Guarda Revolucionária anuncia fim de ″insurreição″ no Irã | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 03.01.2018
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Mundo

Guarda Revolucionária anuncia fim de "insurreição" no Irã

Tropas são enviadas para as três províncias onde ocorreram os maiores protestos dos últimos dias. Milhares saem às ruas em diversas cidades para apoiar o governo.

Milhares de iranianos marcharam em Teerã em apoio ao governo

Milhares de iranianos marcharam em Teerã em apoio ao governo

Depois de uma semana de protestos, a Guarda Revolucionária do Irã enviou nesta quarta-feira (03/01) tropas para três províncias do país para conter as manifestações contra o governo. O movimento ocorreu no mesmo dia em que milhares de pessoas saíram às ruas em diversas cidades iranianas para demonstrar apoio ao regime.

De acordo com o chefe da Guarda Revolucionária, general Mohammad Ali Jafari, os reforços para conter "novas conspirações" foram enviados às províncias de Isfahan, Lorestan e Hamadan, onde ocorreu o maior número de mortes nos protestos. Jafari anunciou ainda o "fim da insurreição", em referência às manifestações dos últimos dias contra a política econômica do governo.

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O general agradeceu o apoio da população ao regime e afirmou que a "presença do povo em momentos duros e de crise dificultou os planos conspiratórios" e permitiu uma identificação mais rápida dos seus autores por parte das forças de segurança.

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Protestos no Irã chegam ao sexto dia com mais de 20 mortos

A série de protestos começou na quinta-feira passada na cidade de Mashad, segunda maior do país, e se estendeu a várias outras. Confrontos entre manifestantes e forças de segurança deixaram ao menos 21 mortos. Mais de mil manifestantes foram detidos.

Jafari afirmou que os protestos foram promovidos por opositores e assegurou que o governo vai agir com firmeza contra eles.

Na terça-feira, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, acusou os "inimigos" do país de estarem por trás das manifestações, mas não mencionou nomes. "Nos últimos dias, os inimigos do Irã usaram diferentes ferramentas, incluindo dinheiro, armas, política e aparato de inteligência, para criar problemas para a República Islâmica", ressaltou.

Manifestações pró-regime

Em reação aos protestos antigovernamentais, milhares de pessoas marcharam nesta quarta-feira em várias cidades do Irã para expressar apoio ao regime. Os manifestantes gritaram "morte aos Estados Unidos, morte a Israel" e pediram o fim da onda de protestos. Imagens da emissora de televisão estatal mostraram grupos levando bandeiras do país e fotografias de Khamenei.

Entre as cidades onde aconteceram as manifestações estão Ahvaz, Kermanshah, Bushehr, Abadan, Gorgan e Qom, onde os manifestantes portaram cartazes nos quais pediam ao governo que preste atenção às reivindicações da população.

Segundo a imprensa local, as manifestações pró-regime aconteceram de maneira espontânea, razão pela qual não foram solicitadas permissões. De acordo com as imagens de televisão, muitas ruas acabaram bloqueadas. Já a Organização da Promoção Islâmica da província de Teerã convocou novas marchas para sexta-feira, destinadas a condenar os protestos antigovernamentais.

A recente onda de protestos no Irã é considerada a maior desde a revolta de 2009, quando uma série de manifestações tomou as ruas do país contra supostas fraudes eleitorais a favor do linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, logo se tornando um movimento de maior escala de contestação ao regime dos aiatolás.

Desta vez, os protestos tiveram inicialmente a inflação e o desemprego como alvo, mas logo ganharam tom político, com críticas ao presidente Hassan Rohani e a Khamenei. Não está claro, porém, se as manifestações, que acontecem por todo o país, tem uma reivindicação uníssona. 

Rohani assumiu o governo para um segundo mandato em agosto, com promessas de revitalizar a economia, minada por sanções internacionais. Os investimentos estrangeiros estão em alta, mas o país continua a sobreviver, sobretudo, da venda de petróleo.

O desemprego entre jovens atingiu recentemente a marca de 40%. Muitas das sanções internacionais foram revogadas com o acordo nuclear de 2015, mas medidas unilaterais americanas contra transações financeiras com o Irã continuam a minar a economia e impedem a maioria dos bancos ocidentais de conceder crédito a iranianos.

CN/efe/rtr/ap/afp

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