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Especial

Guerra trouxe indústria pesada ao Brasil

Brasil foi único país latino-americano a participar da Segunda Guerra Mundial. Cerca de 26 mil brasileiros lutaram na Itália.

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O general Mascarenhas de Morais (3º a partir da esq.) foi o comandante da Força Expedicionária Brasileira na Itália

A participação brasileira na Segunda Guerra Mundial foi negociada entre setembro de 1939 e agosto de 1942 com os Estados Unidos. Segundo o Centro de Pesquisa e Documentação (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, "tratou-se do fornecimento de materiais estratégicos aos Estados Unidos e da permissão para o estacionamento de tropas norte-americanas nas bases do Nordeste; como contrapartida, o governo brasileiro reivindicava financiamento para a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e o reequipamento e modernização das Forças Armadas".

Getúlio Vargas governava desde 1930 o maior país da América do Sul, com 45 milhões de habitantes. Ideologicamente, simpatizava com as potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), fato que alguns membros de seu governo confirmaram em declarações públicas. Através do autogolpe de 10 de novembro de 1937, revogou a Constituição de 1934, proibiu os partidos e instituiu a ditadura do Estado Novo.

Alemanha era principal parceiro comercial

Entre 1933 e 1938, o Brasil manteve intensas relações comerciais com a Alemanha nazista, que via no regime autoritário de Vargas um parceiro ideal. Em 1938, um quarto das importações alemãs, sobretudo matérias-primas e produtos agrícolas, vieram do Brasil, enquanto o comércio brasileiro com os EUA recuou. No mesmo ano, o Brasil importou armas da Alemanha. Daí a situação começou a mudar.

A pretexto de fortalecer o nacionalismo brasileiro, Vargas proibiu em 1938 a atividade política de estrangeiros, com o que reprimiu principalmente os 800 mil imigrantes da região Sul. Estes até então haviam sido abastecidos da Alemanha com propaganda nazista, incluindo material escolar, jornais e filmes. O partido nazista no Brasil, criado em 1931 e que contava com cerca de 5 mil filiados, foi proibido, devido à participação em agitações políticas.

Doutrina Monroe e "boa vizinhança "

Após a eclosão da guerra na Europa, os EUA aumentaram a pressão, por meio da chamada "política da boa vizinhança" e ajuda financeiras, para que os países sul-americanos apoiassem os aliados. Em 1939, Washington concedeu um crédito de 70 milhões de dólares ao Brasil, mas o país inicialmente se manteve neutro.

Com a invasão da França pela Alemanha e o alastramento da guerra para o Norte da África em 1940, os EUA acordaram de vez. Além disso, Vargas assustou os Aliados em junho de 1940 com um discurso de elogio ao Eixo. "Com esta manobra, ele aproximou-se mais uma vez do III Reich para aumentar o preço de sua aliança e, com isso, elevar a ajuda esperada dos EUA", escreve a historiadora Ursula Prutsch, do Instituto de História da Universidade de Viena.

Ajuda militar

Entre julho e dezembro de 1941, os EUA aumentaram suas ofertas militares, técnicas e financeiras. Dentro do espírito da Doutrina Monroe e da "solidariedade continental", em fevereiro de 1941, Vargas prometeu seu apoio aos americanos, caso estes fossem atacados por um país não-americano. No mesmo ano, os EUA iniciaram o financiamento da construção da Companhia Siderúrgica Nacional de Volta Redonda, principal símbolo da industrialização brasileira.

Além disso, segundo o CPDOC, em 1942 o governo norte-americano prometeu fornecer armas e munições ao Brasil no valor de US$ 200 milhões (há autores que falam em até US$ 1 bilhão). Em contrapartida, os brasileiros deveriam vender toda a produção de materiais estratégicos – bauxita, berilo, cromita, ferro-níquel, diamantes industriais, minério de manganês, mica, cristais de quartzo, borracha, titânio e zircônio etc – para o "grande irmão" do Norte. Os EUA instalaram suas bases militares no Nordeste e, no ano seguinte, concederam uma moratória da dívida externa brasileira.

O Brasil na guerra

Isso permitiu ao governo brasileiro aumentar os gastos militares, que chegaram a representar 36,5% do orçamento federal em 1942. "Com a bênção financeira e técnica dos EUA, o Brasil pôde consolidar sua hegemonia na América Latina, sobretudo em relação à Argentina. O Brasil obteve três quartos dos investimentos militares norte-americanos na região latino-americana durante os anos de guerra", afirma Prutsch.

Depois que submarinos alemães afundaram cerca de 20 navios mercantes brasileiros em fevereiro e agosto de 1942, o Brasil declarou guerra à Alemanha e Itália em 28 de agosto. A partir de 30 de junho de 1944, cerca de 26 mil pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) foram treinados e equipados pelos EUA, incorporados ao 5º Exército norte-americano e enviados ao front na Itália. Um grupo de caça da Força Aérea Brasileira realizou 2250 operações militares. No total, 1889 brasileiros morreram na guerra, 75% deles em ataques de submarinos (cerca de 650 no front).

Para a população brasileira, o cotidiano da guerra teve duas faces: por um lado, a propaganda de guerra restringiu direitos individuais e reprimiu diferenças étnicas; por outro, a infra-estrutura, sobretudo o sistema de transportes, chegou à beira do colapso devido à escassez de petróleo. Em algumas regiões, houve também escassez de determinados alimentos, produtos industriais e gasolina, o que fez os preços dispararem. Não foi surpresa, portanto, que com o fim da guerra tenha chegado também o fim da ditadura do Estado Novo.