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Economia

Guerra muda plano de férias dos alemães

Turistas mudam período e destino de viagens ao exterior, por causa da guerra no Iraque. Agrava-se a crise do setor turístico alemão. TUI anuncia cortes de 150 milhões de euros.

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Michael Frenzel, diretor-presidente da TUI, anuncia cortes

Os bombardeios norte-americanos sobre o Iraque levam cada vez mais alemães a mudarem seus planos para as próximas férias no exterior. A TUI, maior agência de viagens da Europa, sediada em Hanôver, já recebeu 500 pedidos de cancelamento, troca ou adiamento de pacotes vendidos antes do início da guerra. A concorrente Thomas Cook, de Oberursel, com a marca Neckermann, havia recebido cerca de 150 pedidos semelhantes até o fim de semana. E isso, considerando que as duas agências não mudaram as rotas nem reduziram o número de países de destino de seus vôos para balneários turísticos.

Desde o início da guerra, as principais agências de turismo da Alemanha estão oferecendo a seus clientes a possibilidade de trocarem gratuitamente pacotes comprados antes do conflito. Na TUI, em 70% dos casos os clientes adiaram suas férias. O restante mudou seu destino, trocando as praias da Turquia, do Chipre e do Egito pela costa oeste do Mar Mediterrâneo. A Thomas Cook registra muitas transferências de viagens da Turquia para Mallorca (Espanha) e Portugal. As duas agências também dizem ter recebido muitos telefonemas de turistas pedindo mais informações sobre seus países de destino.

As rotas de vôo da Hapag Lloyd, subsidiária da TUI, até agora não foram atingidas pelas restrições ao espaço aéreo internacional, em função do conflito no Golfo Pérsico. O mesmo vale para a Thomas Cook Airlines (ex-Condor), que apenas mudou algumas rotas no Extremo Oriente, contornando o Iraque mais ao norte.

Motivo de força maior

Segundo Ronald Schmid, especialista em direito do turismo e tráfego aéreo, turistas que haviam comprado pacotes com destino a países próximos da região em guerra não têm direito a cancelamento gratuito. "Pode-se rescindir um contrato de viagem a qualquer momento", declarou Schmid à agência de notícia dpa, em Frankfurt. "Mas gratuitamente isso só é possível em casos imprevisíveis de força maior, que restrinjam, ameacem ou dificultem a viagem. A guerra no Iraque atualmente não preenche esses requisitos, em se tratando de férias programadas para o Egito, a Turquia ou os Emirados Árabes Unidos", disse.

"O medo geral ou a mera sensação de mal-estar não são motivos de força maior, de jeito nenhum", afirmou. Na melhor das hipóteses, pode-se aceitar que no Kuwait e no sudeste da Turquia, onde ocorrem movimentos de tropas, haja restrições para turistas. "A situação, porém, pode mudar a qualquer momento", afirmou. As advertências feitas pelo ministério alemão das Relações Exteriores, quanto a países perigosos em termos de turismo, servem de indício, mas nem sempre são decisivas para as agências de turismo.

Os agentes de viagem só seriam obrigados a oferecer a possibilidade de cancelamento gratuito, caso, no momento da compra da passagem, a guerra como motivo de força maior fosse imprevisível. Como a crise do Iraque já dura meses, segundo Schmid, as chances de cancelar gratuitamente um pacote comprado há poucas semanas são mínimas. Ele sugere que os turistas preocupados aproveitem as generosas ofertas de algumas agências, para mudarem seus planos de férias no exterior.

Crise e cortes - A guerra no Iraque pode agravar a crise no setor turístico alemão, que ainda não se recuperou completamente dos efeitos do ataque terrorista aos EUA, em 11 de setembro de 2002.

A TUI anunciou, nesta segunda-feira (24), mais um pacote de contenção de custos no valor de 150 milhões de euros para 2003. Em 2004, a agência quer economizar mais 100 milhões de euros. Um terço dos cortes refere-se à redução de pessoal, mas a empresa não informou quantos funcionários serão demitidos.

Nos últimos doze meses, a agência implementou dois pacotes de contenção de custos no valor de 111 milhões de euros. A TUI emprega cerca de sete mil funcionários no ramo de turismo na Alemanha. No ano passado, faturou 20 bilhões de euros, contra 22,4 bilhões no ano anterior.