mundial dos Idiomas, de Harald Haarmann. Em quase 400 páginas, o lingüista alemão redimensiona o mapa-múndi do leitor no tempo e no espaço.

O mérito dessa abordagem da pluralidade lingüística não é apenas servir como obra de referência sobre as línguas faladas hoje em todo o mundo. O enfoque historiográfico faz pensar no curioso fato de que a capacidade de se comunicar oralmente através de uma estrutura complexa de signos, como a que conhecemos hoje das línguas modernas, é relativamente recente entre os hominídeos.

Infância das línguas

Os estágios hipotéticos de evolução lingüística da humanidade apontam para fases de organização verbal análogas à aquisição natural do idioma materno por uma criança. A comunicação através de sinais e interjeições, a nomeação do ambiente à volta, a fala elementar sobre coisas e eventos e, por fim, o desenvolvimento de estruturas lingüísticas complexas representam as quatro fases da evolução das línguas até o homem moderno.

Mas essa obra historiográfica não amplia somente o horizonte temporal em que costumamos conceber o "mundo". Os limites geoculturais em que nos movemos também começam a nos parecer bastante restritos durante a leitura. E talvez seja justamente o contato com culturas de regiões distantes que nos torne novamente presente o quanto a nossa língua é limitada por nosso espaço de vida e atuação.

Se as expressões alemãs para alguns tipos de neve já sobrecarregam qualquer tradutor do português, qual não seria a dificuldade de traduzir para qualquer outra língua as 21 denominações de neve existentes em inari-saami, uma língua falada na Finlândia? Um exemplo do grau de diferenciação é o termo "ceeyvi", que significa "neve que surge sob ventos fortes e se endurece tanto a ponto de uma rena não conseguir mais procurar comida por baixo".

Babel das correntes migratórias

Essa História Mundial do Idiomas não é, no entanto, tão anedótica como poderia ser, mas serve como base de consulta prática. Quem quiser recapitular como o latim vulgar se ramificou nos diversos idiomas românicos encontra aqui um panorama sucinto. E quem quiser, para ir mais longe, entender as ramificações do indo-europeu pode se aprofundar nas correntes migratórias ocorridas na Eurásia há 9 mil anos.

Haarmann também descreve, quando oportuno, o desenvolvimento das investigações e descobertas arqueológicas, paleográficas e lingüísticas que estão por trás do atual estágio de conhecimento sobre a evolução das línguas. O caso da reconstrução do indo-europeu, uma língua hipotética deduzida da semelhança lexical entre determinados idiomas, é especialmente elucidativo dos procedimentos científicos da lingüística diacrônica.

Diversidade lingüística em números

O aparato de dados numéricos e estatísticos tornam esse livro ainda mais útil. Teoricamente, temos uma vaga noção da distribuição dos idiomas em todo o mundo, mas os números também podem corrigir algumas imagens equivocadas.

O fato de as línguas faladas na Europa terem alcance mundial e delimitarem o nosso universo cultural geralmente nos faz esquecer do quanto essa aparente hegemonia é relativa. Pelo menos numericamente, a Europa – com todas sua diversidade lingüística – é o continente com o menor número de idiomas nativos (apenas 143, em comparação com 1.906 na Ásia, 1.821 na África, 1.268 no Pacífico, e 1.013 nas Américas).

O número de línguas registradas no Brasil (236) supera de longe, portanto, a quantidade de idiomas falados na Europa. E talvez também não seja de conhecimento geral, por exemplo, que o português é a oitava língua mais falada do mundo, depois do chinês, inglês, híndi, espanhol, russo, árabe e bengali. Apenas algumas entre inúmeras informações a serem conferidas nesse livro.

Buchcover Harald Haarmann Weltgeschichte der Sprachen

Weltgeschichte der Sprachen: Von der Frühzeit des Menschen bis zur Gegenwart. (História Mundial dos Idiomas – Da Pré-História até Hoje). Munique, Verlag C.H. Beck 2006: 398pp.

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