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Brasil

Guerra, ficção e testosterona: mídia alemã avalia "Tropa de Elite"

Apesar das referências constantes às controvérsias geradas no Brasil, mídia alemã tende a ver "Tropa de Elite" com bons olhos.

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'Tropa de Elite' em Berlim: debate continua

As opiniões da mídia alemã sobre Tropa de Elite se dividem entre muitos elogios e poucas críticas. De uma forma ou de outra, o filme, exibido no Festival de Cinema de Berlim, esteve mais presente no país que qualquer outra contribuição brasileira dos últimos anos. Prova de que, goste ou não, o espectador não sai ileso de uma exibição de Tropa.

Ficção e realidade não se distinguem no Rio

"O Brasil tem um novo herói. Eleito pelo povo, confirmado milhões de vezes e amado como só o carnaval é. O herói se chama Capitão Nascimento e é o protagonista do filme Tropa de Elite, que está sendo exibido no Festival de Cinema de Berlim. O fato de que o filme, na verdade, foi pensado de outra forma e que o Capitão não é um policial de verdade, mas sim um personagem criado, não importa ao povo. Isso é o que o diretor José Padilha tenta, há meses e em vão, deixar claro – ao lado do ator principal Wagner Moura, cuja interpretação excelente, de um Nascimento situado entre a eficiência no trabalho (violenta, mas em nome da honra) e os momentos em que duvida de si mesmo, faz com que o personagem pareça ainda mais real. Talvez o Brasil tenha uma necessidade muito grande de heróis. Talvez ficção e realidade sejam mesmo difíceis de se distinguir em cidades como o Rio de Janeiro, onde, em 2007, quase todos os dias morre alguém vítima de uma bala perdida, onde os pupilos da classe média se estabelecem como traficantes de drogas e onde há regiões nas quais nem mesmo a polícia tem coragem de entrar. É claro que o filme Tropa de Elite atinge um nervo de cuja sensibilidade talvez nem mesmo o diretor Padilha tenha tido consciência anteriormente." ( Die Zeit)

Sem tempo para pensar

"No metralhar de cortes, movimentos súbitos de câmera e sons bombásticos do filme, não sobra para o espectador nem um mínimo de tempo para pensar claramente. Pode ser que o diretor, de 40 anos, tenha até estudado em Oxford, mas inteligente seu filme não é. [...] Com toda a paixão e fúria que o diretor possa ter estimulado, talvez ele devesse ter permitido a si mesmo um pouquinho mais de calma e ordem para poder refletir." ( Der Tagesspiegel)

Desconstrução e não glorificação

"A recepção controversa do filme no Brasil deixa várias questões em aberto. A forma com o filme é feito – a câmera instável, a montagem e a música fazem dele um filme digno de ser visto. Não se trata da glorificação de um policial, mas de sua desconstrução." ( taz, die tageszeitung)

Distante de qualquer ideologia

"O filme oscila magistralmente entre ficção e (pseudo)documentário, a história se desenrola de forma interessante e original, sem favorecer ninguém com isso. Dessa forma, ele se mantém distante de pontos de vista ideológicos e chega perto da realidade." ( Berliner Zeitung)

Guerra que deforma

"É fácil acusar o filme de Padilha de tomar, no confronto entre uma base policial corrupta, traficantes inescrupulosos e uma elite robusta, o partido desta última. No entanto, no que Tropa de Elite acompanha conseqüentemente a perspectiva e o objetivo de seu protagonista – com sua câmera inquieta e cortes de deixar a respiração suspensa –o filme mostra muito mais é como essa guerra deforma seus protagonistas e cava ainda mais o abismo que divide a sociedade brasileira." ( Site do canal de TV Arte)

Loucura movida a testosterona e medo

"Também do Brasil veio o melhor filme de gângsteres da última década ( Cidade de Deus), e agora esse policial interessante do diretor José Padilha, que reproduz visualmente de forma adequada, com uma câmera trêmula e febril e cortes rápidos, toda essa loucura movida por testosterona e medo. Mas o filme não é nada para moradores de Kreuzberg [bairro alternativo de Berlim] e outras pessoas que já saem histericamente gritando 'Estado policial', quando inofensivos e gordos policiais alemães prendem um traficante dando uma gravata no mesmo." ( Die Welt)

Só lados errados

"José Padilha filmou essa história de forma arrebatadora e contra todas as convenções de estilo de um consenso cinematográfico internacional. Ele leva o espectador, mas sem a intenção manipuladora de dar explicações fáceis, provocar identificações simplistas ou induzir soluções baratas. Ele leva este espectador muito mais à complexidade de cenas e situações, nas quais não é possível estar do lado certo. Simplesmente porque, na realidade, só há lados errados". ( Site Perlentaucher)

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