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Economia

Grundig: morre mais um mito alemão?

Após a vã procura de um investidor forte, a venerável produtora de artigos eletrônicos Grundig entrou com pedido de insolvência. Cerca de 1400 funcionários na Alemanha temem pelo futuro.

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Sede alemã da empresa é em Nurembergue

A declaração de insolvência não foi surpresa. Há um mês, a taiuanesa Sampo desistira da já solenemente anunciada incorporação da empresa alemã. Em seguida fracassaram as negociações com o último interessado, o fabricante de televisores Beko, da Turquia. Sucedendo a Hans-Peter Kohlhammer, que falhou no saneamento das finanças da empresa, Eberhard Braun foi nomeado presidente da Grundig. Seu trunfo é larga experiência em casos de insolvência, havendo acompanhado os processos do construtor de aeronaves Fairchild e do grupo Flowtex.

Após a entrada do pedido no Tribunal de Primeira Instância de Nurembergue, o advogado Siegfried Beck dará seu parecer sobre a situação financeira da Grundig, antes da declaração definitiva de insolvência. Beck já geriu o processo da cadeia de artigos de fotografia Porst. Em maio, o tribunal decidirá se ele se ocupará sozinho do futuro da Grundig ou se a empresa poderá participar paralelamente, com autonomia limitada, através de Eberhard Braun.

O chefe do conselho de empresa da Grundig, Thomas Schwarz, faz questão de manter uma atitude positiva. Para ele, o requerimento de insolvência é uma chance de evitar a falência da tradicional empresa, sediada na Francônia, Baviera. Sua esperança do aparecimento de um salvador é confirmada pelo Financial Times Deutschland. Segundo o periódico, ainda em meados de abril deverão ser retomadas as negociações com a Beko. Esta reavivou seu interesse após o anúncio de insolvência: o grupo turco espera assim livrar-se dos elevados encargos com aposentadorias, economizando 200 milhões de euros.

Desde 2000, Anton Kathrein, fabricante de antenas parabólicas de Rosenheim, na Baviera, detém 89% das ações da Grundig, e o restante está nas mãos de um grupo bancário. A firma acusou um déficit de 150 milhões de euros no ano fiscal de 2001. Ela, que na década de 80 já empregou 38 mil pessoas, possui atualmente cerca de 3800 funcionários em todo o mundo, 1400 dos quais em sua sede, em Nurembergue. Todos continuam tendo bons motivos de temer pelo próprio futuro: segundo observadores do setor, são mínimas as chances de sobrevivência desse mito alemão.

Um pedaço do milagre econômico

Grundig Yachtboy 400

Receptor de ondas curtas Grundig Yachtboy 400

Com a Grundig, desaparecerá um pedaço da história da Alemanha do pós-guerra: a criação de Max Grundig (1908-1989) é um sinônimo do milagre econômico alemão. A empresa marcou os destinos das comunicações internacionais ao lançar, em 1957, o Super Grundig, o primeiro receptor profissional de ondas curtas. Durante décadas, suas TVs foram fonte de orgulho nos lares de toda a Alemanha.

Também para os audiófilos brasileiros das décadas de 60 e 70, os amplificadores e toca-discos da marca alemã eram artigos cobiçados. Seu nome representava o supra-sumo da eletrônica de alta qualidade made in Germany, corporificando uma tradição de pesquisa de ponta e fabricação meticulosa.

Seu calcanhar de Aquiles: o preço. À medida em que os fabricantes asiáticos como Samsung ou Sony inundaram o mundo com artigos eletrônicos ultracompactos e bem mais acessíveis, começou a derrocada do Golias alemão. Sobre ela paira o destino de outros nomes legendários, como Telefunken ou Schneider: desaparecer totalmente ou ser engolida por uma multinacional.