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Mundo

Há 70 anos, naufrágio do Wilhelm Gustloff matava mais de 9 mil

Navio de cruzeiro nazista usado na evacuação de civis e militares, o Wilhelm Gustloff foi a pique em 30 de janeiro de 1945, no Mar Báltico, atingido por um submarino soviético.

Por volta das 21h de 30 de janeiro de 1945, Adolf Hitler discursava no rádio para os alemães. O discurso ecoava também na abarrotada sala de jantar do navio Wilhelm Gustloff. Só que os refugiados vindos da Pomerânia, da Prússia Ocidental e da Prússia Oriental não queriam mais saber das palavras do líder nazista. Eles só queriam uma coisa: serem resgatados.

Mas só alguns dos mais de 10 mil passageiros a bordo – a maioria mulheres e crianças, mas também alguns soldados da Marinha – foram salvos. Exatos 1.252 passageiros sobreviveram à última viagem do Gustloff. Mais de 9 mil morreram, possivelmente o maior número de mortos no naufrágio de uma única embarcação.

O navio levou uma hora para afundar, depois de ser atingido por três torpedos russos. O termômetro marcava 18 graus negativos do lado de fora. Nessa temperatura, as chances de sobrevivência são praticamente nulas.

O ponto de partida da última viagem do Gustloff havia sido Gotenhafen (atual Gdynia), uma cidade portuária na Polônia, perto de Gdansk. Em janeiro, poucos meses antes do fim da guerra, mais de 100 mil civis alemães chegaram à cidade, vindos do leste e fugindo do Exército Vermelho. Todos tinham em mente e falavam do que acontecera em Nemmersdorf, o primeiro vilarejo alemão a cair nas mãos dos russos, e onde os crimes nazistas foram cruelmente vingados.

O navio dos sonhos dos nazistas

Deutschland Sowjetunion Zweiter Weltkrieg die Rote Armee in Königsberg

Exército Vermelho em Königsberg, atual Kaliningrado

O Gustloff conta entre os muitos navios que, nos últimos meses de guerra, ajudaram a resgatar soldados e civis feridos, partindo de Gotenhafen e com rumo ao Oeste. Com 208 metros de comprimento, não se tratava do maior navio, mas era o mais conhecido.

O navio de cruzeiro dos nazistas havia sido batizado em 1937, na presença de Hitler. O nome é uma homenagem a um líder nazista assassinado em 1936. O Gustloff foi o navio dos sonhos dos anos 1930, uma embarcação de férias que todos conheciam. Alguns dos refugiados haviam passado alguns de seus melhores dias de férias justamente naquele navio, em algum cruzeiro pela costa norueguesa ou no Mar Mediterrâneo. Agora, ele era a sua última esperança de escapar da morte.

A fuga pelo Mar Báltico é um capítulo à parte na história da Segunda Guerra Mundial. Historiadores calculam que cerca de 2,5 milhões de pessoas foram salvas pelas águas ocidentais dos territórios alemães. Um esforço sem precedentes, reconhecido até pelos inimigos. Um livro sobre essa história tem o sugestivo subtítulo de "maior feito da Marinha". A evacuação em massa é atribuída sobretudo a Karl Dönitz, o grande-almirante que sucedeu Hitler por 23 dias, depois da morte do líder nazista.

Na verdade, Dönitz apenas utilizou os preparativos da Alemanha nazista para o eventual resgate emergencial – rápido e sem perdas – dos cerca de 600 mil soldados da chamada Kurland-Armee (o destacamento na Curlândia) pelo Mar Báltico.

Entretanto, no início de 1945, a situação militar havia mudado tanto que falar de realocação estratégica das tropas alemãs era fora de questão. O que importava naquele momento era o resgate da população civil. Assim, Dönitz empregou a estrutura preparada para os militares na evacuação dos refugiados do leste alemão.

Ao todo, 30 mil pessoas morreram durante as incontáveis evacuações no Mar Báltico. Além do Wilhelm Gustloff, os navios Steuben, Goya e Cap Arcona também foram afundados. Este último foi acidentalmente alvejado por um caça britânico. A bordo estavam prisioneiros de campos de concentração.

Três decisões erradas

Flüchtlingstreck in Ostpreussen 1944

Alemães fogem do avanço do Exército Vermelho, no final da Segunda Guerra Mundial

Especialistas militares acreditam que o fim do Gustloff poderia ter sido evitado. O contrário se deveu a três decisões fatais. Não havia um comboio naval de segurança para o navio. Cerca de mil marinheiros estavam a bordo, e eles deveriam ser levados o mais rápido possível para Kiel. Por isso, optou-se por iniciar a viagem mesmo sem a segurança adequada.

Apenas um torpedeiro fazia a segurança do navio. Como se acreditava haver grande chances de existência de minas marítimas ao longo da costa, optou-se pela rota por mar aberto. E como o Gustloff não era utilizado havia quatro anos, o capitão Wilhelm Peterson, por cautela, decidiu viajar a apenas 12 nós, em vez de 15.

Juntas, essas decisões significaram uma sentença de morte para o navio e os passageiros. Especialistas militares avaliam que, com escolta, navegando em águas rasas ao longo da costa e numa velocidade maior, o Gustloff dificilmente seria atingido pelo submarino russo S-13.

Pergunta sem resposta

Mesmo 70 anos depois do desastre, ainda pairam dúvidas sobre a história do naufrágio do Gustloff. Há a suspeita de que uma mensagem de rádio – que chegou ao navio três horas antes do primeiro torpedo ser disparado – teria sido na verdade uma sabotagem.

O informe dava conta da existência de vários navios caça-minas na rota da embarcação. A fim de evitar uma colisão frontal em meio a uma nevasca, o comandante acendeu as luzes de navegação. Após uma hora e meia de iluminação, nenhum navio caça-minas foi encontrado. Mas, para o submarino russo, o navio iluminado era um alvo entregue na bandeja.

Muitos dizem que, por trás da mensagem, estariam alemães, feitos prisioneiros de guerra pelo soviéticos e que trocaram de lado. Para Heinz Schön, uma possibilidade assustadora. Ele era aspirante a comissário na embarcação e tinha apenas 18 anos. Embora tenha sido um dos poucos a sobreviver à tragédia, ele não considera o ataque ao Gustloff um crime de guerra. O navio carregava soldados, estava camuflado e levemente armado. Assim, o ataque estava coberto pelas leis de guerra.

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