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Mundo

Guerra antiterror ameaça países árabes

Cinco anos após o 11 de setembro de 2001, o mundo árabe enfrenta guerra, terrorismo, caos e uma instabilidade sem precedentes. Isso poderá incitar guerras regionais, das quais a Europa com certeza não sairia ilesa.

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Mundo árabe perdeu confiança no Ocidente

Qual a situação do mundo árabe cinco anos após o 11 de setembro de 2001? Responder esta questão é tão difícil quanto definir as tendências que vêm se delineando neste foco de conflito da política mundial.

"Inegável é o fato de terem surgido, após esses terríveis acontecimentos, novas tendências extremistas e grupos terroristas desconhecidos até então", constata o historiador sírio Sagie Qurqmas, renomado em seu país. "E geralmente não se sabe quem está apoiando, na realidade, esses inúmeros grupos terroristas."

US-Offensive gegen Rebellenhochburg Tal Afar oder Tall Afar im Irak

Ofensiva norte-americana no Iraque

Qurqmas acredita que os países de língua árabe são os que mais estão sentindo os efeitos da guerra antiterror que sucedeu aos atentados de 11 de setembro de 2001. Esta constatação não é desmentida pelo presidente norte-americano, George W. Bush, cuja estratégia declarada é deslocar a guerra antiterror dos EUA para outros países.

De acordo com Qurqmas, o Ocidente e sobretudo os EUA declararam os países árabes a fonte do radicalismo e terrorismo: "Mesmo que este seja o caso de alguns árabes, não se podem generalizar as ações de uma minoria. Radicalismo existe em todas as sociedades, independentemente de orientação religiosa ou nacionalidade".

Por outro lado, Qurqmas acredita que essa política norte-americana, equivocada na sua opinião, incitou os árabes moderados e abertos ao diálogo a aderirem ao reduto dos provocadores radicais – "tudo isso por causa da política de ocupação e violência praticada pelos EUA".

As acusações generalizantes feitas pelo Ocidente só aumentou o abismo entre as regiões enquadradas no "Ocidente" ou no "mundo árabe". Este abismo se agravou ainda mais com a ocupação do Iraque pelos EUA e por seus aliados, com o fracasso do processo de paz israelense-palestino e com a recente guerra de Israel contra o Líbano. "Isso, sem falar da forma ambivalente com que o Ocidente lida com questões como democracia e direitos humanos", acrescenta Qurqmas.

Enfraquecimento de forças seculares

Até os acontecimentos de 11 de setembro, as democracias ocidentais eram exemplo para as forças seculares no mundo árabe, que tentavam substituir os regimes totalitários e repressivos da região por sociedades democráticas.

USA Flagge vor Guantanamo

Guantánamo: ponto final no doutrinamento democrático

No entanto, após as violações dos direitos humanos nas prisões de Guantánamo e Abu Ghraib, após os escândalos envolvendo a CIA na Europa e diante do apoio irrestrito dos EUA a Israel em sua guerra contra os palestinos e os libaneses, os americanos e seus aliados europeus perderam muita credibilidade no mundo árabe.

"Ninguém mais quer ouvir falar do Ocidente entre nós", afirma o jornalista Abdel-Karim Shaheen, descrevendo o clima na Síria: "Afinal, a opinião dominante é de que os sermões ocidentais de democracia perderam seu valor."

Shaheen se pergunta que democracia é essa que se quer impor ao mundo árabe com tanques, bombas e jatos de combate, mesmo que o preço seja a morte de milhares de pessoas e a destruição das condições locais de existência. Será que a democracia ocidental realmente justifica este aterrorizante número de vítimas?, indaga ele.

O jornalista é de opinião de que o Ocidente não quer contribuir de fato com a democratização, mas só pretende assegurar seus interesses no petróleo e nos mercados econômicos dentro do mundo árabe. Isso também justificaria sua proximidade com os governantes totalitários da região.

Teorias de conspiração

Por outro lado, o fortalecimento de grupos radicais islâmicos aumentou a ameaça de terrorismo no mundo árabe. Neste ponto concordam os jornalistas Najh Al-Obaidi, do Irã, e Atef Afif, do jornal sírio Tishrin. Essa ameaça já se faz perceber em países como Egito, Tunísia, Marrocos, Arábia Saudita, Jordânia, Síria e outras nações árabes.

Uma conseqüência disso é a iniciativa de alguns governos árabes em reforçar as medidas de segurança e promulgar leis antiterror. O problema dessas leis, contudo, é que elas limitam ainda mais as liberdades individuais. As reformas democráticas a serem impulsionadas foram contidas. A prioridade no momento é perseguir e eliminar os terroristas.

A isso se juntam medidas em reação à ameaça militar representada pelos EUA e Israel. Tudo isso aumentou o prestígio e reforçou a posição dos regimes totalitários no mundo árabe, principalmente porque a população passou a respeitá-los mais do que, por exemplo, o atual regime no Iraque.

"As pessoas preferem viver num Estado vigiado a viverem num Estado no qual impera o caos e o derramamento de sangue, como está ocorrendo no Iraque sob ocupação americana e britânica", opina o colunista Jameel Abu Hassan.

O jurista iraquiano Najh Al-Obaidi, por sua vez, alerta para um "verdadeiro boom de teorias de conspiração no mundo árabe, como se o mundo não tivesse coisa melhor a fazer do que tecer planos malignos contra as populações árabes e muçulmanas".

Perspectivas inquietantes

Libanon - Bombeneinschläge im Süden

Bombardeios no sul do Líbano

Cinco anos após os acontecimentos de 11 de setembro, o futuro do mundo árabe parece bastante amendrontador. O processo de paz nos territórios palestinos estagnou. O Iraque está em guerra civil. No Líbano, as perspectivas após a guerra são mais que difusas. As populações dessas regiões temem novas divisões dos países árabes, segundo consta do esboço norte-americano para o Oriente Médio apresentado pela Secretária de Estado Condoleezza Rice durante a última guerra do Líbano.

O jornalista libanês Ghassn Abu Hamad e o sírio Atef Afif atribuem esse temor à tentativa de Washington e seus aliados implementarem esse plano através da força militar. Isso só levará ao caos também fora do Iraque, e poderá significar a divisão do mundo árabe em comunidades de diferentes confissões a se combaterem mutuamente ad infinitum.

O correspondente da popular Radio Monte Carlo, Ghassn Abu Hamad, lembra que "mesmo apesar de todas as crises e irritações, o mundo árabe e o Ocidente dependem um do outro. Não existe outra alternativa para o respeito mútuo e a abertura ao diálogo".

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