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Alemanha

Guerra entre gerações

No Dia Internacional da Juventude, a ONU pretende chamar atenção para os problemas dos jovens. Na Alemanha, parlamentares da nova geração assinaram há pouco um documento de reivindicações. Klaus Dahmann comenta.

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Jovens em frente ao Reichstag, em Berlim: preocupação com o futuro

O verão europeu é sempre uma boa oportunidade para aqueles que passam o resto do ano sonhando com os 15 minutos de fama: basta fazer uma observação em tom de provocação, que esta já ecoa estrondosamente na mídia. Num piscar de olhos, todo o país passa a conhecer o nome do provocador. Isso é o que provavelmente pensou Philipp Missfelder, ao criar o slogan "não a novas próteses da articulação coxo-femural para pessoas acima de 85 anos".

Era óbvio que a afirmação desencadearia uma onda de protestos. Da mesma forma, eram também previsíveis os aplausos cínicos dos parlamentares jovens e, claro, de eleitores na mesma faixa etária. Afinal, carreira profissional planeja-se com antecedência. E, até hoje, no decorrer da história alemã, todos os ex-presidentes da União Jovem – que reúne a ala jovem da União Democrata Cristã (CDU) – acabaram se tornando nomes conhecidos na vida pública do país. Pelo que parece, é o que procura Missfelder, do alto de seus 23 anos.

"Velhos por todos os lados"

Lugares comuns são encontrados com freqüência no emaranhado de argumentos dos jovens parlamentares, que assinaram o memorando "Alemanha 2020". A reclamação: só rostos velhos, qualquer que seja a direção em que se olha – das cabeças dos partidos, passando pelo governo e chegando ao Parlamento. E estes "velhos", claro, só querem saber de garantir sua própria aposentadoria e um tratamento exemplar em caso de doença.

Dos interesses da juventude, do medo desta de ter, no futuro, que pagar do próprio bolso – nada recheado – os custos cada vez mais altos com aposentadoria e saúde, disto os "velhos" não cuidam. Eles, afinal, não conseguem entrar em sintonia com qualquer pessoa mais jovem, acredita a deputada verde Grietje Bettin, 28 anos. Ela e seus correligionários, no entanto, não acabaram nas manchetes de jornal. Missfelder, por outro lado, conseguiu seu espaço na mídia por quase duas semanas consecutivas.

É óbvio que os enfants terribles sabem que o atual debate sobre a reforma da previdência não pode ser reduzido à fórmula "velhos x jovens". As linhas de confronto vão além. Um exemplo é a política de saúde: durante décadas a fio, o governo e a oposição – ocupados alternadamente por democrata-cristãos e social-democratas – bloquearam-se mutuamente.

Philipp Mißfelder

Philipp Missfelder, presidente da democrata-cristã "União Jovem"

Lobbyistas de plantão

Na espreita, estavam sempre presentes os lobbies de médicos, da indústria farmacêutica e das associações de seguradoras. Todos fazendo frente às propostas indesejadas de reforma. Tudo isso está claro para a ambiciosa geração de políticos jovens. Mas o que interessa a eles é se aproveitar da posição de advogados dos interesses da juventude.

O feitiço, contudo, acaba virando contra o feiticeiro. Quem quer ser levado a sério – e isso é certamente o que deseja Missfelder e toda sua turma – não deve vir com balelas, mas com conceitos sensatos. Está certo e é importante que os jovens políticos participem do debate sobre as reformas – seja dentro de seus partidos ou no Parlamento. Todos esses temas devem ser analisados detalhadamente por eles. O que não se deve fazer é incitar as relações entre as gerações, mas sim apresentar modelos de soluções aceitáveis para todos.

Boas idéias são bem-vindas, principalmente em tempos de desemprego. Pois sair da escola sem a possibilidade de aprender um ofício e perambular por aí sem trabalho encabeça, como antes, a lista dos maiores medos dos mais jovens. E é por isso que a clientela de eleitores abaixo dos 30 anos - cujos interesses os "jovens selvagens" pretendem representar – iria, em caso de sucesso das propostas, realmente aplaudir de pé.

Em defesa dos próprios interesses

Da forma como é, porém, o que fica na boca após o breve fim do debate entre as gerações é apenas um gosto podre – e a sensação de que os jovens políticos perseguem, em primeira linha, apenas seus próprios interesses. O mote parece ser: "O que importa é que meu nome tenha aparecido uma vez em letras garrafais nas manchetes dos jornais".

Isso faz, no entanto, com que eles – como acontece pelo menos no caso Missfelder – não sejam mais levados a sério nem mesmo por seus colegas mais velhos de partido. E isso definitivamente não pode ser de interesse para a nova geração.

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