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Brasil

"Gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo", afirma Dilma

Em meio a protestos populares, presidente empossa Lula na Casa Civil e parte para o ataque, criticando a divulgação de escutas telefônicas. Pouco depois, juiz suspende nomeação.

A presidente Dilma Rousseff empossou nesta quinta-feira (17/03) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na chefia da Casa Civil. A cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, teve momentos tensos e foi acompanhada de gritos de apoio ao governo, vindos dos convidados.

Também foram empossados Jaques Wagner, como ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, e Eugênio José Guilherme de Aragão, como ministro da Justiça.

Pouco depois, a Justiça Federal de Brasília determinou a suspensão do ato de nomeação de Lula. A decisão é do juiz Itagiba Catta Preta Neto, que entendeu que há indícios de crime de responsabilidade. A transmissão de cargos entre os ministros perde efeito até que uma nova ordem judicial seja decidida. A decisão foi decidida por "risco ao exercício do Judiciário" e tem aplicação imediata.

Se houver recurso, o mérito vai ser decidido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A Advocacia-Geral da União (AGU) já anunciou que vai recorrer da decisão.

Ovação e tumulto

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Novos protestos contra o governo

Quando Lula e Dilma chegaram ao Salão Nobre no Palácio do Planalto foram ovacionados pelos convidados, em sua maioria representantes de movimentos sociais e sindicalistas. Eles gritaram "Lula lá" e "não vai ter golpe".

Pouco antes de a presidente iniciar sua fala, um deputado da oposição presente na plateia foi expulso do lugar, após gritar "vergonha" e dar início a um tumulto. Outros convidados responderam gritando "não vai ter golpe".

Em discurso contundente, Dilma atacou a oposição e garantiu que segue firme no seu rumo. "A gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo e não vai colocar nosso povo de joelhos", disse.

Ela acrescentou que Lula, além de ser um grande líder político, é um grande amigo e companheiro de lutas. "Seja bem-vindo, querido companheiro ministro Lula. Eu conto com a experiência do ex-presidente Lula, conto com a identidade que ele tem com esse país e com o povo desse país. Conto com sua incomparável capacidade de olhar nos olhos do nosso povo, de entender esse povo. A sua presença aqui, companheiro Lula, mostra que você tem a grandeza dos estadistas. Prova que não há obstáculos à nossa disposição de trabalharmos juntos pelo Brasil."

Os convidados interromperam o discurso de Dilma com palavras de ordem e gritos de "Lula”, "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo" e "A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura".

Ataques a Moro

Em sua fala, a presidente também reclamou da divulgação dos grampos telefônicos contendo diálogos dela com Lula, que acusou de ilegais. "Não há justiça quando leis são desrespeitadas e a Constituição, aviltada, quando as garantias constitucionais da própria Presidência da República são violadas", afirmou.

Ela frisou que o governo está avaliando "com precisão as condições deste grampo que envolvem a presidente da República" e que ela quer saber "quem o autorizou, porque o autorizou e porque ele foi divulgado quando não havia nada que pudesse colocar sob suspeita o seu caráter republicano".

"Investigações baseadas em grampos ilegais não favorecem a democracia neste pais. O Brasil não pode se tornar submisso a uma conjuração que invada as prerrogativas constitucionais da Presidência da República", ressaltou.

Cerca de 300 manifestantes a favor de Dilma e Lula se concentraram em frente ao Palácio do Planalto, que teve segurança reforçada por soldados da Polícia Militar e da Polícia do Exército.

Lula decidiu ir à cerimônia mesmo após a divulgação de grampos telefônicos de suas conversas. Um diálogo dele com Dilma mostra que ela entregou ao líder petista um termo de posse para ser usado "em caso de necessidade".

O conteúdo da conversa foi interpretado por investigadores como uma possível tentativa de evitar que Lula fosse preso. As gravações foram divulgadas por autorização do juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba.

A nomeação do petista, alvo de investigação da Operação Lava Jato, motivou uma série de manifestações, que cresceram na noite desta quarta-feira, após a divulgação do conteúdo das interceptações telefônicas, com diálogos entre Lula e diversos interlocutores, incluindo Dilma.

Protestos acontecem em Brasília e em São Paulo desde o início da manhã desta quinta-feira. A Avenida Paulista amanheceu bloqueada por manifestantes. Foram registrados panelaços em diversos bairros da capital paulista. Centenas de manifestantes se reuniram em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília.

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