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Ciência e Saúde

Hambúrguer criado em laboratório pode chegar aos supermercados em 20 anos

O sabor e a aparência são quase os mesmos. A carne desenvolvida em laboratório a partir de células-tronco de gado pode virar opção de consumo em duas décadas, defende criador.

A diferença entre a carne moída desenvolvida em laboratório e aquela distribuída em larga escala pelas cadeias de fast food é quase imperceptível. No entanto, o processo de criação do alimento faz dele um artigo de luxo. Segundo pesquisadores envolvidos no projeto, a carne de laboratório chega a custar cerca 300 mil euros, o equivalente a 900 mil reais.

O primeiro hambúrguer criado em laboratório a partir de células-tronco foi degustado em público nesta segunda-feira (05/08). O projeto é de cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda. Segundo os cálculos de Mark Post, biomédico envolvido na pesquisa, essa versão de carne deve estar disponível nas prateleiras de supermercados nos próximos vinte anos – e será uma alternativa para alimentar a crescente população mundial.

Um hambúrgues com milhares de camadas

A equipe de Mark Post trabalhou no experimento ao longo de vários anos. Em um líquido rosa, os pesquisadores produziram tecidos musculares a partir de células musculares de gado. Quando bem cuidadas, as células-tronco do músculo bovino se dividem diversas vezes. É assim que finas camadas de apenas alguns centímetros de comprimento e poucos milésimos de milímetro de espessura são formadas.

Para criar um hambúrguer normal de 140 gramas, os pesquisadores precisaram de cerca de 20 mil dessas camadas. Um pouco de suco de beterraba e açafrão deram a cor certa ao hambúrguer artificial.

No futuro, uma única célula-tronco poderá dar origem a 175 milhões de hambúrgueres, acredita Post. Para isso, o biomédico precisa de laboratórios modernos – e caros –, equipe treinada e uma grande quantidade de energia.

Stammzellenburger

Hambúrger artificial custa caro, mas pode reduzir em 95% a produção de CO2.

O futuro da carne de laboratório

As promessas são grandes. Segundo pesquisadores da Universidade de Oxford, é possível reduzir o uso da terra em 98% e cortar em até 95% a emissão de gases de efeito estufa só com o consumo de carne produzida em laboratório. Além disso, o abate de milhões de animais seria poupado.

Por outro lado, células-tronco só crescem em condições estáveis e sob temperatura em torno dos 37 graus. Essas regras protegem a carne contra bactérias e fungos. Isso só é possível para pequenas quantidades de carne armazenadas em laboratórios, mas totalmente inapropriada para produção em massa. Outro problema é a construção de uma estrutura tridimensional a partir de células-tronco.

O desenvolvimento de um tecido tridimensional com nutrientes é um fenômeno típico na natureza. Para isso, animais e seres humanos possuem vasos sanguíneos. Fazer o mesmo com células produzidas em laboratório é um grande desafio para a ciência, pode demorar muitas décadas, além de custar caro.

O objetivo de Mark Post é, em duas décadas, oferecer a carne de laboratório aos consumidores por um dólar ou menos. No mundo da ciência, a meta é vista com ceticismo: seria preciso investir muito dinheiro na pesquisa – soma que poderia ser usada em outras frentes, como o desenvolvimento de órgãos. Para os céticos, a carne a partir de célula-tronco criada pela equipe de Post dificilmente cumprirá a promessa.