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Mundo

"Guerra nunca mais" marcou o início da unificação européia

Depois da Segunda Guerra Mundial, premissas pacifistas serviram de fundamento para a integração européia. Confira o contexto político, econômico e cultural da Europa há 50 anos.

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Assinatura dos Tratados de Roma em 25 de março de 1957

A motocicleta Vespa e o carro compacto Isetta foram os símbolos da recuperação no pós-guerra e do iniciante milagre econômico na Europa dos anos 50. A integração econômica deveria impedir novas guerras no continente. Por isso, o ministro francês das Relações Exteriores, Robert Schuman, desenvolveu um plano para a cooperação nos setores carbonífero e siderúrgico, destinado a impedir a remilitarização da Alemanha.

BMW Isetta

Publicidade do Isetta, do BMW (1956)

Em 9 de maio de 1950, Schuman apresentou ao Reino Unido, à Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Luxemburgo a proposta de formação da Comunidade Européia do Carvão e do Aço (Ceca ou "Montanunion") . Somente o Reino Unido, maior produtor de carvão e aço na Europa, rejeitou o projeto com medo de perder a liderança no setor. Os demais países formaram a Ceca em 1951.

Guerra na Coréia

Koreakrieg - Bauer flüchtet in den Süden

Soldado protege agricultor norte-coreano, que fugiu para a Coréia do Sul

Os comunistas interpretaram a criação desta comunidade como um ataque ao bloco soviético. Eles condenaram a reintegração da Alemanha Ocidental no bloco ocidental, que acusavam de estar preparando uma terceira guerra mundial.

Na verdade, foram os comunistas que desencadearam um novo conflito: a Guerra da Coréia (1950–1953). "Com seu ataque à Coréia, os líderes comunistas demonstraram seu desrespeito aos princípios fundamentais das Nações Unidas", disse o então presidente dos EUA, Harry Truman.

A Guerra da Coréia evidenciou aos europeus a importância também de sua integração militar. Os EUA conclamaram os aliados a refletir sobre uma remilitarização da Alemanha Ocidental. Assim, o economista francês Jean Monnet incluiu o país no plano de uma Comunidade Européia de Defesa (CED).

Isso irritou o governo alemão-oriental. "Enquanto nós nos empenhamos incansavelmente pela construção da paz em todas as partes de nossa República, no oeste de nossa pátria, um bando de criminosos a serviço dos armamentistas norte-americanos está empurrando nosso povo alemão para uma terceira guerra mundial", disse o presidente da Alemanha Oriental (RDA), em 1952.

Disputa esportiva em vez de guerra

Winterolympiade 1952 in Oslo

Olimpíadas de Inverno de 1952 em Oslo

Mas em vez de um confronto armado, as nações dos dois blocos preferiram se enfrentar nas competições esportivas. Foi assim nos Jogos Olímpicos de 1952, em Oslo e Helsinque, e na Copa do Mundo de 1954, na Suíça.

Enquanto a vitória de 3 a 2 sobre a Hungria (o "milagre de Berna") aumentou a autoconfiança dos alemães, a CED fracassou em agosto de 1954, vetada pela Assembléia Nacional francesa. As lembranças da ocupação nazista ainda eram muito fortes na França. Além disso, os franceses viam sinais de distensão nas relações Leste-Oeste. Stalin havia morrido a 5 de março de 1953 e, pouco depois, terminara a Guerra da Coréia.

Pariser Konferenzen 1954 - Vertragsunterzeichnung NATO

Tratados de Paris de 23 de outubro de 1954 levaram à criação da UEO

O fracasso da Comunidade Européia de Defesa mostrou pela primeira vez os limites da Ceca. A criação da União da Europa Ocidental (UEO), em outubro de 1954, foi apelas um paliativo fraco para a CED: o acordo previa o auxílio mútuo dos países-membros em caso de ataque.

A França, porém, não conseguiu impedir a remilitarização da Alemanha. Com a fundação da UEO, a Alemanha recebeu o convite para ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que ocorreu em 1955.

A reação da RDA não tardou. "A Alemanha Ocidental está sendo militarizada em ritmo acelerado e integrada ao bloco do Atlântico Norte e na UEO", disse o primeiro-ministro alemão-oriental, Otto Grothewohl.

Rock'n roll no Oeste, protestos no Leste

Bill Haley and the Comets

Bill Haley and the Comets: pioneiros do rock'n roll

Logo depois, em maio de 1955, os soviéticos criaram o Pacto (militar) de Varsóvia. A Guerra Fria atingiu seu primeiro auge, pelo menos em nível governamental. Mas os jovens dessa época tinham outros interesses: calça jeans, jaqueta de couro, saiote e sapatilhas.

Enquanto no Oeste se dançava o rock'n'roll de Bill Haley e Elvis Presley, aumentava nos países-satélites do Leste a insatisfação em relação à hegemonia soviética. Já em 1953 houve um protesto de trablhadores na RDA, que foi reprimido pelos soviéticos.

Em 1956, os húngaros exigiram a retirada das tropas soviéticas estacionadas no país e a realização de eleições livres. O reformista comunista Imre Nagy, que participara dos protestos, foi eleito primeiro-ministro. Sob seu comando, a Hungria abandonou o Pacto de Varsóvia em novembro daquele ano. Mas isso foi demais para os russos: tropas soviéticas invadiram Budapeste. Três mil húngaros morreram na repressão à revolta popular, outros dois mil – entre eles Nagy – foram mais tarde condenados à morte.

Ungarn Volksaufstand in Budapest 1956

Húngaros barram tanque soviético

A revolta húngara aprofundou a divisão do mundo em dois blocos inimigos, comandados pela União Soviética e pelos EUA. Os seis países-membros da Comunidade Européia do Carvão e do Aço sentiram que precisavam avançar em sua unificação política e econômica para pode se impor no palco internacional. O caminho para os Tratados de Roma estava aberto.

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