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Cultura

Hino da Europa e da campanha de Lula: a "Ode à Alegria"

O horário eleitoral não utilizou somente forró ou o Hino Nacional em seus programas de rádio e TV. Ele também apresentou uma das composições mais conhecidas da música erudita: a "Nona Sinfonia" de Beethoven.

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Beethoven já estava surdo quando compôs a 'Nona Sinfonia'

Quem assistiu aos programas do horário eleitoral no rádio e na TV durante a última eleição presidencial brasileira, percebeu um fundo musical diferente do forró, do pagode ou do Hino Nacional.

Brasilien Wahlen Präsident Luiz Inacio Lula da Silva macht das L-Zeichen

Lula festejou sua vitória com Beethoven

Enquanto observava imagens de paisagens brasileiras e de pessoas de diferentes raças e regiões confraternizando na tela, o espectador também pôde escutar o quarto movimento da Nona Sinfonia de Beethoven, onde os versos da Ode à Alegria do poeta alemão Friedrich Schiller aparecem musicados.

Isto aconteceu na campanha para o rádio e TV do reeleito presidente Luís Inácio Lula da Silva, que usou somente a versão instrumental da Ode à Alegria.

Fonte de alegria e energia para um mundo revolucionário

Friederich Schiller

Friedrich Schiller escreveu a 'Ode à Alegria' aos 26 anos

A Ode à Alegria, escrita em 1786 por Schiller, fala sobre os ideais de liberdade e fraternidade na Europa do final do século 18.

Alegria, bela centelha divina,

Filha do Eliseu,

Adentramos embriagados de fogo,

Ó celestial, teu santuário.

Que teus encantos unam novamente,

O que o costume duramente separou;

Todos os homens serão irmãos,

Onde tua suave asa paira.

Em sua Nona Sinfonia, apresentada pela primeira vez em 1824 em Viena, Beethoven revolucionou o conceito de sinfonia através da introdução da voz humana. Beethoven, entretanto, não musicou a versão completa da obra de Schiller, tendo feito sua própria seleção dos versos.

"Sua tradição como hino político começou provavelmente depois que Richard Wagner a dirigiu no ano revolucionário de 1848. A Nona tornou-se assim fonte de alegria e energia para um mundo revolucionário", explica Konrad Paul Liessmann, professor de Filosofia da Universidade de Viena, no ensaio Música e Ideologia: a Nona Sinfonia de Beethoven.

Para Liessmann, não existe outra peça de música clássica que pudesse se tornar símbolo de uma "idéia" como a Nona Sinfonia. Juntamente com Fausto de Goethe e a Fenomenologia do Espírito de Hegel, Liessmann considera esta sinfonia de Beethoven como um dos documentos do início da cultura burguesa, através do qual o sujeito moderno tentou se reconciliar com uma ruptura que ele mesmo produziu.

Da União Européia à campanha de Lula

Symbolfoto - EU-Beitrittsverhandlungen mit der Türkei

Beethoven pregou uma peça na União Européia, segundo Liessmann

Em 1972, o Conselho da Europa, em Estrasburgo, declarou a Ode à Alegria como Hino da Europa, decisão ratificada pela União Européia em 1986. Desde então, explica Liessmann, ao escutarmos a obra de Beethoven, ouvimos não somente uma sinfonia, mas um hino político – uma idéia insuportável na sua opinião, mesmo que esteja ligada às melhores intenções: levar a harmonia musical da alegria e da amizade, da igualdade e da fraternidade a se tornar símbolo de uma idéia política.

De qualquer maneira, explica Liessmann, Beethoven pregou uma pequena peça na União Européia: o Allegro vivace no meio do quarto movimento, a "marcha", foi denominada por Beethoven como "música turca".

A Nona de Beethoven também foi usada na celebração da reunificação alemã, em outubro de 1990. No dia 2 de outubro de 1990, véspera do Dia da Unidade Alemã, foi dirigida pelo maestro Kurt Masur em Berlim Oriental e, na ocasião, Leonard Bernstein a apresentou tanto para ocidentais como para orientais, modificando a palavra "alegria" na ode de Schiller por "liberdade".

Durante a Segunda Guerra, uma outra composição de Beethoven, a Quinta Sinfonia, foi utilizada pela BBC em seus programas de rádio, proibidos de serem escutados na Alemanha nazista. Os três sinais curtos e um longo do início da Quinta Sinfonia representam, no código Morse, a letra "V", com a qual os ingleses anunciavam sua vitória. Na última eleição, foi a vez de Lula anunciar a sua ao escolher a Ode à Alegria para o seu programa do horário eleitoral.

Nona de Beethoven como medida de todas as músicas

Compact Disc

Um CD deveria conter a 'Nona de Beethoven'

As particularidades em torno da Nona de Beethoven não param por aí. Por ocasião do desenvolvimento do Compact Disc (CD) pelas firmas Philips e Sony durante a década de 1970, uma pergunta foi lançada: qual deveria ser a duração de um CD?

As firmas aceitaram a sugestão do então presidente da Sony, Norio Ohga, um apaixonado por ópera, de que um CD deveria ser capaz de conter a Nona Sinfonia de Beethoven em sua completa duração.

A versão preferida por Ohga era a dirigida por Herbert von Karajan, com duração de 66 minutos. Os técnicos optaram pela versão mais longa até então conhecida, a dirigida pelo maestro berlinense Wilhelm Furtwängler em 1951. Nascia o CD com 74 minutos de duração, o que correspondia a um diâmetro de 12 centímetros.

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