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Economia

Guerra do aço: UE deve adiar resolução sobre sanções contra os EUA

Como Washington só divulga aos poucos as exceções às sobretaxas que impôs sobre as importações de aço, a UE deve adiar a decisão sobre a adoção de sanções contra os EUA.

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Rolos de aço numa siderúrgica em Ohio

Ao que tudo indica, a União Européia irá adiar mais uma vez as sanções comerciais que pretendia aplicar contra os Estados Unidos, no conflito comercial do aço. Essa é a tendência que se delineia, pouco antes do encontro dos ministros das Relações Exteriores, na próxima segunda-feira (22), em Bruxelas. Segundo fontes diplomáticas, não há maioria entre os países-membros para a aprovação de taxas de represália contra têxteis e outros produtos norte-americanos importados, no valor de 378 milhões de euros. Principalmente a Alemanha, Grã-Bretanha, Áustria e Irlanda são contra sanções imediatas. Em parte, porque ainda não se tem uma idéia clara sobre os prejuízos e conseqüências para a indústria européia do aço. O que se sabe é que os preços do aço subiram 40% nos EUA desde a adoção das sobretaxas.

Bruxelas responde na mesma moeda

As autoridades de Bruxelas devem condenar mais uma vez a iniciativa protecionista de Washington, mas só passarão à fase das represálias quando estiver certo que o governo norte-americano fez poucas exceções às sobretaxas. "Nós vamos manter o dedo no gatilho, mas sem disparar ainda", disse um diplomata europeu citado pelo Handelsblatt. Quem critica o estilo de cowboy do presidente George W. Bush na política, não pode mesmo sair disparando.

O adiamento da decisão é a forma dos europeus reagirem à tática americana de protelar decisões sobre os pedidos de exceção das indústrias européias. Bush já deu a entender que antes do final de agosto não se decidirá nada. Ao admitir exceções, os EUA mostram sua boa vontade de evitar uma escalada do conflito, mas elas não passam de uma pequena válvula de escape. "A Comissão Européia considera as exceções às sobretaxas concedidas até agora pelos EUA totalmente insuficientes", disse o porta-voz do comissário do Comércio da UE, Pascal Lamy, na quarta-feira (17), expressando uma opinião compartilhada pelos industriais.

As queixas das indústrias alemãs

O balanço que a indústria alemã faz das exceções obtidas é bastante magro. Firmas alemãs solicitaram a liberação de sobretaxas para 700 mil toneladas a serem exportadas, mas só obtiveram para 10% dessa quantia até agora, queixa-se Albrecht Kormann, da Federação Alemã das Siderúrgicas. Washington aprovou quase todos os pedidos de firmas pequenas, mas está protelando os dos grandes grupos. Principalmente as indústrias automobilística e de tubulações estão em compasso de espera. A União Européia solicitou liberação para 2,7 milhões de toneladas, tendo obtido até agora isenção apenas para 330 mil toneladas.

Em março o presidente Bush estabeleceu sobretaxas de até 30% sobre as importações de aço da União Européia e de vários países, o Brasil inclusive, temendo que as antiquadas siderúrgicas americanas não conseguissem mais se impor frente à concorrência internacional. As sobretaxas estão contribuindo para manter artificialmente em vida empresas que já não são competitivas, segundo o porta-voz de Pascal Lamy, que observou: "Alguns cadáveres saíram andando novamente".

Washington está agindo com contenção. Mesmo que a UE opte por sanções no dia 22/07, o governo americano não pretende atiçar o conflito. Greg Aldonas, alto funcionário da Secretaria do Comércio, disse que uma escalada só prejudicaria o comércio mundial. Os Estados Unidos, segundo ele, pretendem se ater estritamente ao que decidir a Organização Mundial do Comércio. A decisão só é esperada no próximo ano.

Aumentam exportações alemãs para os EUA

Apesar das sobretaxas, que na verdade só entraram em vigor após o primeiro trimestre, as exportações alemãs de aço para os EUA melhoraram este ano, após uma queda de 18% em 2001. Elas aumentaram em 18% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, informou o Departamento Federal de Estatísticas. Em 2001, saíram dos altos-fornos na Alemanha para os EUA 1,21 milhão de toneladas de aço, no valor de 730 milhões de euros, isto é, 260 mil toneladas a menos do que em 2000. A principal razão dessa diminuição foi o desaquecimento da conjuntura nos EUA. Ao todo, a Alemanha exportou 27,4 milhões de toneladas no ano passado. Sua produção total, segundo os dados divulgados na quarta-feira (17) foi de 45 milhões de toneladas de aço bruto, o que representa 28% da produção da União Européia.