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Cultura

Hai-ku da era informática

Uma antologia lançada na Alemanha conecta miniaturas poéticas de três séculos e a técnica do "short message service".

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Celular: também meio de comunicação poética

"Bom dia, Romeu; como dormiu?" "Ah – assim assim. E tu, doce Julieta?" "Igualmente assim assim!"

A tradução literal desta poesia de Eduard Mörike (1804-1875) tem 96 sinais, exatamente dois a menos do que o original. Esse tipo de estranha preocupação foi vital para Anton G. Leitner, editor da antologia Lírica SMS – poesia de 160 sinais. A idéia para o volume de 100 páginas partiu de Gabriele Leja, da editora Deutscher Taschenbuch Verlag, inspirada por sua sobrinha de 16 anos de idade: "Ela andava com o celular de um lado para o outro, mandando SMS para o novo namorado. Um dia, perguntou-me se não podia ajudá-la a mandar alguma coisa poética."

Desde então, a adolescente é uma entusiástica colecionadora de poemas, sempre em "formato SMS" e de preferência tão leves quanto o diálogo pós-shakespeariano de Mörike. Gabriele Leja acredita que, da mesma maneira lúdica, Lírica SMS irá despertar o interesse de outros jovens pela poesia.

Algumas das obras selecionadas – de Goethe a Robert Gernhardt, passando por Eichendorff e Erich Fried – já levam em consideração a norma da nova geração de telefones celulares, que permitem SMS ( short message service) com até 300 sinais. Ainda assim, Leitner admite que a escolha foi um "custoso trabalho de contagem", pois às vezes os poemas tinham apenas um sinal demais. Ele também pediu a autores contemporâneos para redigirem alguns versos para o livro. Como estes, da berlinense Tanja Dückers, aqui em tradução literal: Penso tanto em ti escrevendo escrevendo uma vez por hora um silencioso tropeçar dos dedos.

Convite à criatividade

Na verdade, a lírica SMS segue uma tradição nobre. Pois não é um fato inédito um artista se autoimpor uma severa constrição formal, para dentro dela libertar sua criatividade. Como nos haiku japoneses, em que toda a mensagem poética é resumida a apenas três versos, respectivamente com cinco, sete e cinco sílabas.

O editor Leitner confirmou a teoria de Gabriele Leja ao apresentar sua coletânea numa escola de segundo grau de Munique: "Os alunos ficaram ultra-entusiasmados. Pela primeira vez perceberam que Goethe ou Mörike também podem ser engraçados". Segundo os professores, cresceu o interesse dos jovens pelo mundo dos versos: "Alguns fazem suas próprias experiências poéticas ou freqüentam poetry-slams, onde as poesias são declamadas diante do público". Acima de tudo, a combinação desta arte literária com a moderna tecnologia é uma forma de comunicação que fala diretamente aos jovens.

O nascimento de uma arte

Um giro pela internet reforça tal impressão: o número de concursos de poesia SMS é enorme, em todas as línguas possíveis. Um deles, promovido pelo jornal inglês The Guardian, revelou pequenas jóias que não só obedecem à limitação de 160 sinais, como incorporam as abreviaturas e emoticons característicos da comunicação pela rede, e que pouco a pouco formam um dialeto autônomo do inglês escrito.

O professor de Germanística Peter Schlobinski, da Universidade de Hanôver, ocupa-se há alguns anos com a linguagem da internet e dos celulares. Ele também considera importante "conectar-se com as experiências concretas e técnicas culturais da geração jovem". É até mesmo provável que mandar poemas se torne uma espécie de esporte, como já é o envio de imagens no Japão. Com a especificidade de que a olhada no monitor é mais efêmera, e os versos têm que ser "digeridos" mais rapidamente: "Talvez nasça uma forma de lírica funcional, quickies poéticos para o momento", especula Schlobinski.

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