1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

"Guerra do chocolate" opõe Ritter Sport e órgão de defesa do consumidor alemão

Disputa judicial em torno de um aromatizante é acompanhada com atenção na Alemanha. Em jogo está a imagem de duas instituições nacionais: a marca de chocolates Ritter Sport e a Fundação Warentest, que avalia produtos.

A disputa judicial entre uma tradicional marca de chocolates e um influente órgão de proteção dos consumidores provoca há dias polêmica na Alemanha. Em jogo está o prestígio de duas grandes marcas do país. O último capítulo do duelo foi nesta segunda-feira (13/01), quando um tribunal regional de Munique deu ganho de causa à Ritter Sport, que pode continuar sustentando só utilizar ingredientes naturais em seus produtos.

A Fundação Warentest (literalmente "teste de produtos") prometeu recorrer da sentença mas, ao menos por enquanto, está proibida de acusar a Ritter Sport de incluir aromatizante artificial em suas receitas, sob o risco de pagar multa de 250 mil euros. Essa é uma das poucas derrotas judiciais que a reconhecida entidade já sofreu em seus quase 50 anos de existência.

LOGO Stiftung Warentest

Produtos com boas notas imprimem marca em suas embalagens

O início da chamada Schokoladenstreit (literalmente "briga do chocolate") foi no fim de novembro, quando a Fundação Warentest deu nota baixa à Ritter Sport Voll-Nuss, barra de chocolate ao leite com avelãs da série de chocolates Ritter Sport, numa avaliação publicada em sua revista Test. A justificativa foi que um aromatizante usado na barra é artificial, embora a empresa afirme só empregar ingredientes naturais.

Na interpretação do tribunal de Munique, a Ritter Sport tem razão ao afirmar que um aromatizante da composição de seus chocolates é natural. A empresa argumenta que a substância, chamada heliotropina, usada para dar aroma de baunilha e amêndoas a seus produtos, é natural, já que é extraída de plantas.

Mais de cem mil produtos avaliados

A heliotropina tanto pode ser obtida quimicamente como extraída de matérias-primas naturais. A Fundação Warentest argumenta que a Ritter Sport não conseguiria obter tanta heliotropia de origem natural para abastecer sua produção. Já a Ritter rebate que seu fornecedor de heliotropina garante a origem natural do produto.

Oficialmente, a Fundação Warentest é um "instituto para análises comparativas de mercadorias e serviços" e publica mensalmente a revista Test, que traz exames detalhados de diversos produtos, divulgando notas para cada um deles, de acordo com quesitos como qualidade, durabilidade, praticidade, conforto, entre outros.

Stiftung Warentest

Revista "Test" é a "bíblia" do consumidor alemão

Desde sua criação, em 1964, a Fundação Warentest já analisou mais de 100 mil produtos. Uma derrota diante dos tribunais pode abalar uma das instituições com maior credibilidade na Alemanha. Por isso, a indústria alemã observa atentamente o resultado desse duelo.

Melhor reputação que a polícia

Financiada parcialmente pelo governo alemão, a Fundação Warentest tem melhor reputação entre os alemães que a polícia, a Cruz Vermelha e o Greenpeace. Uma sondagem constatou que um terço dos consumidores do país guia suas decisões de compra de acordo com os resultados apresentados pela organização.

Uma nota baixa dada pela fundação a um produto pode causar grandes prejuízos ao fabricante. Já as notas altas da Warentest são sinônimo de aumento de vendas e são exibidas com orgulho nas embalagens das mercadorias, juntamente com a logomarca da fundação.

Poucas empresas se arriscam a entrar numa batalha judicial contra a Fundação Warentest. De acordo com a própria instituição − que testa mais de dois mil produtos por ano −, apenas entre quatro e cinco empresas recorrem anualmente a um tribunal para tentar contestar a entidade. "Nunca tivemos que pagar uma indenização", enfatiza um porta-voz do órgão.

Leia mais