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Cultura

Hector Berlioz e a música alemã

Apesar do sucesso isolado de sua Sinfonia Fantástica, Hector Berlioz (1803–1869) teve que esperar que a posteridade fizesse justiça a seus méritos de compositor.

Durante quase um século, o autor de um dos mais importantes tratados de orquestração existentes reteve um mero valor de curiosidade musicológica. Apesar da admiração ardente pelas sinfonias de Ludwig van Beethoven, Berlioz cultivou de forma incipiente aspectos tipicamente beethovenianos, como riqueza estrutural ou desenvolvimento temático, em favor da representação sonora de histórias, paisagens e estados de espírito. Neste sentido, ele foi um dos pais da música de programa.

Além de ser um virtuose perfeito da orquestração tradicional, o músico natural de La Côte Saint-André ampliou enormemente o universo instrumental da música européia, introduzindo na orquestra os então exóticos clarinete baixo e saxofone. Suas grandes obras sinfônico-corais, como o Réquiem, reúnem um contingente gigantesco, que só será superado várias décadas mais tarde, por um Gustav Mahler ou Richard Strauss. Aliás, os caminhos de Berlioz e da música alemã cruzaram-se intermitentemente: Richard Wagner (1813–1883), também um mestre da instrumentação e do teatro, admirava profundamente a obra do francês.

Gênio sem talento?

Contudo, a supremacia do pitoresco e do timbre sobre os aspectos estruturais valerão a Berlioz a fama de superficial e afetado. Certo musicólogo sugeriu, numa fórmula um tanto enigmática, que o compositor teria "grande gênio, mas pouco talento".

Talvez ainda mais importante do que suas realizações megalomaníacas foi o seu papel de intelectual visionário, que só o século 20 soube honrar devidamente. Como demonstrou o compositor e regente Pierre Boulez em seus ensaios da década de 60, era finalmente chegada a hora do homem que imaginou orquestras compostas por harpas ou por dezenas de pianos e percussão.