Hillary Clinton inicia visita de seis dias à América Latina | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 01.03.2010
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América Latina

Hillary Clinton inicia visita de seis dias à América Latina

Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, inicia visita de seis dias a países latino-americanos. Giro de Clinton pela AL inclui Uruguai, Argentina, Brasil, Costa Rica, Guatemala e, apesar do terremoto, o Chile.

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Ex-presidente uruguaio Tabaré Vázquez recebe Hillary Clinton

Com sua presença na posse do novo presidente uruguaio, Jose Mujica, a chefe da diplomacia norte-americana, Hillary Clinton, iniciou nesta segunda-feira (01/03) visita a seis países da América Latina.

Após a posse do antigo militante de esquerda, Clinton programou ainda para esta segunda-feira uma visita de última hora a Buenos Aires, onde se encontra à noite com a presidente argentina Cristina Kirchner. O encontro entre as duas políticas estava originalmente planejado para ocorrer no contexto da posse do novo presidente uruguaio.

Clinton segue então para o Chile, onde, apesar do estado de emergência devido ao terremoto do último sábado, se encontrará com a atual presidente chilena, Michelle Bachelet, e o presidente eleito, Miguel Juan Sebastián Piñera Echeñique.

Aproveitando o giro

Haiti / Clinton / Preval / Erdbeben

Clinton e presidente haitiano, René Preval

O tremor no Chile, que até agora já provocou a morte de mais de 700 pessoas, aconteceu seis semanas após o tremor que devastou a capital do Haiti, Porto Príncipe, forçando Clinton a cancelar uma visita planejada à Ásia, enquanto se encontrava no Havaí.

Espera-se que em sua viagem à América Latina, além de oferecer ajuda ao Chile, a secretária de Estado estadunidense trate da reconstrução do Haiti, tentando convencer países da região a observar isso como prioridade nacional.

Além de coordenar e facilitar os esforços de ajuda para as regiões atingidas pelos terremotos, Clinton aproveitará a viagem para tratar de outros assuntos, incluindo o estado da democracia em nações latino-americanas, relações comerciais, contribuições de tropas para as Nações Unidas e missões norte-americanas ao redor do globo, assim como o apoio a um possível aumento das sanções contra o Irã.

Realidades políticas

A primeira estação de Clinton na posse de Mujica no Uruguai é vista pela maioria dos especialistas como uma reiteração do apoio norte-americano à democracia na região e a aceitação de nações independentes que almejam perseguir objetivos próprios, conquanto não apresentem animosidades contra os EUA.

"Imediatamente após a Guerra Fria, programas de promoção da democracia na América Latina eram bem-vindos", disse à Deutsche Welle Julia Steig, especialista em América Latina no Conselho de Relações Exteriores em Washington. "Mas agora que a democracia se estabeleceu na maior parte da região, os EUA não são mais vistos como o responsável pelo seu fomento".

A especialista explicou ainda que muitos latino-americanos consideram o apoio estadunidense à democracia tudo, menos confiável, após a ajuda informal que deram ao golpe de Estado na Venezuela, em 2002, como também pela ausência de uma condenação verbal mais veemente ao golpe de estado de 2009, em Honduras.

Bem recebida

Ao participar da Cúpula das Américas há cerca de um ano, o presidente norte-americano, Barack Obama, levantou expectativas quanto a um novo relacionamento com a América Latina. No entanto, as palavras positivas de Obama não foram seguidas por ação concreta.

Apesar do ceticismo consequente, especialistas acreditam que, como a maioria dos países latino-americanos ainda tem interesse em manter boas relações com os EUA, Clinton será bem recebida nos países de sua rota.

Espera-se que a visita de Clinton às seis nações lance o fundamento para a resolução de problemas ocasionados pela canhestra reação norte-americana ao terremoto do Haiti, pelo tratamento dos fatos relacionados ao golpe em Honduras há um ano e pela lentidão dos contatos diplomáticos com o regime comunista de Cuba.

Mahmud Ahmadinedschad Brasilien

Visita de Clinton não deverá mudar posição do Brasil quanto ao Irã

"Em sua maioria, os Estados latino-americanos estão decepcionados com o papel secundário da região na agenda de Obama e Clinton", comentou Daniel Flemes, especialista em assuntos latino-americanos do Instituto Alemão para Estudos Globais e Regionais (Giga).

Flemes disse ainda que "as exceções são Colômbia, Peru e o recém eleito presidente do Chile, Sebastián Piñera, que já assinalou querer procurar relações mais próximas com Washington".

Sanções ao Irã

O Irã deverá estar na agenda do encontro da secretária de Estado norte-americana com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Exterior, Celso Amorim.

O Brasil, que é um dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, mantém relações amigáveis com o Irã, tendo recebido visita do presidente Mahmud Ahmadinejad no ano passado. Em maio, Lula deverá visitar Teerã , o que "irá legitimar o isolado regime iraniano", apontou Flemes.

"O Brasil acredita que os países em desenvolvimento têm o direito de enriquecer urânio e essa crença e a relação com o Irã correspondem aos interesses econômicos das companhias energéticas brasileiras."

Segundo o especialista do Giga, é importante para Lula perseguir o papel de intermediador e pacificador no Oriente Médio. "Dessa forma, o governo brasileiro não apoia sanções mais duras contra o Irã, e não é provável que a visita de Clinton consiga mudar esse ponto de vista."

Costa Rica e Guatemala

Na quinta-feira, Clinton partirá do Brasil em direção a Costa Rica, onde será a principal palestrante da reunião ministerial Caminhos para a Prosperidade nas Américas. Ela também se encontrará com o presidente costa-riquenho, Oscar Arias, e a presidente eleita, Laura Chinchila.

A estação final de Clinton será a Guatemala, na sexta-feira, onde se reunirá tanto com o presidente Álvaro Colom como com governantes da América Central e da República Dominicana.

Autor: Nick Amies
Revisão: Augusto Valente

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