Hamburgo tem tradição em ecletismo musical | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 29.11.2010
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Cultura

Hamburgo tem tradição em ecletismo musical

Muitos não sabem, mas Hamburgo tem uma das mais prolíferas e variadas cenas musicais da Alemanha. A cidade que já abrigou os Beatles tem forte tradição no rock cantado em alemão.

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Reeperbahn é o centro da vida noturna em Hamburgo

Com uma projeção menos internacional que Berlim, Hamburgo é provavelmente a cidade com a cena musical mais diversificada e prolífera dentro Alemanha. A cidade portuária no norte de país tem vida cultural ativa, diversos museus, galerias, além de ser o centro dos musicais no país. Isso atrai muitos artistas alemães. Tokio Hotel e Nena, duas das maiores exportações da indústria fonográfica alemã, residem e trabalham na cidade.

A tradição da música pop em Hamburgo vem de antes da visita icônica dos Beatles. O quarteto de Liverpool se apresentou regularmente em diversos clubes locais entre 1960 e 1962. Para muitos, foi em Hamburgo que os quatro se tornaram a banda que viria a estourar em todo o mundo anos depois. Antes disso a área de prostituição nas imediações da Reeperbahn, no bairro de Sankt Pauli, já atraía artistas e boêmios, com sua agitada vida noturna.

Tocotronic

Tocotronic é um dos representantes da Escola de Hamburgo

"A cena musical em Hamburgo é muito prolifera. A mídia aqui é muito forte. E como a cidade é menor que Berlim, a comunicação é muito rápida e intensa," aponta Frank Spilker, vocalista da banda hamburguesa Die Sterne.

A Escola de Hamburgo

Die Sterne faz parte da chamada Escola de Hamburgo. O movimento surgido no final dos anos 1980 mistura punk, grunge, pop e letras em alemão com aspiração intelectual. Presente na cidade ainda hoje, influencia artistas em todo o país.

As primeiras bandas da emergente cena de rock hamburguesa tinham como característica cantar em alemão e encontravam muitas dificuldades em ter seus discos lançados. Pequenos selos locais começaram então a surgir na cidade. Gravadoras como L'age d'or e What's So Funny About? foram o berço do movimento e lançaram discos de importantes bandas, como Blumfeld.

Ao lado de Die Sterne, Tomte e Die Golden Zitronen, o Blumfeld foi um dos nomes mais significativos do movimento. Sob forte influência de bandas como Pavement e The Fall, suas músicas transitavam entre guitarras barulhentas e melodias sensíveis, tratando de medos, incerteza e amor. Após a dissolução do grupo, em 2007, o vocalista Jochen Distelmeyer, responsável pelas letras existencialistas, se lançou em carreira solo.

Samy Deluxe

O rapper Samy Deluxe

Talvez o grupo mais bem sucedido da Escola de Hamburgo tenha sido o Tocotronic. Com raízes punk e letras irônicas, a banda lançou diversos discos que foram ganhando popularidade com os anos, sendo considerada a resposta alemã ao britpop inglês dos anos 1990. Seu disco Kapitulation, de 2007, foi considerado o melhor do ano pela imprensa especializada alemã e o seguinte, Schall & Wahn, lançado no começo do ano, levou a banda pela primeira vez ao topo das paradas do país.

Para muitos, a Escola de Hamburgo foi um movimento criado pela imprensa, que usou o termo para denominar as bandas de rock locais que tinham em comum as letras em alemão. "Isso não existe mais. Na verdade nunca existiu. Foi um fenômeno construído pela mídia", diz Thees Uhlmann, vocalista da banda Tomte.

Spilker, por outro lado, discorda do colega. "Depois da segunda e da terceira geração de bandas da Escola de Hamburgo, temos novamente uma nova leva de artistas muito interessantes. Bandas como Frittenbude, Bratze e HGIchT fazem um electro punk criativo. Esse é o futuro da cena na cidade", diz Spilker.

Diversão e engajamento, as duas caras do hip-hop hamburguês

A diversidade musical da Escola de Hamburgo também está presente na cena hip-hop da cidade. Nas letras, duas vertentes antagônicas são claramente identificáveis: o protesto e a diversão. Já musicalmente, o hip-hop hamburguês abusa de misturas criativas com diversos gêneros, como o rock, dub, reggae, soul, musica eletrônica.

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Jan Delay e sua banda

Samy Deluxe é um dos nomes mais fortes da cena hip-hop no país. Com seu estilo mais tradicional e melódico, foi apelidado de Jay-Z alemão por sua audácia e eloquência, pelo uso de metáforas e pela agressividade. Ele é o líder da banda Dynamite Deluxe e ASD e fundador da gravadora Deluxe Records, que reúne um grande número de rappers locais, como Headliners, Denyo e Illo.

Denyo é um dos integrantes da banda de hip-hop Beginner. Formada nos anos 90, mistura o rap com letras engajadas e ritmos como o reggae e o dub. Jan Delay, outro integrante da banda, alcançou o sucesso também com seus discos solo, que evoluíram do reggae ao soul. Álbuns como Mercedes Dance, de 2006, e Wir Kinder vom Bahnhof Soul, de 2009, mostram a versatilidade musical e vocal de Delay.

Mas, na verdade, o ídolo do hip-hop nacional é o trio Fettes Brot. Suas músicas dançantes incorporam elementos de rap tradicional, rock e eletrônica, sempre com muita ironia. Títulos como "Fußball ist immer noch wichtig" (Futebol ainda é importante) e "Bettina, zieh dir bitte etwas an" (Bettina, coloque a roupa) ilustram bem essas letras que falam de garotas, drogas e festas. Mas o hip-hop branco e divertido do Fettes Brot já recebeu críticas dos segmentos mais politizados da cena, por ser muito superficial e fútil.

Frittenbude

A banda de electro punk Frittenbude

Na mesma linha de humor e diversão, e às vezes até com certa melancolia, o Deichkind levou o tradicional hip-hop de seus primeiros discos a outra dimensão, incorporando batidas eletrônicas e vocais energéticos. Atualmente descrevem sua música como techrap, uma mistura de rap com techno. Essa mudança também se manifestou em seu visual. Guerreiros urbanos com pinturas tribais de cores fluorescentes e roupas feitas de saco de lixo fazem os melhores shows ao vivo da Alemanha. Levam ao palco trampolins, dançarinos, guerras de travesseiros e "navegam" sobre a plateia com um bote inflável.

Zarpando para o futuro

Berlim e Hamburgo parecem se complementar em suas cenas musicais, com inúmeros artistas e diversidade criativa. Mas atualamente a capital leva algumas vantagens. "Muitos artistas deixaram Hamburgo nos últimos anos pelos altos custos de vida", diz Spilker, vocalista da Die Sterne.

Thees Uhlmann, vocalista da Tomte, que atualmente mora em Berlim, concorda com o colega. "Os lugares para ensaios são cada vez mais raros e caros, assim como o preço dos aluguéis."

Ambos também dizem que a gravadora Audiolith, com suas bandas de electro punk, é o melhor que está acontecendo na cidade no momento. Com uma cena tão criativa e diversificada, Hamburgo continuará sendo um importante polo musical na Alemanha.

Autor: Marco Sanchez
Revisão: Simone Lopes

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