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Alemanha

Há 60 anos, o polêmico início da Bundeswehr, as Forças Armadas alemãs

Apenas dez anos após o fim da guerra iniciada pela Alemanha, o país tinha de novo um Exército. Oposição e grande parte da população, ainda traumatizada, eram contra, mas o pensamento estratégico de Adenauer se impôs.

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Protesto contra rearmamento na Alemanha

Alemanha após a Segunda Guerra Mundial: a Wehrmacht, como eram chamadas as Forças Armadas, havia sido dissolvida. O país fora ocupado e desmilitarizado. Nunca mais uma guerra deveria ser provocada a partir de solo alemão. Homens alemães armados – naquele momento, algo inimaginável.

Mas a situação política mundial mudaria rapidamente: logo após o fim da guerra, a aliança formada contra Hitler se desintegrou. As tensões entre a União Soviética e os aliados ocidentais Estados Unidos, Reino Unido e França aumentaram. A Alemanha se encontrava numa posição geográfica estratégica, no meio do confronto entre os blocos.

Como resultado dessa situação, dois Estados alemães foram criados em 1949 – em maio, a República Federal da Alemanha; em outubro, a República Democrática Alemã.

O medo de um ataque da Rússia

Quando a Guerra da Coreia eclodiu, em 1950, os aliados ocidentais abriram mão de sua política de desmilitarização da Alemanha. Febrilmente, eles se preparavam para um possível ataque da União Soviética. O então chanceler federal Konrad Adenauer exigiu garantias de segurança dos aliados ocidentais e um reforço das tropas de ocupação. Em contrapartida, os aliados exigiram a colaboração da própria Alemanha. Assim foi aberto o debate sobre o rearmamento (Wiederbewaffnung, como ficou conhecido).

No entanto, ainda não se falava na possibilidade de Forças Armadas alemãs, mas de tropas europeias com um pequeno contingente alemão. Esse modelo deveria prover segurança com a Alemanha, mas também segurança diante da Alemanha.

Bonn Bundestag Bundeskanzler Konrad Adenauer Regierungserklärung

Já em 1950, chanceler federal Adenauer defendia participação alemã na defesa da Europa Ocidental

Em novembro de 1950, o Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão, debateu pela primeira vez sobre o rearmamento – durante todo um dia. Em sua declaração de governo, Adenauer defendeu o plano de posicionar soldados do país como parte de um Exército da Europa. O chanceler democrata-cristão via o mundo ocidental e principalmente a República Federal da Alemanha "verdadeiramente em grande perigo" e apresentou cenários amedrontadores. "Todos estavam com medo de que os russos também viessem até nós", descreveu uma testemunha da época o clima no país.

"Guerra nunca mais!"

Os sociais-democratas estremeciam com a ideia de ver soldados alemães marchando novamente. Eles acusavam Adenauer de usar o "medo perante o Leste" como instrumento de propaganda para a militarização. De acordo com os adversários políticos de Adenauer, o verdadeiro perigo para a República Federal da Alemanha era o rearmamento. Além disso, os oposicionistas argumentavam que ele cimentaria a divisão do país.

A grande maioria da população também reagiu com horror aos planos de Adenauer. Sob o lema "Sem mim!", cidadãos revoltados protestavam contra o rearmamento, inclusive muitos inválidos de guerra, com muletas ou pernas de madeira. Em 1950, por volta de três quartos da população da então Alemanha Ocidental eram contra a Wiederbewaffnung.

Adenauer assegurou aos críticos que faria de tudo para evitar, em qualquer circunstância, a volta do "pensamento militarista". Para ele, um político renano e católico que não tinha nenhuma afinidade pessoal com os militares, os objetivos estratégicos estavam em primeiro plano. Em seu ponto de vista, a contribuição alemã para a defesa era um meio de reintroduzir a República Federal da Alemanha na comunidade de Estados ocidentais. Dessa forma, ele pôde recuperar parte da soberania e da liberdade de ação diplomática do país.

Novo Exército

No final, Adenauer conseguiu se impor. Em fevereiro de 1952, o Bundestag aprovou a presença alemã num Exército europeu. Mas esse Exército da Europa nasceu morto – o Parlamento francês votou contra. Somente com os

Tratados de Paris

foi possível a fundação de um Exército alemão. Em 1955, a República Federal da Alemanha foi aceita na União da Europa Ocidental e na Otan, podendo estabelecer

as suas próprias Forças Armadas

. Ao mesmo tempo, foi revogado o estado de ocupação.

Em julho de 1955, o Bundestag aprovou uma lei que previa a formação de um Exército com 6 mil voluntários. Em 12 de novembro de 1955, o primeiro ministro da Defesa da República Federal da Alemanha, o político democrata-cristão Theodor Blank, entregou os diplomas de nomeação aos primeiros 101 voluntários no quartel de Ermekeil, em Bonn. Era o 200° aniversário de Gerhard Scharnhorst, general prussiano e reformador do Exército. Assim ficava claro que a que tradições militares a Bundeswehr, inicialmente denominada de "nova Wehrmacht", pretendia se filiar.

Bonn Ernennungszeremonie der ersten 101 Bundeswehr Soldaten

Ministro Theodor Blank entrega diplomas de nomeação a 101 voluntários da Bundeswehr em 12 de novembro de 1955

Nazistas entre o pessoal

A Bundeswehr, no entanto, não dispensou antigos oficiais da Wehrmacht: por volta de 1960, mais de 12 mil antigos oficiais da Wehrmacht e 300 do esquadrão nazista SS estavam a serviço das Forças Armadas da República Federal da Alemanha. Ainda levaria muito tempo para que a Bundeswehr pudesse se livrar desse legado.

Para evitar que a Bundeswehr se tornasse um Estado dentro de um Estado, ela foi estritamente acoplada aos mecanismos de controle da democracia parlamentar. A sua tarefa era meramente defensiva: a defesa da Alemanha em caso de um ataque. O número máximo de soldados foi fixado em 500 mil, que estavam sob o comando da Otan.

No entanto, isso não mudou nada no fato de não somente a oposição formada pelo Partido Social-Democrata, mas também uma grande parte da população alemã considerar errônea a decisão em favor do rearmamento, há 60 anos.

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