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Cultura

Guerra ameaça legado cultural da antiga Mesopotâmia

O Iraque está localizado na planície da Mesopotâmia, com incontáveis objetos de arte e monumentos históricos, o mais antigo do século 6 a.C.

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Ruínas de Hatra, no Iraque, conhecida como a "cidade do sol"

A lista de monumentos culturais no Iraque é longa. Por todos os lados encontram-se templos e ruínas, estátuas e palácios de culturas antigas. Os especialistas estimam que exista cerca de 10 mil sítios históricos e arqueológicos na região, cuja maioria ainda nem foi pesquisada.

Um bombardeio na antiga Mesopotâmia colocaria em risco todo este legado histórico, avaliou Margarethe van Ess, do Instituto Alemão de Arqueologia, em Berlim. "O Museu Nacional de Bagdá fica no centro da cidade, perto de alguns ministérios que são, naturalmente, alvos de ataques aéreos. Não creio que o museu em si esteja ameaçado, pois acho que os colegas iraquianos irão evacuá-lo. Mas os objetos maiores e imóveis – como por exemplo, a pesada escultura de pedra da época assíria – estão em perigo."

Riquezas do mundo antigo

Realmente poucos bens culturais podem ser colocados em segurança, já que muitos são patrimônios localizados em áreas geograficamente desfavorecidas em caso de guerra. A Babilônia abriga o palácio do rei Nabucodonozor, do século 6 a.C., onde pesquisadores encontraram indícios dos Jardins Suspensos, considerados uma das Sete Maravilhas do mundo antigo. Não muito distante dali, Saddam Hussein mandou construir seu palácio presidencial, que é considerado outro ponto de ataque americano.

Outros locais críticos são Ur, cidade natal do profeta Abraão, que fica próxima de um aeroporto militar e a antiga cidade de Mossul, onde estão as ruínas de Nínive, considerada o berço da civilização mesopotâmica.

Preservação dos bens culturais

Durante a Guerra do Golfo, os ataques aéreos norte-americanos causaram poucos estragos no patrimônio cultural da região: uma bomba explodiu um templo e alguns estilhaços de bombas atingiram monumentos históricos.

"Guerra não é brincadeira e, dependendo da manobra militar, alguns legados históricos serão destruídos, não tenho a menor dúvida", disse van Ess, destacando também que não acredita que os americanos tenham interesse em bombardear os bens culturais.

A Secretaria da Defesa dos Estados Unidos criou, em novembro de 2002, uma comissão de especialistas para elaborar um mapa com a localização exata dos monumentos históricos no Iraque, a partir de informações de mapas antigos. O objetivo é justamente evitar ataques aéreos em locais indevidos.

Saqueadores, o perigo maior

Outro aspecto preocupa entretanto os arqueólogos: baseados na experiência da Guerra do Golfo, eles consideram muito mais perigoso o período pós-guerra do que o bombardeio em si. Durante o embargo das Nações Unidas, um grande número de iraquianos decidiu vender objetos de arte roubados para tentar sair da miséria. "Eles vasculham e saqueiam sítios arqueológicos da antiga Mesopotâmia, causando um estrago enorme ao patrimônio mundial", lamentou Margarethe van Ess.

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