Há 10 anos, atual prefeito de Berlim assumia ser gay durante campanha eleitoral | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 10.06.2011
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Alemanha

Há 10 anos, atual prefeito de Berlim assumia ser gay durante campanha eleitoral

Ao assumir homossexualidade publicamente durante discurso, ele surpreendeu berlinenses, saindo da obscuridade e se lançando no topo das pesquisas de opinião. Revelação deu início a reviravolta social e política no país.

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Wowereit, grande popularidade na capital alemã

"Eu sou gay, e está bem assim". Com essa frase, proferida há exatos dez anos em um discurso durante a convenção regional que o lançava como candidato a prefeito de Berlim, o social-democrata Klaus Wowereit não só lançava a sua fulminante campanha pela prefeitura, como praticamente abria as portas para a aceitação de homossexuais assumidos em altos cargos políticos.

Hoje, ele é um dos prefeitos com maior popularidade que a capital alemã já viu e está não só às vésperas de completar uma década no cargo, como a poucos meses de se reeleger para o terceiro mandato. E isso tem boas chances de acontecer, pois "Wowi" (como é carinhosamente conhecido pelos berlinenses) beira a marca de 30% nas pesquisas de opinião.

Demonstração de coragem

Em sua autobiografia ...Und das ist gut so ("...E está bem assim", em tradução livre) Wowereit descreve seus sentimentos logo após ter dito a frase mais importante de sua carreira: "Fiquei aliviado, mas não tinha ideia do que iria acontecer”, relata, acrescentando que a afirmação provocou um "furacão" na opinião pública. "O melhor foi que todos transbordaram em afagos. Eu tinha demonstrado coragem e atraído simpatia", lembra.

Flash-Galerie Deutschland WM Fieber

O prefeito na Copa de 2006. Com cerca de 30% nas pesquisas, político caminha para terceiro mandato

A revelação do então candidato veio como desabafo e, ao mesmo tempo, foi tática eleitoral. Antes das eleições, circulavam boatos sobre as preferências sexuais do político, e ele temia ser vítima de uma campanha da imprensa sensacionalista. Com a confissão pública, Wowereit desarmou uma possível chantagem dos conservadores durante a campanha eleitoral que estava por começar e, ao mesmo tempo, deu adeus à obscuridade para se tornar uma das mais famosas personalidades alemãs.

"A sinceridade dele foi recompensada, pois muitos heterossexuais a consideraram um progresso e uma expressão da nova irreverência alemã", afirma Martin Munz, presidente da Associação de Jornalistas Gays e Lésbicas (BLSJ, na sigla em alemão). "Foi um sinal para muitos homossexuais de que o tempo de ficar se escondendo poderia finalmente acabar, pelo menos nas grandes cidades", explica. Ainda esperamos que alguma política famosa diga um dia 'sou lésbica, e é bom que seja assim'.

Exemplo a ser seguido

Westerwelle / FDP / Rostock

Ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle

Dez anos depois, a declaração ainda é um exemplo a ser seguido, e não só por políticas lésbicas. Poucos anos depois da frase de Wowereit, em 2003, o então prefeito da cidade de Bremen, Ole von Beust, somente conseguiu "sair do armário" em circunstâncias pouco nobres.

Seu coming out só aconteceu após seu próprio secretário do Interior, o ultraconservador Roland Schill, ter tentado chantageá-lo. Schill ameaçou tornar pública a homossexualidade de Von Beust. Como resposta, o político trilhou o mesmo caminho de Wowereit, divulgando publicamente sua orientação sexual, o que lhe permitiu sobreviver no cargo.

Como ressalta um artigo do jornal berlinense taz, a frase de Wowereit marcou "uma reviravolta social", pois na mesma época a união estável para homossexuais foi aprovada na Alemanha, "um marco importante no caminho dos antes criminalizados gays e lésbicas rumo ao seio da sociedade", prossegue o texto.

Vale lembrar que, em 2009, o político liberal e homossexual assumido Guido Westerwelle chegava ao posto de ministro do Exterior e vice-chanceler da Alemanha. O fato não foi considerado nada extraordinário pela opinião pública alemã. Graças à reviravolta social iniciada por Klaus Wowereit.

Autor: Marcio Damasceno
Revisão: Roselaine Wandscheer

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