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Mundo

Guatemaltecos vão às ruas exigir renúncia do presidente

Sob pressão de vários setores da sociedade, Pérez Molina nega ter chefiado rede de corrupção que fraudava impostos. Procuradoria Geral recomenda afastamento do chefe de governo a fim de evitar "instabilidade nacional".

Dezenas de milhares de guatemaltecos saíram às ruas do país nesta quinta-feira (27/08) para exigir a renúncia do presidente Otto Pérez Molina, acusado de corrupção. O presidente se recusa a deixar o cargo apesar do clamor da população, da Igreja, de empresários e de algumas instituições estatais.

Levando faixas com a frase "a Guatemala não tem presidente", os protestos ocorreram em diversos municípios do país, incluindo a capital, a Cidade da Guatemala. Além disso, estabelecimentos, como a cadeia de fast food McDonald's e a Cervejaria Centroamericana, fecharam as portas em apoio às manifestações.

"Vim fazer pressão para a renúncia, porque acho que Pérez Molina está ganhando tempo", disse o publicitário Felipe Flores, de 25 anos, que participou do protesto que lotou as ruas da capital. "Não é possível que o presidente faça vista grossa e ignore que a população não o queira no poder", acrescentou.

Pérez Molina é acusado de participar de uma rede de contrabando e fraude de impostos. Não há sinais de que o político, um general aposentado de 64 anos, irá renunciar antes das eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 6 de setembro. O presidente também negou veementemente ter chefiado a poderosa máfia alfandegária chamada de "A Linha".

Nesta semana, a Suprema Corte da Guatemala aceitou o pedido da procuradora-geral Thelma Aldana para o afastamento do presidente, cuja decisão cabe agora ao Congresso. A procuradoria "recomenda ao presidente constitucional da República da Guatemala que apresente a sua demissão a fim de evitar que venha a deparar-se com a impossibilidade de governar e a instabilidade nacional que isso pode causar".

Uma comissão formada por cinco deputados foi nomeada pelo Congresso e tem 60 dias para analisar se há indícios suficientes para que o chefe de governo perca a imunidade e seja julgado. Para isso, será necessário o apoio de dois terços do Congresso.

Caso isso aconteça, Pérez Molina poderá seguir os passos de sua ex-vice-presidente, Roxana Baldetti, que foi acusada por vários crimes e presa preventivamente nesta semana.

As investigações do Ministério Público local e da Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (CICIG), respaldadas pela ONU e pelos Estados Unidos, apontam que Pérez Molina e Baldetti estariam no comando de uma rede de corrupção que recebia subornos dos empresários para fraudar a Receita e as alfândegas do país.

A pressão sobre o presidente, que termina seu mandato em janeiro de 2016, aumentou nos últimos dias com a renúncia de pelo menos cinco ministros e com o pedido formal de várias esferas políticas e civis para que o chefe de estado abandone o cargo.

FCA/rtr/lusa

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