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Alemanha

Ground zero afegão

Bundestag aprova prorrogação da participação das Forças Armadas alemãs nas tropas de segurança da ONU no Afeganistão, que serão comandadas pela Alemanha e Holanda a partir de fevereiro próximo.

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Tropas de segurança ficam pelo menos até fins de 2003

Tratando-se de política externa e da defesa, são raros os casos em que o Parlamento alemão mostra-se unânime em suas decisões. Na sexta-feira (20), porém, foi aprovado por maioria absoluta o prolongamento da atuação da Bundeswehr na ISAF – a Força Internacional de Segurança – no Afeganistão. De acordo com a resolução, os soldados alemães permanecem, principalmente em Cabul, até dezembro de 2003.

Pesada herança – O contingente alemão deverá ser quase que dobrado de 1280 para 2500 homens, e a Alemanha assumirá, ao lado da Holanda, o comando das tropas internacionais de segurança, que devem contar então com cerca de cinco mil soldados. "Nosso engajamento continua. Muita coisa impressionante já foi feita, mas os efeitos de 20 anos de guerra civil e a amarga herança do regime talibã não podem ser eliminados em um ou dois anos. Sem a participação internacional, o povo afegão não consegue sair dessa situação", observa Peter Struck, ministro alemão da Defesa.

Ainda na última quinta-feira (19), um acampamento militar alemão em Cabul foi alvo de um atentado suicida, que matou, além do terrorista, dois intérpretes afegãos. Vítima de mais um inverno rigoroso e devastado pela guerra, num cenário que até propõe uma analogia ao ground zero a 11 de setembro, o país está longe de qualquer estabilidade. "Há, como antes, interesses diversos e rivais. O que se vê ali não pode nem de longe ser chamado de normal", comenta Joschka Fischer, ministro alemão das Relações Exteriores.

Instituto Goethe – Afastado do foco da mídia após a iminência de guerra no Iraque, o Afeganistão continua sendo um dos países mais carentes em ajuda humanitária. Reaver a confiança da população na legitimidade de um governo é a única forma de evitar o renascimento do fundamentalismo islâmico, acredita Harald Leibrecht, do Partido Liberal alemão: "O Instituto Goethe tenta, incansavelmente, ajudar o povo afegão na retomada de sua própria cultura. A reconstrução de uma estrutura administrativa e das instâncias de educação são com certeza as bases corretas para tal."

"Tudo corre como planejado, mas há sempre recaídas", reza paradoxalmente um boletim de avaliação do Ministério alemão do Exterior. A figura de Hamid Karzai na presidência, embora de caráter quase meramente simbólico, reafirma a presença de um Estado, destinado a controlar a ordem pública. No mínimo até as eleições, programadas para meados de 2004, é provável que o país continue a ser policiado pelas forças multinacionais.

Veredicto – Nas quatro conferências – Washington, Cabul, Bonn e recentemente Oslo –, a comunidade internacional reforçou suas promessas de ajuda. A ampliação do contingente da ISAF não deixa de ser uma prova de que esse auxílio, mesmo que longe da medida ideal, virá. Por outro lado, a prorrogação do mandato das forças de segurança é também uma espécie de veredicto para o país, pois estampa a sentença de que os afegãos ainda estão longe de estarem aptos a governar a si mesmos.

Chefes tribais – Com exceção de Cabul, os warlords, senhores de guerra que governam seus domínios em moldes feudais, continuam dando as cartas no interior do país. A segurança é o grande desafio em uma nação que teve, desde o fim da era talibã, vários ministros assassinados e um presidente que escapou por pouco de ser morto. A sobrevivência de Karzai – literal e política – pode ser considerada a grande vitória rumo à democracia.

O caminho até lá, no entanto, deverá certamente ser longo e árduo. Segundo dados da ONG Human Rights Watch, citados pelo diário Neue Zürcher Zeitung, as mulheres afegãs continuam sendo "sistematicamente maltratadas, incomodadas e ameaçadas". Crianças morrem congeladas em conseqüência do rigor do inverno e a mortalidade de mães durante o parto, de 50 ao dia, continua sendo a maior do mundo.

Ópio – Além disso, o cultivo da papoula para a produção de ópio nunca foi tão alto quanto no último ano. Segundo a ONU, mais um reflexo da miséria enfrentada pelos agricultores do país. Ironicamente um país que, durante séculos, serviu de passagem comercial para a famosa Rota da Seda e hoje, em função de sua posição estratégica, poderia desempenhar um papel chave no comércio internacional.

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