1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Alemanha

História comum e deslizes variados

Comparando declarações de um líder sindicalista à perseguição dos judeus pelos nazistas, o governador do Estado do Hesse, Roland Koch, provocou uma onda de indignação na Alemanha.

default

Governador Roland Koch provocou indignação com suas declarações

Poucos temas são tão melindrosos na Alemanha como os que se relacionam com o passado nazista do país. Por óbvias razões históricas e humanas, os alemães têm de abordar o assunto com extremo cuidado. A própria legislação proíbe qualquer tipo de símbolo relacionado com a fétida ideologia de Hitler e seus cúmplices: da cruz suástica à saudação hitlerista, além da propagação da chamada "mentira de Auschwitz" – isto é, a negação ou a minimização dos hediondos crimes praticados pela ditadura nazista.

Ultimamente, no entanto, destacados políticos alemães – de todos os grandes partidos – dão testemunho de completa insensibilidade ou de propositado desconhecimento da história e da legislação de seu país. Nem mesmo a repulsa da maioria dos alemães e algumas conseqüências graves para a carreira de políticos do primeiro escalão parecem servir de advertência e de lição.

"Estrela no peito"

O caso mais recente foi registrado esta semana, numa sessão plenária da Assembléia Legislativa do Estado do Hesse. Embalado pela retórica de campanha eleitoral (as eleições estaduais serão dentro de dois meses), o governador democrata-cristão Roland Koch abordou a atual polêmica interna alemã sobre a possível introdução de um imposto sobre o patrimônio pessoal.

Judenstern

No seu discurso, Koch atacou o líder sindicalista Frank Bsirske por citar nomes de alemães ricos, que deveriam pagar tal imposto. E fez uma alusão à perseguição nazista dos judeus, obrigados a trajar a estrela de Davi para clara identificação. Segundo Koch, ao citar os nomes dos ricos, Bsirske estaria criando uma "nova forma de estrela no peito" e "um paralelo terrível com outras épocas".

As reações não se fizeram esperar: dentro do plenário, enorme tumulto; no restante da Alemanha, uma onda de indignação. O pedido público de desculpas, apresentado por Roland Koch logo após a pausa na sessão plenária, não foi suficiente para acalmar os ânimos.

Insulto às vítimas

Uma das primeiras reações partiu do presidente do Comitê Central dos Judeus na Alemanha, Paul Spiegel, que classificou a comparação feita por Koch como "um insuportável insulto" a todas as vítimas do regime nazista. Spiegel afirmou ainda ter registrado o posterior pedido de desculpas de Koch. "Mas permanece um certo amargor. Se eu assassiná-lo amanhã e depois de amanhã pedir desculpas à sua esposa, o que ela me diria?", perguntou o líder judaico numa entrevista ao jornal Handelsblatt.

Spiegel não reivindicou conseqüências diretas para o deslize verbal de Roland Koch, afirmando que cabe ao seu partido adotar uma medida adequada. Para a União Democrática Cristã (CDU), no entanto, o incidente parece ser de pouca importância. O secretário-geral Laurenz Meyer apressou-se em defender o governador do Hesse, afirmando que a questão foi encerrada com o pedido de desculpas de Koch. Também o governo de Berlim condenou a citação do governador.

Leia sobre casos precedentes na página seguinte

Leia mais