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Alemanha

Há cinco anos, Bundeswehr passou a aceitar mulheres

Em janeiro de 2001, as primeiras mulheres receberam permissão para alistar-se nas Forças Armadas alemãs. Começava assim uma nova era num terreno até então de domínio exclusivamente masculino.

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As mulheres lutaram por mais esse direito

Elas ainda não são muitas, mas nos últimos tempos já não têm mais sido vistas com tanta estranheza nos quartéis alemães: atualmente, cerca de 11.800 soldados prestam serviço militar na Bundeswehr, que somente há cinco anos abriu as portas de suas unidades de combate também para a população feminina. Para as primeiras mulheres que se apresentaram, em 2001, tentando equiparar-se aos homens, a adaptação não foi tarefa fácil.

"A primeira coisa que eu os ouvi cochichando foi: 'O que ela quer aqui? Com certeza se enganou!' Então eu respondi: 'Nada disso! Eu faço parte de vocês, eu farei o curso junto com vocês'", lembra-se uma das pioneiras.

Uma vitória das mulheres

A Bundeswehr, entretanto, não abriu suas portas voluntariamente, mas somente por pressão judicial. Tanja Kreil, então com pouco mais de 20 anos, lutou perante a Corte Européia de Justiça pelo direito de servir voluntariamente nas Forças Armadas alemãs.

Formada em Eletrônica, Kreil sentia-se discriminada após a Bundeswehr ter negado sua candidatura devido ao seu sexo, e não por suas qualificações. Os juízes deram razão a Tanja e muitas outras mulheres também se animaram a prestar o serviço militar. "É toda a atmosfera, a camaradagem, os esportes e toda a formação. Isso já me fascina desde criança e eu sempre sonhei em entrar para o Exército", conta uma delas.

Mudanças legais e práticas

Bedingt Einsatzbereit

Forças Armadas: universo exclusivamente masculino até 2001

O governo alemão teve de mudar o artigo 12 da Lei Fundamental, pois nela constava claramente a proibição às mulheres de prestar serviço nas Forças Armadas. Fundada em 1955, a Bundeswehr passou 20 anos como organização exclusivamente masculina. A partir de 1975, foram então contratadas médicas e agentes sanitárias, que naturalmente trabalhavam desarmadas.

Somente em 2001 é que terminaram as restrições para o trabalho feminino na área sanitária e musical e as primeiras 244 mulheres puderam alistar-se às unidades de combate – voluntariamente, é claro, pois a Constituição proíbe a obrigatoriedade do serviço militar para mulheres. Para o contingente masculino da Bundeswehr começava uma nova era e o Exército teve que adaptar-se às mudanças.

Começando pelos banheiros e quartos exclusivos para as mulheres até o trato dos instrutores para com suas subalternas. Elas não queriam qualquer tipo de tratamento diferenciado, e também não deram importância a comentários de baixo nível. O que em muitos outros países europeus já era rotina, para a Bundeswehr foi um aprendizado com muitas dificuldades.

"Os coturnos eram, em grande parte, inadequados para mulheres, porque só havia determinados tamanhos e não serviam direito à anatomia do pé feminino. Em geral, a mulher tem o pé mais fino e delicado e por isso tem problemas na hora de marchar."

Frau in der USA Armee mit Tommy Franks

O que era rotina em outros países chegou bem mais tarde na Bundeswehr

Bem mais grave do que os problemas com os uniformes de combate foram os casos de abusos sexuais das soldados femininas por instrutores ou camaradas, que, entretanto, se resumiram a casos isolados e foram punidos severamente.

A maioria das mulheres que optaram pela formação militar em 2001 podiam levar a cabo sua profissão e demonstrar competência através de seu empenho ou deixavam novamente a Bundeswehr. Cinco anos depois dessa abertura das Forças Armadas, 6% dos funcionários e soldados em formação são mulheres.

Ainda serão necessários cinco anos até que as primeiras mulheres possam se tornar comandantes e 15 até que um batalhão possa ser comandado por alguém do sexo feminino. O alto-comando das Forças Armadas vê este potencial feminino como um campo ainda a ser explorado. Hoje, há 300 mulheres prestando serviço militar fora do país, o que há alguns anos era inimaginável.

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