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Mundo

Hamas rejeita qualquer proposta de desarmamento

Líder do grupo radical islâmico diz que "armas da resistência são sagradas" e estão fora de negociação com Israel. "Não há política sem resistência, e não há resistência sem armas."

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Khaled Meshaal, líder do Hamas, em abril de 2013

O líder do movimento islâmico palestino Hamas, Khaled Meshaal, rejeitou nesta quinta-feira (28/08) qualquer proposta de desarmar seus combatentes na Faixa de Gaza. O desarmamento era uma das exigências impostas por Israel para um cessar-fogo de longo prazo, mas não está previsto no acordo de cessar-fogo alcançado nesta terça-feira, após sete semanas de conflito.

"As armas da resistência são sagradas" e não podem estar sujeitas à negociação com Israel, afirmou Meshaal durante uma coletiva de imprensa realizada em Doha, no Qatar, onde vive no exílio. "Não há política sem resistência, e não há resistência sem armas", acrescentou, afirmando que o grupo não abrirá mão das armas como parte de nenhum acordo.

O líder do grupo radical islâmico disse ainda que as armas "garantem que as exigências [do Hamas] não serão negligenciadas". "Nem todas as nossas demandas foram atendidas, mas uma parte importante delas, sim", disse, referindo-se à amenização do bloqueio à Faixa de Gaza acordado com Israel nesta terça-feira.

"Isso [o acordo] não é o fim. É apenas um marco na luta por nosso objetivo. Sabemos que Israel é forte e conta com a ajuda da comunidade internacional. Não vamos restringir nossos sonhos ou fazer concessões às nossas exigências", disse Meshaal.

Entretanto, na visão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nenhuma das demandas do Hamas foi satisfeita até o momento em que uma trégua "permanente" entrou em vigor às 19h (hora local) desta terça-feira.
Ficou acertado que Israel irá aliviar as restrições à entrada de mercadorias, ajuda humanitária e materiais de construção em Gaza, além de ampliar a área de pesca na costa de Gaza.

Tópicos mais polêmicos, como as exigências do Hamas por um porto e um aeroporto, a libertação de prisioneiros, e inclusive a própria questão do desarmamento dos militantes palestinos foram adiadas até uma próxima rodada de negociações no Cairo, dentro de um mês. Ambos os lados, no entanto, apontaram a trégua como uma "vitória".

O recente conflito no Oriente Médio durou sete semanas e custou a vida de mais de 2 mil palestinos – mais de 70% deles civis e incluindo 490 crianças, de acordo com a ONU. Do lado israelense, foram 70 baixas, sendo seis civis e 64 soldados.

IP/lusa/afp/rtr

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